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Relato do Desafio do Pateta por Miguel Dantas.

Imagino que muitas crianças, pelo menos uma vez na vida, sonharam em conhecer o Maravilhoso Mundo de Disney; e isto aconteceu comigo no início dos anos 70. Nem bem sei ao certo quantos anos tinha: só me lembro de estar à frente da televisão e passar um comercial sobre o mundo maravilhoso da Disney e suas diversões. A imagem do castelo da Cinderela iluminado, da xícara da Alice rodando, o carrossel voador do Dumbo, o Monorail e a Sininho nunca mais saíram da minha memória. Já fui a Disney outras vezes e revivi meus sonhos de infância, mas este ano fiz algo diferente por lá, algo que não me ocorreu na primeira vez que comecei a sonhar com as diversões. Fiz algo que gente grande faz: corri o “Desafio do Pateta” ou como se diz em inglês “Goofy’s Challenge”, um desafio de resistência.

 

A emoção de chegar em Lake Buena Vista em Orlando e ficar em um dos resorts da Disney foi diferente. Viemos passar o réveillon no Magic Kingdom, e esperar pelo fim de semana de corridas, cada minuto a mais no relógio representava menos um para mais uma realização. Vivo por desafios, mas não pensei em tantos quando resolvi correr e sair do sedentarismo. No início, por saúde e, depois, pela adrenalina; assim o Goofy’s Challenge não foi a minha maior aspiração, mas foi sim o meu maior desafio, e foi tão excitante quanto o meu maior sonho já realizado: a minha primeira maratona em Nova York 2011.

 

O “desafio do Pateta” é composto de duas corridas, uma meia maratona (21.1 km) no sábado “Meia do Donald” e uma maratona (42.2 km) no domingo “maratona do Mickey” e ao completar as duas, conquista-se o “desafio do Pateta”, o Goofy’s Challenge. Na sexta tem a Family Run (5 km), uma corrida para aquecer e se divertir com a família. E assim o Desafio do Pateta me chamou a atenção pela dificuldade de encarar as duas provas seguidas.

 

A preparação vem desde o começo do ano passado, quando participei de provas de meias maratonas e só mesmo depois da Maratona de Nova York focamos nos treinos específicos para dias consecutivos. A emoção e preparo é a mesma, a adrenalina corre pela veia à espera do dia “D”. Não houve mais tantos dias de preparo, já que ainda valia o que foi feito para a maratona de Nova York, mas não foi menos extenuante, pois tive que fazer dois longões nos fins de semana por quatro semanas: corria 17 km nos sábados e 30 km nos domingos, diferente da maratona de NY onde só fazia longões nos domingos. Acordar cedo para treinar e manter o preparo é duríssimo. Neste meio tempo, comecei um novo tipo de treinamento para melhor me preparar para as corridas, adquirindo uma mecânica correta de corredor. Queria perder peso para ficar mais leve, o que me foi desaconselhado pelos meus amigos Moisés Feitosa (nutricionista), Fábio Ramos (Cuba) (preparador da Triação e Corporin) e Thiago Freire da Corporin (fisioterapeuta): não era hora de mudar a estrutura física.

 

Queria, a princípio, manter meus tempos de meia maratona e maratona, mas, outra vez, desaconselhado pelos meus amigos e parceiros de lutas: Diogo, da Triação e Marco André Sales, disseram para eu apenas completar e somente para constar no currículo. Assim esboçamos um tempo que me permitiria completar o desafio, por que só se pode traçar uma meta real quem já fez a prova alguma vez e já sabe dos percalços. Como será minha primeira vez, esquematizei um objetivo que me permitisse ir de encontro com a conclusão do desafio do pateta e fiquei confortável em cumpri-lo, mas eu teria tido um desempenho muito melhor caso, já tivesse esta experiência anteriormente.

 

A Disney é uma terra de sonhos e magias. Sonhos de crianças e realizações de adultos, que se divertem como se ainda criança fosse. E nesta terra de magia, cada personagem tem um papel a desempenhar e nos levar de volta aos sonhos infantis.

 

No início de janeiro, a Walt Disney World Marathon Weekend mobiliza um grande número de brasileiros que viajam até Orlando para participar da Maratona e da Meia Maratona, provas que são simplesmente mágicas.

 

O percurso, passa pelos parques do Walt Disney World e tem diversão garantida do início ao fim, com a participação dos personagens Disney prontos para tirar fotos com os corredores, além do próprio cenário. As provas foram nos dias 07, 08 e 09 de janeiro de 2012, sendo Family Run (5 km), Meia Maratona do Donald (21.1 km) e Maratona do Mickey (42.2 km), respectivamente. A entrega do Kit e exposição da feira acontece no HP Field House e Jostens Center no complexo de esporte ESPN Wide World Sports.

 

Ao pegar o kit, já senti um arrepio pelo corpo, pois sabia que estes itens me levaria a correr dentro dos parques. Não tem a multidão de NY, mas tem o glamour da infância.

 

Muitas são as informações e uma delas é a saída para prova no máximo até às 4h, isso assusta. “Quem não estiver no seu curral até às 5h, - não poderá correr”. O jantar de massas aconteceu no World ShowPlace Pavilion, no Epcot, no dia 5 é o tipo da festividade que, se tiver a oportunidade, vale a pena comparecer. A Disney torna tudo mágico, e o jantar de massas não é diferente e ainda tem a presença dos personagens da Disney e lugar reservado especial para ver o show de fogos de artifício IllumiNations. 

 

Em 2012, o destaque foi para a medalha do Pato Donald, já que a Meia Maratona da Disney (21.1 km) comemorou, 15 anos. A medalha é colorida com as cores do Donald, as outras são douradas.

 

Family Run – 5km de diversão

 

Chegada a sexta-feira, não fiz muito esforço. Fomos para o Family Run: são 5 km de diversão, mas acordar às 03h45min da manhã foi uma prévia para os dois próximos dias quando acordaríamos ainda mais cedo, já que a prova dos 5km começa uma hora mais tarde.

 

Cumpri minha missão dos 5 km em 21min e 10seg, mas não podia deixar de me divertir já que era meu primeiro propósito, assim dei meia volta e fui encontrar com minhas meninas super-poderosas que, nesta corrida, estavam presentes e ao encontrá-las fizemos um passeio pelos parques enquanto dávamos um trote. Tiramos muitas fotos e fizemos em quase 1h 25min. Minha princesa e xodó Ana Carolina fez um tempo maravilhoso, 42 min batendo assim seu tempo de Nova York que foi 44min. Parabéns minha princesa guerreira! Tinha muitos personagens da Disney, mas também tinha uma fila enorme para tirar fotos. Estava com minha câmera e fiz lindas imagens. Foi muito diferente e gratificante.

 

Desafio do Pateta Parte 1 – Meia -Maratona do Donald (21.1 km)

 

Fomos para o hotel comer uma macarronada, descansar (não era dia para badalações, nem parques). Dormimos cedo, com o despertador ativado para 02h45min. Pense na adrenalina: acordei 02h30min e não esperei o relógio avisar, fui cumprir o ritual pré – prova pois teria que estar no pátio do hotel às 03h40min. Tínhamos quer ser rápidos e fomos para o EPCOT: ônibus lotado de corredores e família, do estacionamento até a entrada para os currais, tinha muita gente. Tudo funcionava perfeitamente. Quem não estivesse no curral até às 5hs seria desclassificado e assim deixei minhas meninas super-poderosas na área de concentração e logo fui para o local da largada, onde só ficam os atletas, (não tem como os expectadores entrarem neste espaço). Leva-se cerca de 30min, andando, da concentração até o curral! Não dá para  imaginar 26 mil 500 atletas se dirigindo para os currais; parecia uma passeata. Lá havia muitos personagens e fiquei extasiado com a abertura, muita música, diversão e alegria! Neste clima,  apresentador chama para o palco o Mickey, a Minnie, o Pateta e o Donald. Não estava ainda concentrei na corrida, pois estava dando atenção aos personagens, e somente ao ouvir o hino americano me dei conta que a largada estava próxima! Havia cerca de 2000 atletas em cada curral e não cheguei a tempo de largar no curral A. Acabei saindo no início do pelotão B (custou-me caro a distração Disney). Cada curral tinha sua largada com fogos de artifício. Ao nos aproximarmos, ouvimos a pergunta: “Do we have some Goofys here?” “Temos alguns Pateta aqui?” (Hoje sei que é uma pergunta tradicional no desafio): Uma galera no curral B, levantou as mãos e as minhas faziam parte delas. Observei que uma grande maioria participaria do desafio!

 

Veio à contagem regressiva “3, 2, 1” feita na voz  "grasnada" do Pato Donald e fogos de artificio iluminaram o céu mais uma vez, dando a largada ao curral B. Isso já era umas 05h40min, e assim voltei à concentração. Era a hora de lembrar dos treinos e veio logo a mente as palavras de meu personal Marcos Rocha para me concentrar no “CORE”; da experiência e aviso de Diogo (Triação) e Marco André, que não deveria dar tudo de mim na Meia Maratona, já que eu teria uma maratona inteirinha no domingo. Coisa de louco, ou melhor, de PATETA MESMO. Lembrei ainda de tudo mais que passei para realizar este desafio, lembrei das palavras e das torcidas dos amigos e familiares. Foram minha adrenalina alta e o fino sereno frio do inverno de Orlando que me fizeram disparar e quando dei por mim, estava bem acima do tempo recomendado para quem necessitava se poupar para o dia seguinte! Inicialmente, não tive controle sobre o ritmo ideal que me permitiria esta vantagem mas me forcei a ter, a partir do segundo km. Controlei a velocidade até 12.2 km/h, correndo na postura correta (core). Me sentia sobrando e resolvi apertar o passo nos 9 km finais da prova .

 

Com certeza, quem faz academia ou treinamento de alguma atividade física, já ouviu falar neste nome (CORE) que quer dizer o “Centro de Força” do nosso corpo. Alguns músculos desempenham função crucial para manter o centro de nosso corpo, ou CORE, estável e flexível ao mesmo tempo. Sem este equilíbrio funcional um bom alinhamento e eficiência corporal não são possíveis. Estes músculos encontram-se nas regiões mais profundas do tronco e da pelve, o abdômen e os músculos lombares que juntos com o diafragma e assoalho pélvico formam um cilindro de força. Este conceito é o combustível para o princípio da CENTRALIZAÇÃO permitindo maior CONTROLE, FLUIDEZ e PRECISÃO nos exercícios. Uma CASA DE FORÇA produzindo energia através do corpo e da mente: toda esta parte organizada, podemos economizar energia e ganhar velocidade. Essa é minha nova meta.

 

Ao sair do EPCOT, cheguei à rodovia e estradas do complexo Disney que estavam fechadas para o evento e ali havia  muitos postos de hidratação com repositor energético e água, dados em copos. Surge a minha frente à entrada do Magic Kingdom. Parecia um sonho: adentrei pelo parque ainda mais veloz, fiz uma grande curva e logo à frente, o Castelo da Cinderela, que ficará na memória para sempre. Neste momento aglomera-se muitos corredores, pois há um afunilamento devido as ruas dos parques serem estreitas e me encontrei aí com a galera do curral A que havia largado a minha frente. Havia muita gente já trabalhando e expectadores que foram para ver a prova. Cruzei por dentro do castelo e de lá segui para o retorno no Epcot.

 

De longe se ouvia a locução e a torcida dos familiares nas arquibancadas. Algumas curvas mais e entrei no parque, logo vendo o portal de chegada. Ao chegar, o locutor da prova narrava: “lá vem mais uma bandeira do Brasil! Já nem sei quantas são! Miguel Dantas de Itabuna cruza a linha de chegada!! Não sei onde essa cidade fica, mas com certeza é muito longe!”. Muita emoção! Cruzei a linha de chegada em 01h39m48s. Três minutos acima de meus tempos de meia maratonas, mas tinha ainda o final do desafio pela frente. Na chegada, recebemos uma espécie de capa metálica de um lado, com vários desenhos do Mickey do outro (tudo mágico), para manter o corpo aquecido e o vento não penetrar, pois molhados de suor, o frio seria, com certeza, de doer.

 

Após o término, tem também muita alimentação, isotônicos, bananas, muffins, barras de cereais, de proteínas, tudo a vontade, diga-se de passagem, nada em sacolinha controlada e nada de um por pessoa (apesar do aviso de somente pegar um por pessoa).

 

 

Estas foram minhas parciais, recebidas por minhas meninas super-poderosas durante a prova:

 

runDisney - Disney World Goofy Challenge - Half: MIGUEL DANTAS FILHO - 5K in 0:23:58. Pace: 7:43. Est (estimative): 1:41:09. ETA(Hora de Chegada): 7:21:52.

 

runDisney - Disney World Goofy Challenge - Half: MIGUEL DANTAS FILHO - 10K in 0:48:07. Pace: 7:45. Est: 1:41:35. ETA: 7:22:13.

 

runDisney - Disney World Goofy Challenge - Half: MIGUEL DANTAS FILHO - 15K in 1:11:47. Pace: 7:42. Est: 1:40:56. ETA: 7:21:40.

 

runDisney - Disney World Goofy Challenge - Half: MIGUEL DANTAS FILHO - Finish in 1:39:48. Pace: 7:37. At 7:20:32.

 

Fui buscar minha primeira medalha, a da meia maratona “Donald” e fui encontrar com minhas 03 Meninas Super-Poderosas na área de dispersão, contar os detalhes e começar a pensar no dia seguinte.

 

Desafio do Pateta Parte 2 - Maratona do Mickey (42.2 km)

 

Hora do desafio! Uma meia maratona no sábado e uma maratona no domingo, e o mesmo ideal é chegar cedo ao hotel, tomar uma bela ducha quente e descansar. Nem queria sair, pois meu objetivo era mesmo ir dormir cedo! Nem preciso dizer que foi difícil dormir na noite anterior à prova... Novamente o despertador foi ativado, como a largada era às 5h30, acordamos às 2:45h da matina, pois tínhamos que pegar o ônibus do hotel às 4h! (Mais um ponto para organização, ônibus a postos para levar os corredores hospedados nos resorts da Disney até o local da largada, muito bom!), mas de novo não esperei que tocasse, acordei faltando 5 min para despertar e lá fui eu de novo para os preparativos, e todo o ritual pré-prova foi repetido. Neste ponto, vale citar que a preparação para o “Goofy’s Challenge” teve um ingrediente a mais muito interessante: treinos aos sábados e aos domingos, já que o corpo teria que se preparar para aguentar duas provas em dias seguidos. Foi “super divertido” ter que acordar bem cedo nos 2 dias de folga da semana

 

Bem, chegamos ao local da largada (no Epcot Center), lua brilhando no céu e toda a infra estrutura de uma prova de verdade! Guarda-volumes muito bem disposto, vários banheiros, bom espaço para abrigar todos os corredores, e vários pelotões de largada muito organizados. Ah! A temperatura estava ótima: mais quente que a madrugada anterior e na hora da partida, um friozinho que ajudaria a correr sem nenhum desgaste. Não havia necessidade de tantos agasalhos devido que o tempo menos frio que o dia anterior e lá fomos nós de novo para a prova. Desta vez não me permiti distrair e fui logo para meu curral. Não queria passar pela agonia do mar de gente a minha frente, e me posicionei ao lado dos corredores de elite: lá estavam Adriano Bastos e Fredisson Carneiro (vencedor da prova). Ao ser dada a largada, desta vez na voz do Mickey, muitos fogos de artifício. Me empolguei com tantos corredores velozes a minha frente que me impulsionaram a ter uma velocidade que não estava planejada e minha primeira parcial de tempo final da maratona seria de 03h05min!! Um sonho que eu sabia que ainda não seria possível, mas farei de uma outra vez.

 

O frio da madrugada de Orlando me faz bem e consegui me concentrar melhor na prova. Lembrei-me dos ensinamentos e apoio dos amigos, e não dá para esquecer a voz de Marcos Rocha (meu personal) “Atenção no core, postura”.

 

Correr na Disney foi especial. O percurso é quase 100% plano e o clima é perfeito. O ponto alto da prova é entrar nos parques, ver os personagens acenando, e as pessoas ali torcendo e animando os corredores. Isso faz você se sentir parte daquele mundo mágico. Isto, ajudava bastante a aliviar a tensão do desafio. A organização, mais uma vez, deu “show”, mesmo levando-se em conta que havia muito mais corredores fazendo a maratona do que o número que completou a Meia. Não faltou hidratação, diversão ao longo do percurso. Novamente largamos do Epcot e fomos na direção do Magic Kingdom na milha 10. Na milha 17, já estava no animal Kingdom, sempre correndo pelas avenidas largas da Disney. O percurso foi bem diferente, pois fomos por muitas rodovias, estava correndo bem.

 

Depois do km 28 as sensações nas pernas foram variadas, desde arrepios, dores nos pés, dores nos músculos (superiores e inferiores). Meu cansaço aflorava minha emoção. Fechei os olhos por uma fração de segundos e tentei transformar toda a emoção em energia, em forças para seguir. No percurso tem muita gente torcendo e ouvi muitas vezes: “Go, Goofies! You look great!” “Vão patetas, você estão ótimos” e a energia me deu forças para continuar até o fim e ter uma emocionante chegada com os personagens na recepção.

 

Os postos de Powerade e água eram abundantes. Não gostei do Powerade, mas tomei algumas vezes, preocupado em repor o que perdia na transpiração. Levei 8 sachês de carboidrato, mas consumi 6, que ingeria nas milhas múltiplas de 5. Os copos abertos demandaram uma certa habilidade motora na hora de tomar os líquidos. Usei a dica de dobrar a borda do copo, fazendo um bico, para facilitar. Mesmo assim, o trote provocava alguns pulos da água, molhando um pouco o rosto, e quase entrando no nariz, mas nada grave.

 

A marca de 20 milhas é famosa dentro da maratona. Embora já estivesse sentindo um  cansaço, passei por ali com uma marca boa. Embora o percurso seja predominantemente plano, qualquer ladeirinhazinha passou a ser uma subida razoável. Neste momento, cumpria mais de meia maratona e a excessiva velocidade inicial começou a prejudicar meu desempenho. Comecei a sentir dores que não tinha sentindo na maratona de NY e diminuí o ritmo lembrando do treinador Vinícius Souza, que sempre me dizia: “Diminua, mas não pare”. Valeu o conselho Vinny.

 

O Sol já subia no horizonte, mas o ar continuava frio. Muita gente descartou os agasalhos pelo caminho e fazia agora uma temperatura muito agradável. Havia também trechos mais desertos, mas sempre com atrações da Disney para animar os corredores. O mais interessante são os atletas que fazem fila para tirar fotos nessas atrações, e em seguida voltam para a corrida: minha meta não me permitia esta regalia.

 

No km 37, tudo parecia passar lentamente. Eu estava correndo por dentro do parque Animal Kingdom e tudo conspirava para que parasse. Ao sentir dores e mais dores musculares, tive um impulso de parar: nesse momento senti um chute, um empurrão e me pareceu que Deus disse: “Você não veio aqui para desistir e então corra filho, pois você merece as três medalhas.” Senti seu chute no meu traseiro e continuei no meu desafio. Mais estrada e cruzei para o Epcot, meu destino final, o desafio do sonho realizado, e parti para a linha de chegada. Faltando 3 milhas comecei a sentir mais  dores musculares. A parte física estava chegando no limite. Valeu a concentração no CORE que mantive a postura correta mesmo quando o cansaço chegou. O psicológico estava forte, eu já estava na região do Epcot, sabia que faltava pouco, bem pouco. O corpo pedia para andar, a cabeça mandava correr. Faltava pouco, estava chegando. Tanto treino, tantos meses, tantos quilômetros rodados. Buscava com os olhos visualizar alguma edificação conhecida, em especial o globo da entrada do parque. Cheguei assim ao lago do Epcot, aquele imenso lago rodeado pelos países do parque, e vi gente correndo por todo entorno: estava próximo o fim.

 

Mais uma vez o locutor narra a chegada das bandeira do Brasil, e como fiz na meia maratona, tirei minha bandeira e corri pra o sprit final. Terminei a prova em 03h32m22s. Não há dúvida alguma, que este desafio será inesquecível, mas o próximo será melhor. E agora é esperar o próximo.

 

Estas são minhas parciais, minha empolgação me levou a correr muito rápido no início.

 

Tentem imaginar e multipliquem o sentimento por mil!! Mas não é possível mensurar, foi uma emoção única e mágica, que jamais me sairá da memória e do coração.

 

 

runDisney - Disney World Full Marathon: MIGUEL DANTAS FILHO - 5M in 0:38:18. Pace: 7:40. Est: 3:21:00. ETA: 8:56:31.

 

runDisney - Disney World Full Marathon: MIGUEL DANTAS FILHO - 10M in 1:17:03. Pace: 7:42. Est: 3:21:53. ETA: 8:57:42.

 

runDisney - Disney World Full Marathon: MIGUEL DANTAS FILHO - HALF in 1:41:24. Pace: 7:44. Est: 3:22:45. ETA: 8:58:28.

 

runDisney - Disney World Full Marathon: MIGUEL DANTAS FILHO - Finish in 3:32:21. Pace: 8:06. At 9:08:00.

 

Recebi a medalha da Maratona, o “Mickey” e dali recebi a medalha da conquista do desafio, medalha “do Pateta”. Muito legal colocar todas elas no meu pescoço e receber os elogios dos voluntários e da torcida.

 

Valeu todos os km, foi muito especial estar ali e completar o desafio, uma felicidade imensa e o orgulho de ter conquistado um sonho, de ter completado o desafio, o “Goofy’s Challenge”.

 

As maratonas da Disney já tiveram vários campeões brasileiros (até 2011, foram 10 vitórias masculinas sendo – dessas, 7 são de Adriano Bastos – e 2 femininas).

 

Não foi bem uma corrida do Peninha, como disse nossa amiga Jussamara Britto Santos, mas foi bem mais fácil que a maratona de nova York.  Apesar de ser uma prova de resistência física, com um percurso bem maior. Mas corri mais relaxado, sem a tensão da primeira maratona e com a certeza que completaria o desafio, insegurança nítida que tive na primeira maratona(New York 2011).

 

E assim pude quebrar na maratona do Mickey meu recorde de nova York. Valeu a pena ser um Pateta. Correr Meia-Maratona (21.1 km) no Sábado e Maratona (42.2 km) no Domingo.

 

"Corra quando você puder, ande se tiver que andar, rasteje se for necessário, mas nunca desista” Dean Karnazes.

 

Devo a DEUS a oportunidade que ele me dá todos os dias, pois sou um privilegiado em possuir uma FAMÍLIA, linda e maravilhosa (minhas 03 Meninas Super- Poderosas). Esta FAMÍLIA é a responsável direta por todas as minhas conquistas. Agradeço a todos aqueles que de uma forma ou de outra me auxiliaram neste meu projeto, bem como agradeço a todos os amigos que me incentivam todos os dias e transmitem sua energia positiva e me acompanharam nesse desafio. Um sonho conquistado, compartilhado com muitos.

 

Agradecimento aos amigos e profissionais:

Eduardo Darzé (Cardiologista)

Jomar Souza (Ortopedista)

Edson Dantas (Ortopedista)

Moisés Feitosa(Nutricionista)

Henrique Aragão (Fisioterapeuta)

Márcio Bruno (Fisioterapeuta)

Thiago Freire (Fisioterapeuta)

Vinícius Souza (Personal Trainer)

Marcos Rocha (Personal Trainer)

Fábio Ramos (Personal Trainer)

Diogo (Triação)

Lillian Seabra e Aryanne Lopes Mascarenhas (Clin Academia)

 

Agradeço a Minha DEUSA JOSIE DANTAS que sempre me incentiva, acompanha e apoia incondicionamente.

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