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Central de atendimento: (71) 3263-3473
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Quem Somos

Assessoria esportiva

A Triação é um das maiores e mais antigas Assessorias Esportivas de Salvador, criada em 2003, para atender pessoas que praticam um esporte por prazer e buscam a superação de limites de forma eficiente e saudável.

Com um índice quase nulo de evasão de alunos, a Triação tem como objetivos a participação efetiva em eventos esportivos, como provas de corridas do circuito baiano, meias maratonas, maratonas nacionais e internacionais, provas de triatlhon, duatlhon e aquatlhon e maratonas aquáticas e o atendimento a pessoas interessadas em melhorar ou manter o seu condicionamento físico, contribuindo para que o indivíduo pratique exercícios regularmente, tornando-o parte integral na melhoria do seu estilo de vida. O trabalho é realizado através de uma planilha de treino quinzenal individualizada para caminhada, corrida, musculação, ciclismo, natação, triatlhon, duatlhon e aquatlhon, elaborada à partir da avaliação física prévia e também de acordo com o objetivo pessoal de cada aluno. Encontros semanais de acompanhamento com os treinadores, em locais pré-determinados, garantem o resultado desejado.

Especializada em exercício físico e sabendo do reconhecimento das vantagens da sua prática regular na promoção de saúde, a Triação realiza um diagnóstico diferenciado, fazendo desde a avaliação física a programas personalizados, buscando o exercício físico com lucidez e equilíbrio, sempre compatíveis com as possibilidades de cada aluno.

Objetivo

bullet Criar Campeões na vida e no esporte.
bullet Conscientizar o reconhecimento das vantagens da prática regular de exercício físico na promoção da saúde.
bullet Desenvolver o espírito de equipe e integração.
bullet Oferecer um serviço de alto padrão e qualidade em treinamento personalizado.

Nossa missão

Conscientizar as pessoas da importância da prática regular de exercício físico, de forma consciente para que consigam o desenvolvimento integral na busca do bem estar e alta performance.

Serviços oferecidos

Oferecemos diversos serviços com conforto e segurança:
bullet  Avaliação de aptidão física: força e resistência muscular, flexibilidade, composição corporal e capacidade aeróbica.
bullet Elaboração de planilhas de treinamento individualizada de caminhada, corrida, ciclismo, musculação, natação, triatlhon,   duatlhon e aquatlhon, de acordo com objetivo pessoal de cada aluno.
bullet  Acompanhamento com os treinadores do grupo em locais pre-determinados.
bullet Elaboração de propostas para montagem de academias em condomínios e no segmento corporativo, bem como coordenação, com profissionais especializados.
bullet Elaboração de propostas para montagem de academias em condomínios e no segmento corporativo, bem como coordenação, com profissionais especializados.
bullet Disponibilização de site para acesso virtual das planilhas de treinamento e informações sobre corrida, ciclismo, musculação, caminhada, natação, triatlhon, duatlhon e aquatlhon, resultados em provas, calendário de competições.
bullet Assessoria para programas de promoção de saúde e bem estar para grandes empresas.
bullet Disponibilização de equipe multidisciplinar formada por ortopedista, fisioterapeuta, psicóloga, nutricionista e cardiologista.
bullet Programa bimensal de palestras sobre temas relacionados com a atividade física desenvolvida pela assessoria.
bullet Acompanhamento nas maiores provas no Brasil.
bullet Camisa para treino e participação em provas – Personal Trainner.

Treinamento à Distância

A Triação Assessoria Esportiva uma das maiores e mais antigas Assessorias de Salvador, oferece para as pessoas que não residem nas cidades de Salvador ou Feira de Santana e querem desenvolver todo seu programa de treinamento de forma orientada e sistematizada, buscando a superação de limites de forma eficiente e saudável, o Programa de Treinamento à distância.

De que forma é realizado o programa?
bullet Programa de Treinamento é elaborado em função dos resultados obtidos nas avaliações solicitadas, nos seus objetivos e no seu nível de aptidão física;
bullet Os resultados das Avaliações são enviados por fax ou e-mail para nossa Central de Atendimento (Fax: 71 32633473 e o e-mail: atendimento@triacao.com.br);
bullet O Trabalho é realizado através de uma Planilha de Treino Quinzenal individualizada, disponibilizada no nosso site;
bullet O aluno terá que responder diariamente a um questionário relacionado as sensações e as percepções do Treino e enviar para o Responsável Técnico;

Critérios Participativos
bullet Avaliação Médica: Exames Cardiológicos (Teste Ergométrico ou Ergoespirométrico + Exames Laboratoriais e Avaliação de Aptidão Física);
bullet Monitor de Freqüência Cardíaca para realizarmos o controle do esforço;

Qual é a forma de participação?
bullet Central de Atendimento de Segunda a Sexta das 9:00 as 18:00 através dos seguintes meios;
bullet Tel./Fax (71)32633473;
bullet E-mail: atendimento@triacao.com.br;

Serviços oferecidos
bullet Programa de Treinamento para Caminhada e Corrida;
bullet Programa de Treinamento para Triatlhon (Duatlhon e Aquatlhon);
bullet Programa de Treinamento para Ciclismo;
bullet Programas de Treinamento para Eventos de Corrida nas distancias de 5 km, 10 km, 15, Meia Maratona e Maratona;
bullet Uniforme para Treinamento.

Horários – Treinos

Apresentação

Acompanhe a seqüência de treinos da TRIAÇÃO e fique sempre em primeiro lugar!

Corrida

DIA
CIDADE
LOCAL
HORÁRIO
MAPA
Segunda-feira Salvador-BAOndina ( Speed Lanches ) 06:00h às 08:00hMAPA
Segunda-feira Salvador-BAAv. Centenário18:30h às 20:30hMAPA
Segunda-feira Salvador-BAAlameda das Algarobas (Praça dos Eucalíptos) - Caminho das Árvores.18:30h às 20:30hMAPA
Terça-feiraSalvador-BAAv. Centenário18:30h às 20:30hMAPA
Terça-feiraSalvador-BALoteamento Aquarius (Praça)06:00h às 08:00h
Terça-feiraSalvador-BAPiatã - Estacionamento em frente ao Habibs06:00h às 08:00h
Quarta-feiraSalvador-BAAv. Centenário06:00h às 08:00hMAPA
Quarta-feiraSalvador-BAAlameda das Algarobas (Praça dos Eucalíptos) - Caminho das Árvores.18:30h às 20:30hMAPA
Quinta-feiraSalvador-BAPorto Da Barra05:30h às 08:00h
Quinta-feiraSalvador-BAJardim de Alah, em frente ao Chalezinho.06:00h às 08:00hMAPA
Quinta-feiraSalvador-BAPiatã - Estacionamento em frente ao Habibs06:00h às 08:00h
Quinta-feiraSalvador-BAAv. Centenário18:30h às 20:30hMAPA
Sexta-feiraSalvador-BAOndina (Speed Lanches) e Loteamento Aquarius06:00h às 08:00hMAPA
SábadoSalvador-BAJardim de Alah, e Ondina (Speed Lanches) - Alterna a cada sábado.06:30h às 09:30hMAPA

Ciclismo

DIA
CIDADE
LOCAL
HORÁRIO
MAPA
Segunda-feiraSalvador-BAAvenida Centenário04:40h às 05:40hMAPA
Quarta-feiraSalvador-BAAvenida Centenário04:40h às 05:40hMAPA
SábadoSalvador-BAVariados05:40h às 09:00hMAPA

Natação

DIA
CIDADE
LOCAL
HORÁRIO
MAPA
Segunda-feira a Sexta FeiraSalvadorColégio Antônio Viera06:00h às 07:00h/ 07:00h às 08:00h MAPA

Triação Triatlhon

Apresentação

O Triatlhon é uma modalidade esportiva completa, pois consegue aliar três modalidades esportivas, como a corrida, ciclismo e a natação. Ela é disputada em diversos formatos onde os mais conhecidos são estes:

  • Iroman: 3800 de Natação, 180 km de Ciclismo e 42 km de Corrida;
  • Standard: 1500 de Natação, 40 km de Bicicleta e 10 km de Corrida;
  • Sprint Triatlhon: 750 de Natação, 20 km de Bicicleta e 5 km de Corrida.

O Triatlhon surge em San Diego por volta de 1974, é uma das modalidades esportivas que mais cresce no mundo e em especial no nosso país.

A Triação Assessoria Esportiva disponibiliza este serviço, que é Coordenado pelo Prof.Fabio Ramos (Cuba),o serviço é realizado através de uma planilha de treino semanal e encontros técnicos com a nossa excelente equipe.

Fabio Ramos
Coordenador Técnico, Graduado em Educação Física e Especializado em Treinamento para Triatlhon pela Escuela Internacional de Educação Física y Desporto de Cuba. CREF: 006208-G/BA . Técnico Nível 1 de Triatlhon da CBTRI.

 

Atletas Recreacionias

Por muito tempo o Triatlhon foi visto como um esporte que somente era realizado por atletas, devido a sua composição, onde o praticante nada, corre, pedala chega a treinar duas vezes ao dia e com o tempo isto foi se desmitificando e hoje já está bem claro que é um esporte que pode ser realizado e está sendo muito por “atletas recreacionias”, aquelas pessoas que querem fazer o esporte, passar por uma rotina de treinamento, cuidar da sua saúde e não vão seguir carreira profissional.

É importante que antes de iniciar sua Programação de Treinamento, o futuro praticante realize uma Avaliação Médica, procure um profissional especializado no esporte, profissional este que irá orientá-lo quanto a sua Programação de Treinamento.

 

Utensílios para o Triatlhon:

  • Como outras atividades, o Triatlhon requer alguns utensílios para que seja realizado de forma correta e segura:
  • Óculos de Natação;
  • Toca de Natação;
  • Palmar;
  • Camisa de Ciclismo;
  • Bermuda de Ciclismo;
  • Tennis;
  • Short;
  • Sapatilha de Ciclismo;
  • Capacete;
  • Camiseta Regata;

Triação Feira de Santana

Assessoria esportiva

A Triação é um das maiores e mais antigas Assessorias Esportivas, criada em 2003, para atender pessoas que praticam um esporte por prazer e buscam a superação de limites de forma eficiente e saudável. Coordenada pelo Professor CLEYTON MEDEIROS, o trabalho é realizado através de uma planilha de treino quinzenal individualizada para caminhada e ou corrida, elaborada a partir da avaliação física prévia e também de acordo com o objetivo pessoal de cada aluno. 

Cleyton Medeiros
Coordenador Técnico, Graduado em Educação Física pela Universidade Jorge Amado. CREF: 003912-G/BA Pós Graduando em Fisiologia do Exercício pela Universidade Gama Filho / RJ. Técnico Nível 1 de Triatlhon da CBTRI.

Horário dos Treinos

DIA
CIDADE
LOCAL
HORÁRIO
MAPA
Terça-feiraFeira de Santana-BAAv.São Domingos 05:40h ás 08:00hMAPA
Quinta-feiraFeira de Santana-BAAv. Getulio Vargas 05:40h ás 08:00hMAPA
SábadoFeira de Santana-BAAv. Getulio Vargas (Em frente a Esporte Lazer) 05:40h ás 08:00hMAPA

Como entrar em contato – (Triação em Feira de Santana)
Para poder fazer parte da nossa equipe de treinamento, basta entrar em contato e marcar um horário com:
Cleyton Medeiros
E-mail: cleytonlopes@triacao.com.br
Telefone: (0xx75)-8165-0889 / (0xx71)-8112-5792  

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Fotos

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Alongamento

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2-Tríceps: Em pé, pés posicionados paralelamente, e com o membro superior que deseja alongar, faz-se uma flexão de cotovelo, e elevado acima da cabeça. A mão contra lateral apóia o cotovelo, enfatizando, assim, o alongamento dos músculos posteriores do braço e do ombro.

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4-Quadriceps: Em pé, de frente a algo para apoiar-se e assim manter o equilibrio, com a mão de uma lado pega-se o pé do lado contrário e faz uma flexão do joelho, procurando encostar o calcâneo no glúteo para alongar a musculatura anterior da coxa. O posicionamento visa evitar compensações como uma abertura do membro.

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3-Trato Ilio-Tibial: Em pé, posicionado de lado a algum apoio, e segurando. Com o membro inferior contra lateral faz-se uma adução além da linha média, e ao mesmo tempo faz-se uma elevação do braço contra lateral acima da cabeça. Em seguida flexiona, lentamente, o tronco lateralmente Alongando assim toda cadeia lateral do corpo.

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5-Deltóide Medial: Em pé com pés posicionados,mão posicionada no cotovelo contra lateral, e trás o membro para próximo do corpo. Alongando músculos posteriores e laterais do ombro.

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10-Peitoral: Em pé, com pés posicionados paralelos, levando os membros superiores para trás, procurando tocar uma mão na outra, alongando assim o peitoral.

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6-Adutores da Coxa: Com um membro em flexão e o outro em extensão, desloca o peso do corpo p/ o lado em q/ o membro esta em flexão, realizando assim um abertura do membro contra lateral e sentindo uma tensão na musculatura interna da coxa, e por conseqüência proporcionando alongamento da musculatura adutora da coxa.

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13- Posterior da Coxa: Deitado, eleve a perna e com apoio de uma toalha fixada a planta do pé puxe-a em direção ao tronco, enfatizando o alongamento da musculatura posterior da coxa.

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9-Glúteos: Mãos apoiadas, com corpo afastado, um membro inferior apoiado no solo, em flexão, simulando a posição de sentar, enquanto o membro contra lateral fica apoiado sobre o outro, onde o pé é colocado no joelho do membro que esta no solo. Desta forma alonga tanto a musculatura posterior do tronco e abdutora e rotadora externa do quadril.

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1- Cadeia Muscular Posterior: Apoiada com as duas mãos e afastado do apoio, procura alongar toda cadeia posterior (dos membros inferiores e das costas), flexionando o tronco, lentamente, enquanto mantém os pés na mesma posição inicial.

 

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11-Para Vertebral: Em pé, membros inferiores em extensão e membros superiores ao lado do corpo, em seguida vai flexionando o tronco, a partir da cabeça, seguida pela coluna dorsal e coluna lombar. Cada seguimento de uma vez, lentamente. Dentro do seu limite, mantendo sempre os joelhos em extensão. Alongando toda cadeia posterior do corpo.

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7-Posterior da Coxa: Sentado, um membro com extensão de quadril e flexão do joelho, e o outro membro em extensão de joelho e flexão de quadril, gira o tronco no intuito de tocar no pé do membro que está em extensão, alongando desta forma toda musculatura da cadeia posterior dos membros inferiores.

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14- Grande Dorsal:  Em pé, os 2 braços estendidos acima da cabeça. dedos das mãos cruzados, palmas para cima, decline seu tronco para o lado, segure a posição de 15 seg a 30 seg, fazer para o outro lado.

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8-Panturrilha: Afastada da parede, com mãos apoiadas, leva um dos membros para frente realizando flexão de quadril e joelho, enquanto o outro membro permanece em extensão atrás, sem retirar o calcanhar do solo, Incline o corpo, reto, ligeiramente para frente, até sentir uma leve tensão na panturrilha, sentindo desta forma o alongamento de tríceps sural (panturrilha).

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12- Músculos do Pescoço: Em pé,pés posicionados paralelamente, apóie a mão direita sobre a orelha esquerda e deixe o pescoço soltar para direita ,realize para os dois lados.

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Resultados

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Conheça Seu Tênis

Fique sabendo como o seu tênis é formado para que você consiga achar o modelo que melhor se adapte a sua necessidade.

1. Cabedal: é o corpo do calçado.
2. Palmilha: resposável pela postura correta do pé dentro do calçado.
3. Entressola: é a camada entre o cabedal e o solado.
4. Sola Externa: fabricada com diversas camadas, para agir conforma ass necessidades de cada parte do pé.

Escolhaseutenis

A sola se divide da mesma maneira da pisada:

A. Calcâneo: responsável pela estabilidae, amortecimento e impulsão
B. Méio-pé: feito em material duro e resistente, forma uma “armadura” para dar estabilidade e evitar torções.
C. Ante-pé: tem o “bico” levantado para facilitar o movimento da passada, que dobra naturalmente a parte da frente do tênis.
D. Contenção do colcanhar

Tipos de Pisadas e Pés

Esta é a informação indispensável na hora da escolha de um tênis, e muitas vezes negligenciada pelos praticantes, podem influenciar benéfica ou maleficamente aos adeptos das mais variadas modalidades esportivas e principalmente para os corredores. O uso de um calçado errado, ou seja, que não busque estabilizar o pé no momento da passada, podendo acentuar o seu desequilíbrio, onde o calçado pode significar a diferença entre sucesso, falha ou lesão em um simples treinamento ou em uma competição.

Na hora de escolher um tênis para corrida, é fundamental que ele lhe ofereça o conforto desejado, afinal isto será determinante para um maior bem estar durante os seus treinos e competições.

Em primeiro lugar, é válido duas características sobre seus pés: seu formato e o tipo de pisada. Para isso, vamos nos aprofundar um pouco sobre cada uma delas.

Tipos de Pés

O pé com carga pode-se identificar como cavado, normal e chato de acordo com a altura e forma do arco plantar.

Chatos: Deixa uma pegada quase completa no chão. Indivíduos com pé neste formato, tendem ao excesso de pronação.

Pe-chato

Cavados: Deixa uma pegada com tênue conexão entre a parte frontal e o calcanhar. Indivíduos tendem à supinação quando possuem pé neste formato.

Pe-cavado

Normais: Deixa uma pegada com uma ligação visível entre o calcanhar e a parte frontal. Há uma tendência natural e normal à pronação.

Pe-normal

Tipos de Pisada

O que diferencia os tipos de pisadas é a maneira que o calcanhar toca no chão e “rola” até que o corpo seja impulsionado pela ponta dos pés. Podemos observar 3 tipos de pisadas;

Pronadores: Tendem a começar o movimento pela parte interna do calcanhar, apoiar a borda interna do pé, e por fim, concentrar o impulso na área do dedão. Geralmente tem o pé chato e necessitam de tênis com estabilidade e controle dos movimentos.

Chato-Pronador

Neutros: A pisada começa no calcanhar, o pé percorre o solo de modo uniforme e o impulso é dado pelo apoio dos três primeiros dedos.

Normal-neutro

Supinadores: Apóiam a parte externa do calcanhar com mais intensidade, o movimento segue pela entrada externa do pé e o impulso é concentrado nos últimos dedos. Costumam ter pés cavados e necessitam de tênis com amortecimento.

cavado-supinador

Avaliações

É importante frisar que para a determinação do calçado correto em função do tipo de pisada não adianta levar em consideração somente a sola do sapato, analisando o lado mais desgastado, pois esse desgaste pode estar associado ao tipo de solo em que a pessoa se movimenta e a hábitos como arrastar o pé no chão quando está parada . A maneira mais correta seria a realização dos testes em laboratórios com especialista em mecânica do movimento, fisioterapeutas e ortopedistas através do teste do pedígrafo ou plantigrafia que seria a analise estática da pisada e a baropodemetria que tem por objetivo analisar as distribuições das pressões desenvolvidas na região plantar dos pés, através de palmilhas com sensores.

Orientações

* O calçado deve ser construído para os pés do individuo e não o inverso.
* O Tênis de Corrida são feitos para durar aproximadamente 500 a 800 km.
* No momento de adquiri revele ao vendedor seu tipo de pisada e pé.

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Calendário

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Depoimentos

A Primeira Meia Maratona de Buenos Aires por: Karine Melo

Minha primeira meia maratona internacional de Buenos Aires Essa é minha primeira meia maratona internacional e quarta de prova, mas posso dizer que foi inesquecível!! O percurso é repleto de pontos históricos belíssimos. Em janeiro desse ano, queria participar de uma prova diferente. Me veio na cabeça a idéia de Buenos Aires todos que tinham feito falavam muito bem da organização, percurso,clima... Então comentei com minha inseparável amiga,corredora e comadre , Claudia que abraçou a idéia assim como Eduardo( meu companheiro e corredor) também se empolgou e Carla ficou animadíssima. Pronto companhia eu já tinha!! Só precisava treinar... Nossos treinos eram cheios de motivações e alegrias dava vontade de acordar as 5hs da manhã para está junto com aquele pessoal de sorriso nos lábios, energia positiva e sebo nos pés. Inicialmente os longos eram de 8, mas logo passaram a ser de 10,12,14,16 e por fim 18km fazíamos alegres e satisfeitos por estarmos superando aqueles obstáculos que nos foram traçados. Engana-se quem acha que os amantes da corrida vivem num mar de rosas, muito pelo contrário convivemos com calos, bolhas de água e sangue nos pés, unhas que mal nascem já caem de novo, cãmbras e por aí vai... Mas é gratificante você chegar onde desejou,afinal de contas,

Uma História de Amor Pela Corrida

UMA HISTÓRIA DE AMOR PELA CORRIDA Em 2006,depois de um tempo morando em Feira resolvi procurar um grupo de corrida. Assim fui procurar na internet e encontrei o Pé na Tábua que treinava 35º batalhão do exército , depois se tornou Triação.O meu objetivo era aliar o esporte ao prazer e a liberdade que a corrida nos proporciona. Em 2007 fiz a minha primeira meia no Rio, emoção total na subida da Niemeyer, passado pelo túnel e vendo tantas pessoas correndo com prótese e mesmo com membro amputado, ultrapassando limites. Chorei imaginando quantos dos meus pacientes não tinham condições de ter uma prótese, muito menos correr. Esses anos de Triação me fizeram encontrar amigos, crescer como ser humano e enfrentar obstáculos. Amigas Poderosas e Amigos da turma do Bolinha nos fazem rir, brincar, agregar valores e tornar nossas manhãs mais felizes e animadas. A cada corrida eu queria me superar, pois o meu único adversário era eu mesma. Foi assim nas meias do Rio ,SSA e Porto Alegre além das demais que fiz nesses meus 8 anos de corredora FELIZ. Em 2012, durante um exame de rotina descobri um nódulo de tireóide e me deparei com um grande obstáculo, pois, apesar de “ benigno”, era um CA e esse nome ainda pesa muito, mesmo sendo médica e convivendo com essa patologia bem de perto. Foi na minha família e na corrida, através das mensagens e torcida, que encontrei forças para lutar durante 02 anos de tratamento. Um grande companheiro, além de Clayton e Marquinhos, foi Marcel que se tornou um grande apoio diário. Afinal, nos dois meses que fiquei afastada, ele me mandava mensagens diárias de bom dia, esperança e fé. Assim me sentia cada vez mais forte. Lembro-me da corrida Sagrada de 2012 na qual as Poderosas correram comigo e juntas agradecemos o dom da vida. Muito emocionante aquele dia! Foi com essa idéia nobre que buscamos retribuir o carinho e atenção que Marcel nos dava, criando a corrida Amigos de Marcel que nos uniu ainda mais e com certeza será um elo para toda vida. Depois de 2 anos de cirurgia realizei meus exames de controle e quando recebi o resultado da cintilografia óssea NORMAL resolvi comemorar correndo a meia maratona de Buenos Aires 2014.Nos dois meses de treinamento mais intenso acordávamos cedo em busca de mais um sonho juntamente com os meus companheiros da meia Kaká e Carlinha, Edu além do apoio de Ana ,Bete ,Claudia T,Cláudia R,Déa ,Dore,Lari.Leiloca,Lia,Maria,Rebeca,Paty,Laura,Nêssa, mais nova integrante Mila e a nossa maior corredora e exemplo Renata .Chegou o grande dia ,cruzei a linha de chegada de mãos dadas com a minha primeira amiga na corrida e hoje minha comadre ,Kaká.Cumpri mais uma prova FELIZ ouvindo axé e cruzando a linda de chegada ouvindo a música Noite Traiçoeira . Hoje acordo e agradeço a DEUS o dom da vida e por ter oportunidade de compartilhar momentos tão especiais dentro da família Triação Feira. Acredito que além de buscar uma saúde melhor, corro para ser feliz, liberar endorfina, dar um exemplo de competição saudável e semear AMOR e HUMILDADE, sentimentos nobres no ser humano . Agradeço a todos por fazerem parte da minha caminhada , sem esse grupo ela certamente não teria o mesmo brilho! Cláudia Fernandes

Sinfonia do Equilíbrio !

O homem é essencialmente inquieto, fadado à busca, à descoberta, ao desafio. Quando a vida entra num compasso linear é hora de mudar a rota, alterar a trajetória, aventura-se e aceitar as incertezas do novo, pois o novo sempre vem. Aceitar o desafio de realizar uma Maratona, foi a oportunidade de alterar o diapasão da vida, nos permitindo conhecer novas notas musicais, novas melodias. Contudo, para correr em direção ao novo foi preciso passar por uma caminhada de treinamentos, numa tentativa de antecipar as etapas vindouras, construindo experiências, visando diminuir os impactos do desconhecido. Na verdade a arquitetura desse desafio mostrou-se complexa, com nuances diversas, variáveis incontáveis, surpresas no caminho, incógnitas e perguntas em aberto. Nem sempre estamos preparados para todos os traços que a vida nos apresenta, pois a engenharia da vida é multifacetada, com rostos diversos e encruzilhadas inquietantes. Enfim, após aceitar o novo, preparar-se para ele, é chegada a hora da apresentação, o dia do encontro, onde o incerto é o mais provável. Assim como a vida, a maratona mostra suas faces, retas e curvas, claro e escuro, plano e íngreme. Na imensidão dos 42km aprendemos que o limite entre o sorriso e o choro pode ser bastante tênue, aprendemos que as retas podem ser longas ou curtas e que ao final podem indicar à esquerda ou à direita, que precisamos entender o sobe e desce da vida, que devemos enfrentar os monstros do túnel escuro, pois ao final existe uma luz. A Maratona nos ensina a entender a solidão acompanhada como uma das dimensões da vida, que precisamos aceitar o peso dos carros sobre nossas cabeças. Aprendemos também que a serenidade e o equilíbrio são as grandes armas para a vitória e que devemos respeitar a sequência das notas musicais para não desafinarmos ao final. Aprendemos que é preciso afinar os instrumentos e escolher as músicas com antecedência, pois não existe espaço para improviso. Os vários sons e imagens que encontramos no caminho formam a grande sinfonia que nos motiva a seguir. Outro grande aprendizado que trazemos é que no caminho encontramos muitos monstros e anjos e é preciso dialogar com todos eles. Nos quilômetros finas a exaustão nos rouba a lucidez, e então desafinamos, confundimos as notas, mas não perdemos a direção, pois sabemos exatamente onde queremos chegar. E ao final, a mais poderosa das notas musicais se incorpora em nossa composição – o aplauso – do desconhecido e principalmente dos amigos, presentes e ausentes. E como maestros da corrida da vida, só nos resta cumprir nossa obrigação, dando contornos finais à sinfonia - cruzando a linha de chegada. Joseval Campos Corredor.

Eu corri a São Silvestre

Quando criança, ouvi muitas vezes o nome da portuguesa Rosa Mota, como a grande vencedora de uma corrida que acontecia na virada do ano, a São Silvestre. Achava aquilo uma maluquice. Tempos depois o nome que ficou gravado em minha memória foi o do queniano Paul Tergat, também associado à São Silvestre, nessa época já não achava maluquice. Até então nunca tinha sonhado em correr, meu esporte era futebol e ponto final. Há pouco mais de dez anos, porém, ingressei no mundo das corridas e mesmo assim nunca pensei em realizar o sonho de consumo de 9 entre 10 corredores: participar da São Silvestre. Vontade nunca faltou, oportunidade, sim. Na verdade sempre achei que passar o Réveillon na terra da garoa traria enormes inconvenientes: logística ruim, festa sem graça e correr numa época em que deveria estar descansando e comendo um monte de guloseimas. De repente, em outubro, num bate papo rápido com o amigo Marcos Oliveira e com o apoio de minha esposa, surge a ideia de correr no último dia do ano em São Paulo. Me tornei parte da maluquice! Pois bem, inscrição, hospedagem e passagens garantidas, só restava preparar-me para a prova. Durante um mês e meio inseri nos treinos pelo menos um aclive e nas últimas 3 semanas intensifiquei treinos de 10km e 12km com muitas subidas e descidas somente a partir da segunda metade de cada distância a ser percorrida. Isso por dois motivos: a) subir e descer depois de a musculatura estar bem aquecida; b) para simular ao máximo a São Silvestre, pois os aclives mais agudos ocorrem na altura do km 8 e nos últimos dois quilômetros. Isso tudo mediante orientação dos meus professores. Aproveitei também para insistir em treinos num horário mais tardio para sofrer mais com o calor, pois havia o risco de elevada temperatura em São Paulo. Além disso, pela primeira vez em 88 anos a corrida seria pela manhã, às 9h. Há duas semanas da São Silvestre corri uma prova em ritmo forte, a última etapa do Circuito das Estações Adidas - Verão, para ver como seria meu pace em Sampa, como terminei com 5'19', imaginei que poderia correr com tranquilidade num pace de 6’. Cheguei em São Paulo no sábado, antevéspera da corrida. Não precisei pegar o kit, pois Marcos Oliveira gentilmente o retirou em meu nome. O relato dos corredores é de que no primeiro dia de entrega as filas foram enormes, porém no dia seguinte foi bem tranquilo, segundo me informaram. E na segunda-feira, 31 de dezembro, finalmente saí do hotel na companhia do amigo Marcos Oliveira em direção à largada. Andamos bastante, pois apesar de nosso hotel estar situado numa via paralela à Av. Paulista, a interdição das ruas é muita rigorosa e precisamos andar bastante até encontrarmos o acesso à pista de corrida. E logo encontramos amigos da Triação. É muito bom encontrar gente conhecida numa terra estranha e com tanta gente esquisita! A largada foi dada ao som do tema de Carruagens de Fogo, nada mais piegas, mas que toca no coração de qualquer corredor. Entramos por um espaço no meio dos corredores e após quase 10 minutos cruzei a linha de largada. Estava participando da maior festa das corridas rústicas da América Latina. Logo na saída um mergulho e uma subida. Nesse momento a gente consegue ter um vislumbre do tamanho da serpente formada por corredores. Impossível não se emocionar. Os declives me deixaram bastante preocupado, pois nos treinos eu senti um leve incômodo nos joelhos quando realizava uma descida. E já no km 3 uma descida íngreme, onde fiquei sabendo, após a prova, que lamentavelmente um atleta cadeirante perdeu o controle de seu equipamento, acidentou-se e faleceu. A descida realmente é muito difícil, até mesmo para quem está correndo. Tentar manter um ritmo constante é muito complicado, pois a quantidade de pessoas é enorme e muita vez acontece de você ter uma parede de corredores lentos, quase caminhando à sua frente. Em determinado momento, numa série de curvas, quase tive de andar, tamanha a lentidão das pessoas. Poderia ter feito a prova muito mais rápido, mas não teria graça alguma. Acho que fiz toda a prova em fart leck, acelerando e reduzindo. Tentar 'fazer tempo' na São Silvestre é missão quase impossível, salvo se o corredor conseguir largar bem na frente, para não 'pegar trânsito'. Sinceramente: se for corrê-la, curta! Esqueça recorde pessoal! Não bastasse isso, o receio da tal da “Brigadeiro” nos dois últimos quilômetros era grande, pois a referência a essa subida era sempre precedida de algum adjetivo assustador, o que deixa os corredores que desconhecem o percurso com o “pé no freio”. Voltando à corrida, no km 8 tem um viaduto com dois aclives bastante acentuados, mas venci o trecho sem sofrer, mas ainda faltava quase metade da corrida. Depois mais alguns pequenos aclives e descidas, passamos pelo Viaduto do Chá e um quilômetro depois estava confrontando a temida 'subida da Brigadeiro'. O visual é incrível! Milhares de cabeças saltando, uma enorme serpente de corredores. Uma bela subida, mas que não é íngreme. Apesar de 2km de aclive constante, percorri a 'Brigadeiro' bem tranquilo. Achei a subida do km 8 muito mais dura. Ao término da “Brigadeiro” estou de volta à mítica Av. Paulista e a sensação é de glória e de dever cumprido. É também de renascimento, pois tive contusões ao longo dos últimos anos e tenho conseguido recuperar-me nos últimos meses. Mais emoção!!!! A São Silvestre não é um grande desafio, são apenas 15km, com duas fortes subidas, mas o que é estimulante é que se trata de uma prova para os “fominhas”, não tem “galerinha” das academias que corre por que é moda, não tem aquele monte de tendas dos clubes de corrida, nada de desfile de moda. E tem gente de todo Brasil, de todas as raças, castas, credos, crenças, cores, sexos, tênis caro, barato e sem tênis. E tem japonês, chinês, coreano, boliviano, argentino, peruano, angolano, queniano, etíope etc. E tem Drag Queen, surfista, noiva, cangaceiro, torcedores de todos os times do Brasil e muito mais. A São Silvestre não é mais uma corrida. É um evento tipicamente brasileiro, realizado na cidade com a maior miscelânea de gente da América Latina. Correr a São Silvestre é a maior homenagem que um corredor pode fazer a si mesmo. Feliz Corridas em 2013! Augusto Cruz (Guga)

Maratona de Blumenau!

‘Um grande sacrifício é fácil. Os pequenos sacrifícios contínuos custam muito’ – Goethe. O planeta Terra gira, gira e se aproxima. Pressiono delicadamente com o indicador a tecla do computador e o azul profundo do oceano me paralisa. De novo, o planeta gira suavemente e para na América do Sul. Um verde-água, distante e pontilhado por uma linha amarela de fronteiras. Ah, este planeta esgarçado e agredido por seus próprios habitantes! Mais uma vez, pressiono o teclado e agora uma nuvem diáfana me embaça a visão. Me faz flutuar. Com leves toques automáticos, atravesso a nuvem e vejo com alegria o vale do Itajaí. O Google Earth é infalível! Uma mancha ocre e, por vezes clara, serpenteia vales e montanhas de um verde-escuro marcante: o rio Itajaí-Açu. Surgem finalmente as indicações de cidades: Navegantes, Blumenau, Gaspar, Itajaí... E é neste vale de cidades belíssimas aonde vim correr a Maratona de Blumenau. Esta antiga e bem conceituada maratona, sempre mencionada como a mais charmosa e veloz do Brasil. Agora em sua vigésima quarta edição, depois de cinco anos de descontinuidade, retorna com um novo organizador. Isto na realidade é motivo de certa apreensão. Na madrugada do domingo, depois do café da manhã, ainda bem escuro, partimos nós, os corredores, em direção à Prefeitura de Blumenau onde se concentram os ônibus que nos levarão à largada. Inicialmente programada para largar em Itajaí, houve uma pequena mudança de última hora para Ilhota, à beira da Rodovia Jorge Lacerda. Enquanto caminhávamos através da Rua XV de Novembro, no centro de Blumenau, vi bem longe, apesar de noite ainda cerrada, um grupo de maratonistas com vários amigos de inúmeros estados. Apressei o passo e os alcancei antes de embarcarmos nos ônibus. Com imensa alegria reencontrei o meu amigo japonês Shibata de Vitória. Bom companheiro da ultramaratona Comrades, lá na África do Sul. Já bem instalado no ônibus, voltamos a lembrar com nostalgia da Comrades (menos ele, pois tem repetido a dose todos os anos, como uma penitência. Incrível!). Ele também me conta que participou de várias edições desta maratona de Blumenau. Era uma excelente maratona – ele continuar. Tinha o café da manhã, o jantar de massas, as festividades todas. O Raul Cardozo, um empresário aqui de Blumenau era quem organizava tudo. Um apaixonado por maratonas. Organizou a maratona durante vinte e um anos consecutivos. Até que há cinco decidiu cancelar repentinamente, depois que o prefeito da época desautorizou a maratona pela rodovia, para não atrapalhar a movimentação dos convidados do casamento da filha. E ele então, a conselho da esposa, decidiu abandonar definitivamente a organização da maratona e dedicar exclusivamente à vida empresarial. Shibata me conta isto com certa tristeza enquanto o ônibus vence os 42 km até a largada. Chegamos à largada ainda noite, pois está programada às 06h30min, a largada. Antes disso, temos um café da manhã simples, bem rural, em uma mesa longa à beira da estrada. E, como de praxe, a fila do banheiro, o leve aquecimento. O frio é intenso, mas suportável, em torno de quatorze graus, muito acima de tempos atrás. E largamos num clima de total descontração, já que lembrava uma grande família de maratonistas, quase todos conhecidos, amigos, companheiros. Amizade forjada durante anos de maratonas juntos. Já com o dia claro, deslizamos pela estrada passando por fazendas, ladeando o rio Itajaí-Açu e paisagens estonteantes. Entramos em Gaspar, pequena cidade no vale do Itajaí colonizada por europeus, principalmente alemães no século XIX. É um estímulo a mais entrar e sair em cidade tão bonita. E continuamos através da rodovia com um vento sul frio e reconfortante. Até que aproximamos de Blumenau. Agora já com sol aberto e forte. Temperatura elevada para ainda dias de inverno. Finalmente, entramos na periferia de Blumenau. Esta cidade cortada literalmente pelo potente rio Itajaí-Açu. Esta cidade fundada pelo alemão Dr. Hermann Blumenau em 1850, que estimulou a vinda em massa dos alemães nos anos seguintes. Famosa pelo Oktoberfest como atração turística maior. E mais famosa ainda por em muito manter as tradições germânicas. E o estigma de ter apoiado o nazi-fascismo durante a Segunda Guerra Mundial. Quando piso no tapete vermelho da linha chegada, na rua XV de Novembro, bem em frente à catedral São Paulo Apóstolo, eu me lembro dos índios pejorativamente chamados de Bugres – (e dedico esta minha 59ª. maratona a eles), verdadeiros donos destas terras valiosas, e que foram quase totalmente dizimados há mais de um século!

Amsterdam! Acordei do sonho...

Acordei do sonho... Decidi que vou correr, vou correr muito. O desafio a vencer é duro, então devo treinar. Começo correndo comigo mesmo, uma longa corrida de autoconhecimento, sem músicas ou qualquer outro artifício que me faça perder a concentração. Preciso conhecer os limites do meu corpo e da minha mente, afinal para vencer o desafio precisarei ultrapassá-los dia a dia. Sei que terei de fazer escolhas, abdicar de sextas-feiras, reduzir as vinhotas... Mas sei também que valerá a pena. Sigo correndo e cada vez chegando mais longe, mas agora com um grande companheiro. Meu companheiro é a disciplina-determinação e, se estas palavras têm sinônimo, este se chama Rodolfo Góes. Rodolfo me acompanhará nos trechos mais longos, mais duros. Juntos, vamos enfrentar muita chuva e muito vento, muito sol e muito calor, superar limites, até da dor. Alguns acidentes de percurso virão, vamos bater em lixeiras presas em postes(risos), fazer paradas técnicas em sanitários pelo caminho (meu companheiro não pode ver uma Perini...rs), tomar carreiras de cachorros de rua, enfim, vamos continuar correndo... Essa corrida será especial, contagiará a muitos, a toda a família e amigos, mas essencialmente aos meus quatros grandes amores: Flávia, Malu, Lucca e Victor. Eles se revelarão grandes incentivadores e participarão desta corrida incansavelmente. Meu muito obrigado a eles. Não conseguiria continuar correndo sem o apoio incansável da Família Triação; enquanto uns estão sempre prontos pra me exigir foco no treinamento, outros são o apoio infindável para não me faltar água, repositor energético e gás para continuar. Valeu a força, Diogo, Paulinho, Vinicius, Zeicon e todo o Grupo Triação!! Nesta corrida ganhei amigos especiais, sem os quais vencer o desafio talvez não fosse possível. Assim não posso deixar de agradecer a Natália Carvalho(sem esquecer da Maskavo, onde sempre encontro os suplementos necessários para esta carga pesada de treinamentos), Clarinha, Guto Coutinho, Marco André (o grande oráculo das palavras positivas), Jether, Denilson, Mauro Tavares, Daniel, Claudia, Fernando Muñoz, André Bregion, Alvaro Pataro, enfim, todos os integrantes da Família Triação, que volta e meia me honraram com a companhia nas pistas. Devo fazer uma menção especial a uma fisioterapeuta retada que me ajuda sempre a colocar a ‘carcaça’ em ordem... Beijão, Cibele Paranhos!!! Por fim agradeço a DEUS por ter me permitido viver tudo isso e sair vitorioso!!! Chego na reta final e até aqui foram 1.039,10Km!!! Parece muito, mas no fundo falta pouco. Já corri muito mais do que falta e sei o que tenho que fazer. Já imaginei a largada e sonhei com a chegada, umas mil vezes!!! Existem conquistas que valem para a vida inteira. Esta certamente será um delas. O que vai ficar não é só uma medalha para enfeitar a estante ou uma camiseta de recordação. É muito mais do que isso, é o orgulho de vencer o desafio e que desafio. Só faltam 42 quilômetros... acordei! Acordei do sonho: Sou um M-A-R-A-T-O-N-I-S-T-A!!!!!!!!!!!!!!!!! Marcus Villa!

Maratona de Berlim - Por Andrea Rocha!

‘É melhor viver dez anos a mil, do que mil anos a dez’ (Lobão – Decadence)... Acho que é mais ou menos isso que sentimos quando fazemos uma maratona! Foram seis longos meses de treinamento... Longos, por que parecia que nunca iam acabar, acordando 4:30 da madrugada aos sábados. Eu, particularmente, acordava com um pouco de mau humor sempre me perguntando: para que eu inventei isso, meu Deus????? Mas, vamos lá! Quando chegávamos no Yacht, acabava o sono, e vinha o despertar da corrida movida de muito bate-papo e risadas mil... Ao longo dos treinos, várias fotos postadas no facebook, no maior ‘esquente’, de repente surgiu a famosa ‘TROPA DO BATOM’! Este foi o apelido que o nosso amigo Almir nos deu, uma turma de dez loucas mulheres que saíam aos sábados (antes mesmo de clarear) para correr pelas ruas de Salvador...Mas, valeu !!! Essa tropa continua unida até hoje, todos os dias nos falamos pelo WHATSAPP, um aplicativo do iphone onde mandamos mensagens de graça. Até saímos no jornal Correio da Bahia !!!! Muito legal fazer parte dessa tropa. Obrigada Lica, Mila, Jó, Marcinha, Kitchuka, Deli, Paulete, Martinha e Jú pela força, pela amizade que foi construída, pelo carinho de todas vocês; minhas amigas ‘crocós’. Isso, realmente, fez muita diferença p/ mim. Pois, se não fosse a tropa, talvez nem teria pensado em fazer outra maratona. A minha primeira maratona foi de Buenos Aires em 2009. Grande prova ! Mas, já estava praticamente decidida a não fazer outra, tenho rotura de menisco, fui desenganada por médico ortopedista: - Maratona, antes de uma cirurgia? Esqueça! Pois é, consegui mais uma sem cirurgia !!!! rsrsrs. Mas, o que me fez mudar de ideia?? Nem eu sei, cheguei de viagem em Janeiro, e aí as meninas, que já estavam inscritas, fizeram minha cabeça: - Vamos Déa!!!! Sou fraca mesmo! kkk. Ok, inscrição efetuada, treinos sendo cumpridos, viagem garantida, de repente, faltando mais ou menos 30 dias p/ prova meu marido me diz que não mais poderia viajar por conta de assuntos do trabalho...fiquei numa deprê total, tristeza profunda, chorei, fiz muita mal criação...sabia que não iria sozinha! E, quando já tinha diminuído bastante o volume nos treinos, já estava conformada, tive a boa notícia que daria p/ viajarmos! Pois é, entre idas e não idas, lá vou eu correr em Berlim...Boa prova, emocionante, vibrante, 40.000 atletas, as ruas lotadas de pessoas que parecem estar ali a sua espera. Muito emocionante foi ouvir a música “Poeira” de Ivete Sangalo tocar na largada. Clima da Bahia !!!! Passar pelo portão de Brandenburgo correndo é uma sensação indescritível... Obrigada meu grande Deus, por ter me dado essa oportunidade! Que mulher feliz sou eu; família linda, saúde, trabalho, e ainda sou maratonista! Só me resta brindar a vida! Obrigada meu marido, sei que você fez de tudo para me acompanhar. Quero estar com você até o último dia da minha vida... Obrigada minhas filhas, por existirem, vocês são a razão do meu viver...Como penso em vocês quando estou correndo!!! Paulinho e Diogo, sem a competência de vocês não teria corrido tão bem. “Bem” por que não cheguei exausta depois de correr quatro horas e onze minutos...A Triação, realmente, faz toda diferença !!!!Parabéns pelos treinos, hidratação bem feita, apoio, e amizade. Esse grupo é uma família! Mestre, você é o cara !!!!!! Não podia esquecer de Vítor, meu personal trainner, que me ajudou bastante com os treinamentos da musculação. Graças a seu trabalho dedicado, corrí sem sentir dor no joelho. Uma missão quase impossível! Mas, e os 42 km ???? Esses foram tooodos dedicados a minha amiga eterna Lucinha, que se foi deixando um buraco imenso no meu coração...Onde quer que você esteja, essa maratona foi sua!!!!! Não houve um treino sequer que não me lembrasse dela...ainda sinto muita falta da sua companhia! Oh meu Deus, porque me destes tão pouco tempo de convivência com essa pessoa?? São coisas inexplicáveis da vida, não é mesmo? Fico por aqui, pois lágrimas já chegam nos meus olhos... Bjs a todos; Andréa Rocha.

Meus 42 km - Por Renata Batista!

Essa foi a minha segunda maratona! A primeira foi em 2009, apesar do treinamento, terminei me empolgando muito na primeira metade, ao pegar a subida de quase 2 km no 27º km, acabei quebrando um pouco e depois não conseguir recuperar o ritmo! Percorri então os 13 km restantes sentindo muita dor muscular, cãimbra e cansaço! Meu corpo pedia para parar, mas em nenhum momento a mente permitiu... Terminei a prova com um tempo de 04:02:51.. Fiquei muito feliz com o resultado, e dizendo que jamais faria outra corrida desse tipo! A impressão que dá é que, com o passar do tempo, você vai esquecendo a dor, ficando na memória toda sensação de vitória, prazer e êxtase que senti no final da prova, então comecei a pensar em fazer outra! No ano de 2010, resolvi fazer a maratona de Porto Alegre, porém, 45 dias antes da prova, já fazendo longos de 28 km, me machuquei! Tentei ainda fazer fisioterapia com medicação, fiz exames, mas o médico me deu uma triste notícia! Que eu precisava de mais repouso para a cura, então fui obrigada a abortar essa corrida! Muitas vezes fiquei triste e até chorei só de imaginar em nunca mais voltar a correr! Naturalmente me afastei um pouco dos meus amigos corredores... Quando eu passava e via alguém correndo, batia uma ‘inveja boa’, uma vontade de descer do carro e sair correndo! Na realidade eu sabia que tudo aquilo estava sendo necessário, nada vem por acaso, necessitava de trabalhar o tal sentimento de ‘paciência’, apenas era uma questão de TEMPO! E quando entendi a lição, me acalmei e esperei, respeitando o tempo necessário para que eu ficasse curada da lesão. O primeiro dia de trote pós-recuperação foi uma delícia, sentia o vento frio batendo no meu rosto... Sabe quando você é criança, e anda de bicicleta pela primeira vez sem as rodinhas laterais?! Passei o segundo semestre do ano passado fazendo corridas de 10 km, e no final do ano vi que além de curada da lesão, o psicológico também estava curado e fortalecido! Foi ai que começou a bater a vontade de fazer outra maratona, resolvi que faria pela segunda vez a maratona do Rio, e novamente enfrentaria a danada da subida que me quebrou em 2009, e fui mais longe, desejei baixar meu tempo de 4 horas, ou seja, se conseguisse essa façanha, viraria uma MARATONISTA FELIZ SUB 4! Em fevereiro desse ano comecei a treinar! No início, saíamos todos correndo juntos, mas logo fiquei distante do grupo, já que apenas eu, Guy e Julcemar iríamos fazer a maratona, e o treinamento era muito diferente da maioria! Jorge era o meu parceiro de corrida, apesar dele ter outro objetivo na corrida, a gente sempre marcava aos sábados para treinarmos juntos, pois o nosso ritmo era bem parecido! À medida que os ‘longuinhos’ foram crescendo, a cada sábado, o horário de saída ia ficando 10 minutos mais cedo, pois aumentávamos uma média de 2 km/semana/longo! E os longuinhos passaram a ser looooooooooooongos... O corpo já mais adaptado ao ritmo já não reclamava, ao contrário, chegava quinta à noite, e o pensamento era na corrida de sábado! De tanto eu chamar Jorge para fazer a maratona, ele se rendeu e resolveu ir também! Houve dias que saíamos para treinar às 4:30 h da madrugada, enquanto muitos ainda estavam em baladas, uma mulher dirigia o carro na contra mão, outros já voltando para casa ‘quase normal’, e ainda ouvíamos piadinhas do tipo: ‘Vai loucos!’ ,’malucos!’, ‘não tem coisa melhor para fazer não?!’... E eu pensava comigo, será que os loucos somos nós, apaixonados pela corrida e em busca de sensações que apenas nos fazem sentirmos felizes e o coração gritando o ‘muito obrigado’?! Porque será que incomodamos tanto? Apenas porque temos objetivos?! Porque somos determinados e disciplinados para seguirmos uma rotina de treino pesado?! Porque somos a minoria diante da maioria?! Porque conseguimos eliminar alguns quilinhos extra ‘facilmente’?! Porque a felicidade do outro incomoda?! Porque acordamos nas madrugadas, onde lá apenas existe você e só você?! Porque abandonamos a cama quentinha, com chuva, com frio, escuridão, literalmente noite... Quando a maioria naquele momento ainda dorme, ‘apenas’ para seguir uma planilha de treino?! Será que os ‘não loucos’ são aqueles que se drogam nas noites, bebem demais, brigam demais, atropelam demais...?! E os treinos seguiram assim, fiz tudo o que foi determinado pelos professores, alimentação e hidratação fracionada durante o dia, alongamento pós-treino, descanso, etc. Na vida social, minha única restrição foi dormir cedo na sexta feira, já que os longos eram aos sábados! ... agora só faltam 42k... E o grande dia chegou... Agora só faltam 42 km! Acordei muito tranquila, me arrumei e me alimentei! Ao contrário do que havia feito durante todo o meu treinamento, antes de sair para correr, comi um macarrão alho e olho, com azeite de oliva! Na ida para a corrida senti um frio na barriga, e um ‘filme’ se passou por alguns instantes na minha cabeça! Sabia que estava ali com um propósito, mas acima de tudo eu já estava muito feliz... Naquele momento, trabalhei minha mente para que o equilíbrio entre emoção e razão fosse constante, e que eu pudesse fazer tudo aquilo que teria sido programado e treinado para meu corpo/mente! Eu correria com um pace entre 5:29 e 5:39, conforme o Professor Cleiton definiu em função de todo o treinamento! Chegando ao Recreio dos Bandeirantes, lugar da largada, fui pegar uma fila para fazer xixi, e ao retornar a corrida já havia iniciado! Achei até melhor, já que o tumulto seria menor na saída! Julcemar e Guy largaram com todo mundo, mas Jorge me esperou e largamos juntos. Fomos por uns 2 km lado a lado, depois nos distanciamos e seguimos nossos destinos! Estava em um verdadeiro momento de ‘transe’, só mesmo alguém que já correu uma maratona, talvez pudesse entender aquela sensação indescritível que sentimos naqueles últimos 42k! A corrida foi extremamente confortável! Corri o tempo todo com um pace médio de 5:35, e mesmo a partir dos tais 33 km, ponto crítico de todo maratonista (com exceção dos profissionais), quando acontece uma queda brusca no rendimento, eu estava extremamente consciente e confortável, curtindo os aplausos de todos que estavam a beira das calçadas com máquinas fotográficas e cartazes, torcendo por alguém em especial! Apesar de não conhecê-las, senti por todas elas um forte parentesco, porque todas estavam torcendo também por mim! Aquelas pessoas olhavam nos meus olhos e para os meus movimentos, e gritavam: ‘vai’, ‘você consegui’, ‘força’, ‘parabéns’, ‘vamos lá, faltam pouco metros’, ‘você já é uma campeã’! Porém não posso deixar de registrar um episódio que aconteceu comigo lá pelos 24 km... Uma dor de barriga! Não dei muito atenção, aquilo nunca tinha acontecido comigo em nenhuma corrida, então pensei: ‘foi o tal macarrão’, e mais forte ela se tornou, o corpo começou a arrepiar e vi a coisa ficar feia! Em questão de segundos eu pensei: ‘Tenho duas alternativas, ou abandono a corrida e procuro um sanitário público ou eu ‘me borro toda’ e continuo a corrida’! De repente, avistei três pessoas que trabalhavam na prova, e perguntei onde havia um sanitário químico. Para minha sorte, um deles apontou dizendo: ‘ali’, e a uns 15 metros do meu lado direito, tinha uma placa avisando que eu já havia percorrido exatamente 25 km e um banheiro químico ao lado, então, depois de resolver aquele pequeno problema, olhei para o relógio e vi que tinha perdido mais ou menos 3 minutos, e que dali para a tal bendita ladeira faltavam 2 km! Como havia programado reduzir o ritmo uns 2 a 3 km antes da subida para poupar energia e subi-la com uma velocidade constante, pensei: ‘essa dor de barriga veio mesmo na hora certa’, nesse momento, entendi que nada acontece por acaso, apenas precisamos perceber no momento certo a atitude que devemos ter, caso as coisas fujam daquilo que havia sido programado! E acho que naquele instante tive essa intuição, mesmo sem ter percebido claramente, a atitude que tomei foi exatamente a única que me faria continuar ‘correndo’ atrás do objetivo que desejei conquistar! Ao cruzar a linha de chegada, caminhei por alguns metros... Depois parei... Apoiei as mãos nas pernas e chorei sem parar por aproximadamente 5 minutos! Choro alto, choro de desabafo, de felicidade, de alegria, de conquista, de vitória, de vencer, ali, naquele momento eu me senti a pessoa mais feliz do mundo! Quando olhei o garmin, o corpo transbordava de arrepios, e eu pensei: ‘AGORA EU SOU UMA MARATONISTA FELIZ SUB 4’! Algumas pessoas passavam, batiam a mão no meu ombro e me parabenizavam... Não mais aquelas que torciam por mim, mas pessoas que sentiam exatamente o que eu estava sentido naquele momento! Para aqueles que não conseguem entender porque ‘corremos tanto’, e para aqueles corredores apaixonados pela sensação do êxtase que a corrida nos proporciona, gostaria de deixar uma lição que aprendi: ‘depois de percorrer exatamente o que foi planejado, você descobre que o grande desafio dos 42 km não se resume apenas no tempo que você programou completar, mais importante do que o tempo, é a corrida interna que se revela dentro de si, onde você consegue superar os medos, enfrentar os desafios, entende que é capaz de superar as dificuldades que surgem durante o percurso de sua vida... A descoberta de si mesmo’! Gostaria de dividir toda minhas satisfação e alegria com pessoas especiais, que conheceram, participaram, e acompanharam minha trajetória para que eu pudesse me tornar uma pessoa melhor depois de cruzar a linha de chegada. Gostaria de passar para minha Lua, filha amada, todos os ensinamentos que a corrida me proporciona, disciplina, determinação, companheirismo... E principalmente a coragem de enfrentar as adversidades que surgem na nossa vida! A toda minha família, que durante a prova foi fonte de inspiração para mim! Ao namorado, Samy, que esteve nos momentos que mais precisei, sua paciência me acalmava e me fortalecia! Você foi peça fundamental meu personal-bike, porque nos acompanhou nos longos, de bicicleta, nos dando força nas subidas, pedalando lado a lado com nossas passadas, no silêncio da noite, apenas ouvindo nossa respiração e cansaço, nos hidratando... Ao meu personal-run, Cleiton, que foi extremamente atencioso e criterioso nos planilhas, programando tudo na medida certa, você ‘acertou’ na mosca! Agradecer ao personal-peso, Marcel, você realmente ganhou minha confiança e respeito, pelo seu profissionalismo, amizade e torcedor de carteirinha, fortaleceu meu corpo para que ele resistisse ao cansaço da corrida, e sei que estive muitas vezes em suas orações! Aos meus amigos maratonistas que treinaram comigo, Guy, Julcemar e Jorge, e que compreendem todo esse meu desabafo, sabemos que essa não foi à última! Aos meus amigos corredores, TODOS, - não citarei nomes para evitar o risco de esquecer alguém - sei que quando passávamos na tenda, lá pelos vinte e tantos quilômetros, vocês torciam por nós, paravam o que estavam fazendo apenas para olhar com admiração a passagem dos maratonistas, sei que fomos fontes de inspiração e em 2012 nosso grupo estará maior! Obrigada por vocês serem os melhores amigos corredores que já tive! Agradecer também a Érico, fisioterapeuta-corredor que se dedicou pela cura da lesão, me deu força no momento que mais precisei e me ensinou a importância do alongamento para evitar lesões! Tia Lacy, torcedora nº 1, obrigada por ter nos acolhido com tantos mimos e carinho na sua casa, o seu grito de fã incondicional me incentivou a seguir, e hoje, sei que minha alma é carioca! Agradeço a DEUS, por ter me dado tanta saúde, e tanta força!

Maratona de Paris por Almir Benevildes!

Voltar à França onze anos depois de ter conhecido um dos países mais charmosos do mundo, foi para mim motivo de grande emoção, pois dessa vez eu iria correr a 35ª Maratona de Paris, um dos eventos esportivos mais importantes do planeta e que contaria com a participação de 40.000 atletas de várias partes do mundo. Era a minha segunda maratona, já tinha realizado em junho do ano passado (2010), na cidade do Rio de Janeiro, a minha estréia nos 42 Km. Porém, correr uma maratona fora do meu país, era motivo de muito orgulho, pois eu sabia que a minha responsabilidade tinha aumentado e eu não poderia decepcionar tantos amigos que torciam por mim. Cheguei em Paris 3 dias antes do grande desafio, acompanhado do meu filho e fisioterapeuta Vinícius Carvalho, que foi o meu descobridor para o mundo das corridas e que teve uma participação muito importante na minha preparação, permitindo que eu pudesse suportar todo o treinamento sem nenhuma lesão. Outros companheiros de corrida também estavam chegando na ‘Cidade Luz’ e todos nós estávamos confiantes que venceríamos aquela distância, cada um dentro de sua condição física. Exatamente no dia 10 de abril de 2011, quando fomos para a largada da maratona, na Champ Elisée, éramos só emoção. Nunca tínhamos visto nada igual. Aquilo não era uma simples corrida. Nós estávamos participando de uma festa simplesmente fantástica. Pessoas de várias partes do mundo cantavam, sorriam e até choravam. Todos nós agradecíamos a Deus por poder fazer parte daquela emoção coletiva. Nós prevíamos que a temperatura ficasse em torno dos 5ºC, porém, para a nossa surpresa, a temperatura chegou aos 26ºC. O ar seco, com certeza, também iria prejudicar muitos corredores que não se prepararam adequadamente. Ao iniciar a prova, comecei a ver que o povo francês e várias crianças ficavam vibrando e torcendo para cada um de nós que corríamos. Em alguns pontos do percurso, bandinhas de música e até pequenas orquestras tocavam nos apoiando. Passamos por muitos pontos interessantes desde a nossa largada no Arco do Triunfo, seguindo por um percurso previamente traçado, onde víamos prédios centenários, comércio local (rua Rivoli), Rio Senna, Torre Eifel, Parques e Jardins belíssimos etc., porém o que mais me emocionou foram as crianças que, com a simplicidade que só elas possuem, ficavam com as mãozinhas suspensas para que nós tocássemos. Algumas delas nos ofereciam doces e chocolates. Ao passar por uma garota de aproximadamente 6 anos que estava com um doce na mão para entregar a um dos corredores, olhei, mesmo à distância, que ninguém pegava aquela oferta. Resolvi ao me aproximar, aceitar o doce e, mesmo correndo rápido, olhei para trás e vi que ela acenava para mim sorrindo e batendo palmas como se tivesse ganho um prêmio. Naquele momento o meu coração bateu mais forte, pois eu estava ali escrevendo uma nova página da minha vida de homem e esportista. Passei por vários postos de hidratação e em alguns nem consegui pegar a minha garrafinha de água. Percebi que o ar seco e a temperatura em elevação, iria ‘quebrar’ vários corredores. Eu que vinha num ritmo forte e até surpreendente para mim, tive que, a partir do Km 30, diminuir a minha velocidade na corrida, pois percebi que a minha deficiência na hidratação, devido ao tumulto de muitos corredores nos postos de distribuição de água, começava a me prejudicar. Sendo assim, notei que o melhor seria diminuir o meu ritmo para que pudesse chegar ao final dos 42Km correndo com a saúde preservada, o que de fato aconteceu. Ao cruzar a linha de chegada com o tempo líquido de 04h:55m:33s, verifiquei no meu Garmin que tinha batido o meu recorde pessoal, mas não estava satisfeito, pois queria ter baixado ainda mais esse tempo e não tinha conseguido. Foi quando encontro os meus amigos de equipe que vibravam muito e também venceram os 42.195 metros. Eles perguntavam para mim se eu tinha consciência do que acabara de fazer. Foi aí que ‘a ficha caiu’, pois aquele dia era tão especial para mim que eu nunca mais esqueceria. Correr uma maratona requer muita disciplina e dedicação ao extremo. Nos treinos mais difíceis, nunca tive dúvida que conseguiria, mas é um projeto que você cria e ele só é vitorioso, como foi o meu, por existir pessoas especiais em sua vida que te dão força e não deixam que nada te abale. Isso aconteceu em várias vezes comigo. Por isso, eu gostaria de agradecer ao meu treinador Diogo Andrade, meus filhos Vitor e Vinícius Carvalho, a maratonista e grande amiga Albertina Bilitário, ao ultramaratonista Ney Cayres, as amigas Sandra Teschner, Graça Valadares, Cristiana Almeida, aos alunos e professores do meu clube de corrida Triação e meus companheiros de equipe que eu tive a honra de integrar: Paulo Bahia, Marco André, Valdeck Ribeiro, Pacífico Rocha, Chiquinho Sales, Arari Mafra, Danilo Laborda, Fidelcino Sampaio, que me acompanharam e me deram força ao meu projeto vitorioso. A minha homenagem especial vai para uma estrela que brilhou no céu de Paris, nos iluminando e nos incentivando com a sua grandeza, a saudosa maratonista e amiga Lucinha Lima, pessoa que todos nós admirávamos e que sempre estará presente em nossas vidas. Até a próxima e um forte abraço a todos vocês. Almir Benevides. *Almir Benevides é administrador de empresas e consultor de seguros, faixa-preta em Karatê e maratonista do Clube Triação (Salvador/Bahia).

Relato de Pacifico, de como está sendo sua preparação para primeira Maratona, Paris!

Maratona de Paris 2011 – Treinos - Cansaço, euforia e sensação de dever cumprido. Acabava de fazer o treino longo de 33 km... Tudo começou há seis meses quando me inscrevi para a Maratona de Paris. Na época, correr esta distância era inimaginável para mim. Ao comunicar minha decisão a Diogo, ele logo me disse: ‘É preciso consultar uma nutricionista e fazer musculação, além de alongamento e dedicação aos treinos. Você tem personal?’ Eu respondi que não tinha e pedi a ele que me indicasse alguém. Neste tempo, eu estava sentindo uma dor muito forte nos tendões de aquiles dos dois pés. Não conseguia nem andar sem sentir dor. Os treinos eram extremamente sofridos e ao final estava com os tendões latejando. Marquei consulta com a nutricionista Andréa Burgos e continuei seguindo o treinamento de manutenção durante os meses de outubro, novembro e dezembro, sempre sentindo muita dor nos tendões. No início de dezembro, Diogo me disse que ele mesmo iria ser meu personal na musculação. Combinamos o início para janeiro. Nesta data também se iniciariam os treinos específicos para a maratona e foi quando encarei mais seriamente o plano alimentar traçado por Andréa. No dia 03 de janeiro de 2011 fiz minha primeira sessão de musculação na Academia Tony Granjo. No dia seguinte, estava todo quebrado e quase não consegui fazer o treino da quarta-feira no Farol da Barra. Eu tinha sérias dúvidas de que conseguiria vencer as dores nos tendões. Eis que, com duas semanas, como por milagre, as dores foram diminuindo e, agora, quase ao final do treinamento, não sinto absolutamente mais nada. Diogo me explicou: ‘É necessário equilibrar as musculaturas anterior e posterior e importantíssimo alongar toda a cadeia posterior, pois a corrida provoca o seu encurtamento’. Eu segui as recomendações de Diogo e Andréa à risca e tudo está correndo muito bem. Os treinos consistem em duas sessões semanais de musculação (terças e quintas), treinos de corridas às segundas-feiras com distâncias entre 8 e 13 quilômetros com um pace mais baixo do que o ritmo de corrida (em geral 5'30” por km); às quartas-feiras com tiros, os regenerativos às sextas-feiras ou domingos e os longos, que merecem um relato à parte. OS LONGOS - Os longões constituem a parte mais sofrida e também a mais prazerosa do treinamento para a maratona. Fiz, até agora, dez treinos longos nos meses de janeiro, fevereiro e março de 2011. O maior de todos foi o de 33 km, que fiz na última sexta-feira (11/03/2011). Faltam dois, mas com distâncias menores. Uma pequena resenha de cada um deles: 1 - Sábado, 8/01/11 - 13 km. Corri com Cecília, minha irmã, no Dique do Tororó. Estava sentindo dores nos tendões e nas panturrilhas. 2 - Sábado, 15/01/11- 15 km. Foi o único longo que fiz só. Tinha dormido tarde na sexta e só comecei às 19h17. Saí da Graça, onde moro, fui pela Vitória e fiquei dando voltas no Campo Grande até completar a distância. 3 - Sábado, 22/01/11 - 17 km. Corri em Pituaçu com Marco André. O treino dele era de 18 km e terminei fazendo um quilômetro a mais do que estava previsto para mim. Senti bastante a parte muscular e tendões. O terreno é bem acidentado e com muitas subidas e descidas. Como Marco diz: ‘Em Pituaçu tenho a sensação de que treinei realmente’. A partir deste treino, corri todos os demais na companhia de Marco André. Realmente correr com ele é um incentivo a mais. Sempre com palavras de motivação e com estórias engraçadas e, por vezes, malucas, que fazem com que as horas passem sem que percebamos. 4 - Sexta-feira, 28/01/11 - 19 km. A partir deste treino, passei a fazer os longos nas sextas à noite, sempre partindo do ‘marco zero’, que fica no Jardim dos Namorados, em frente ao Habibs. Marco André me pegou por volta das 17h15 e encontramos com Chiquinho (Francisco Salles, a quem Marquinho chama de ‘Destemido’). Fomos até quase a sereia de Itapuã. Chiquinho queria ir mais, porém eu e Marco André estávamos receosos, pois tínhamos corrido pela manhã. No Km 20,3, parei e comecei a andar, já que meu treino era só de 19 km. 5 - Sexta-feira, 4/02/11 – 23 km. Corri com Marco André, Chiquinho e Milton Melo. Saímos do Jardim dos Namorados e fomos até as barracas da sereia de Itapuã. Marco André puxou o ritmo da volta, aumentando a distância e chegando mais de um minuto na frente. Acompanhei Chiquinho e encontramos Milton e Marquinho na barraca que vende coco, no ‘marco zero’. 6 - Sexta-feira, 11/02/11 – 26 km. Início 18h19min. Peguei Marco André em casa, atrasado, porque estava muito engarrafado. Encontramos Chiquinho no Jardim dos Namorados. Corremos 3,5 km em direção a Amaralina (até pouco depois da entrada do quartel) e voltamos. Em seguida, corremos em direção a Itapuã e voltamos para completar o treino. Encontramos com Oscarzinho nas Baianas de Acarajé e ele nos acompanhou durante um certo tempo. Marco André vinha puxando o ritmo. 7 - Sexta-feira, 18/02/11 - 28 km. Neste treino, tivemos a satisfação da companhia de Valdeck, cujo treino era de 20 quilômetros, mas acabou fazendo 21. Valdeck, com sua elegância natural, participaria de todos os demais treinos. 8 - Sexta-feira, 25/02/11-23 km. Corremos com Chiquinho, Valdeck, Danilo Laborda, Peter Wolf e o hidratador (Fábio) que nos acompanhou de bicicleta. Só consegui completar 23 quilômetros, embora a planilha marcasse 30 km. Marco André também parou antes, pois estava gripado. Danilo disparou na frente e ninguém pegou mais (pace de 5' e pouco mais de 30’ por km). 9 - Sexta-feira, 4/03/11-25 km- Correram com a gente, Ney Caires, Almir Benevides, Valdeck e, durante certo tempo, Oscar. Estava muito quente e ventando bastante. O treino previsto era de 33 km, mas só conseguimos fazer 25 km. Ney fez 20 km, compartilhando com cada um de nós a sabedoria e experiência de quem já correu 44 maratonas e algumas ultramaratonas. Almir ia divertindo a todos com sua interminável lista de rituais, dentre os quais, a imersão em tonel de gelo após os treinos. Nesta altura, eu estava ficando preocupado, pois não estava conseguindo cumprir os treinos previstos. Falei com Diogo e ele só disse: ‘Relaxe... e vamos em frente’. 10- Sexta-feira, 11/03/2011 - 33 km. Tivemos o privilégio de contar com a presença de Jussamara, durante 12 km. Interessante é que ela ficou preocupada de estar nos atrasando, quando, na verdade, fizemos, neste trecho, o ritmo mais forte de todos os treinos. Correram com a gente, Valdeck e Almir. Ao cabo de 3 horas e 30 minutos, completei o treino e tive a convicção de que estava no caminho certo. Nada como um treino bem feito para nos trazer confiança. _ Como relatado, a cada treino, novos companheiros iam se incorporando ao grupo. Mesmo cada um correndo no seu ritmo e, por vezes, com distâncias diferentes, sempre era uma festa e, ao final, tudo dava certo e estávamos todos exultantes com as metas cumpridas e marcando os próximos encontros. É impressionante a força do grupo e o conforto psicológico que nos proporciona o fato de sabermos que os nossos amigos estão enfrentando os mesmos desafios e estão por perto para nos ajudar em qualquer imprevisto. _ Obrigado a todos vocês que me ajudaram a chegar até aqui.

A Maratona de Bueno Aires

Acabo de chegar do último ‘longão’ do treino para a Maratona de Buenos Aires. E foi uma grande honra contar com a participação de tanta gente no treino! Estou inquieta, apesar de ter feito um bom treino... Tentei acompanhar Albertina!!! São muitas as dúvidas que passam pela minha cabeça... Será que esse meu depoimento vai chegar a ser publicado? Será que conseguirei concluir a prova? Se concluir, terei corrido a prova inteira, sem momentos de caminhada? Dúvidas que somente solucionarei caso eu consiga concluir a prova, o desafio, o meu desafio particular. O caminho está sendo difícil, mas também muito prazeroso... É muito bom ter amigos que se preocupam e torcem por você, mas ao mesmo tempo triplica a responsabilidade de não decepcioná-los, além daquela outra: evitar a minha própria frustração. Recebi, em doses homeopáticas, vários incentivos. Tantas pessoas queridas torcendo por mim... Ai, ai, ai... Só penso que se eu não conseguir concluir a prova vou ter que sair do Facebook! Sempre quis fazer uma maratona... a minha ousadia sempre foi grande, sempre transformou os desafios em charadas interessantes e sedutoras para que eu pudesse soluciona-los. Minha vida sempre foi temperada por essa ousadia inata. E por me afeiçoar tanto à essa característica, sempre questionei o que seria do mundo se não existissem as pessoas ousadas? Ano passado tive que abortar a minha ida a maratona de Buenos Aires por conta de uma fasceíte plantar, mas agora ela não incomoda a ponto de me fazer desistir e, tendo chegado até aqui, o meu caminho não tem volta... Agora é a hora de enfrentar esse desafio. Vai ser bom... Muito bom! Ao lembrar de meus treinos percebo que sempre foram momentos tão alegres... Sempre senti uma euforia particular pelos ‘longões’, como o de hoje. Não posso deixar de pensar com bastante carinho nas minhas fiéis escudeiras: Paula, Adelina, Kitty e Ademara, que participaram dos meus treinos, foram pessoas decisivas e muito companheiras nessa empreitada. _ 5 de outubro de 2010 _ Uma gripe ensaiou me pegar. Preciso combatê-la, afinal faltam apenas 4 dias... E, de fato, acordei feliz! Acabo de conversar com Marcos André, no Facebook, e é comum aumentar minha confiança com ele. Ele sabe das coisas e consegue me fazer acreditar que vou conseguir. Marquinhos é um ser único, dotado de uma energia fantástica e sempre disposto a dividi-la e, incrivelmente, nunca se dissipa, por mais que distribua, ele sempre tem mais para compartilhar. Fonte inesgotável! Comecei a arrumar a mala, sei que não posso esquecer o tênis, carboidratos, meias, cinto de hidratação... Queria poder colocar na minha mala e levar Eugenia, Adelina, Paula, Kitty, Ademara, Tarci, Lica, Mila, Andréa Rocha, Lucinha, Jozina, Bia, Nick, Albertina, Kika, Tita, Jussamara, Bia, Martinha, Aninha, Claudinhas, Ró, Marildinha, Albertina, Marcos Leão, Danilo, Neto, Guga, Emilia, Felipe, Marcos Lima, Mauro, Sérgio, Valdeck, Breno, Marcio, Felipe, Mauro, Valtão, Jether, Pacífico, Morgan...Tanta gente! Com certeza me passaria a sensação de ser mais um treino de muito prazer, mas como não posso, fico feliz em saber que contarei com a presença de Milton, Fernanda, Nilson, Enaldier, Liliam, Romário... Todos são feras na corrida e alguns, inclusive, já experientes em Maratonas. Tenho que confessar que para mim é uma grande honra fazer a minha primeira maratona com Milton e Liliam. São dois grandes amigos...No fundo, são eles os responsáveis pela minha decisão de ir. Seria difícil encará-la sozinha. Ainda bem que tenho a TRIAÇÂO, sei que estou bem treinada para essa escolha e que também me preparei da melhor forma, afinal: ‘Toda pessoa nasce com um potencial e tem direito de desenvolvê-lo. Para desenvolver o seu potencial as pessoas precisam de oportunidades. O que uma pessoa se torna ao longo da vida depende de duas coisas: as oportunidades que tem e as escolhas que fez. Além de ter oportunidades as pessoas precisam ser preparadas para fazer escolhas.’ _ Antônio Carlos da Costa _ A minha história com a corrida data do ano de 2004, quando Victinho nasceu e precisava de uma atividade que pudesse aliar o prazer ao emagrecimento, afinal tinha engordado 19kg!!! Comecei a correr na esteira na academia Paulo Meyra. Pouco tempo depois, soube da corrida Braskem e com a minha ousadia, mais uma vez falando dela, resolvi participar. Depois disso, não teve mais retorno. Fui picada pela mosquinha da corrida e nunca mais fui a mesma pessoa. Não me reconheço sem a corrida. De lá para cá, vivenciei várias fases, mas em nenhum momento me afastei das corridas. Até mesmo porque tive a grande sorte de conhecer a Triação e, junto com ela, verdadeiros amigos, que se tornaram pessoas indispensáveis na minha vida, parte integrante da minha história. Entrei na Triação acompanhada de minha amiga irmã Eugênia e, junto com ela, dei várias passadas, não apenas na corrida, mas na vida. Paula já estava na Triação e pouco tempo depois Adelina se juntou ao grupo e a partir de então, foram quilômetros e mais quilômetros de conversas, risadas, alegria, queixas, lamentos, cumplicidade mas tudo, sempre, acabando em festa! Para mim era (e ainda é!) uma grande satisfação o fato de que eu posso sempre contar com essas amigas-irmãs tão queridas nos treinos e na vida. Nosso grupo, contudo, sempre foi aberto. A companhia de outras pessoas sempre alegra muito. Aos poucos Kitty foi se integrando ao nosso lar e, em um curto espaço de tempo, transformou-se em mobília. Ao final nosso grupo tornou-se a própria TRIAÇÂO, uma grande família unida precipuamente pela corrida, mas invariavelmente por muita amizade, carinho, felicidade e harmonia. Pois bem, retornando à Maratona... Dia 07/10 cheguei em Buenos Aires a noite. No dia seguinte, no local de retirada do kit, encontrei Diogo, Fernanda Formighieri, Milton, Lilia, Nilson... Fernanda foi minha contemporânea de faculdade e foi uma grata surpresa saber que ela, também, faria a prova. E ainda me impressionou bastante o fato de ser a sua sexta maratona! Uma guerreira! Na véspera da prova, decidi passar o dia no hotel relaxando, só saí para almoçar com Jr e o pessoal (Fernanda, Fernando, Maria Luisa, Diogo, Marcio Reis e Cleyde). Marcamos no restaurante Sottovoce. No restaurante acessei o facebook, lá tinham várias mensagens de incentivo, mas uma, em particular, me chamou a atenção. Lica escreveu: ‘Marcinha, aqui está maravilhoso, Barcelona é uma linda cidade. Hoje estive na Catedral e rezei por você. Com o Divino já está tudo combinado para amanhã...’, dei boas risadas dessa!!! Depois do almoço retornei para o hotel. Estava muito nervosa, ansiosa, aflita, preocupada, enfim! Eu ainda precisava arrumar e separar as coisas que utilizaria no dia seguinte. Programei o alarme para despertar às 4:40h. 04h40minh do dia 10/10/2010 o celular alerta. Finalmente chegou o dia, a hora e todo o resto. Ajeitei-me e segui para o hotel de Fernanda, tínhamos combinado que de lá pegaríamos um táxi. Dito e feito, chegamos lá, na linha de largada. Fernanda estava tranquila, mas eu estava ainda muito tensa. A blusa amarela da TRIAÇÃO faz o maior sucesso, muita gente se aproximava e pedia para tirar fotos. Finalmente encontramos com todos da Triação. A sensação? Era muita alegria! O nervosismo transformava toda aquela felicidade em um pouco de euforia, mas era boa, muito boa! A temperatura começou a esquentar. Fernanda me deu uma capa de plástico para que eu descartasse depois da saída, mas larguei antes por conta do calor. Tocou o hino da Argentina e, logo em seguida, o apito da largada. Era o início, de fato. Comecei a correr ao lado de Fernanda, tínhamos combinado sair no ritmo 7 e mantê-lo até pelo menos a metade da prova, mas desde o começo o nosso ritmo ficou entre 6 e um pouco abaixo, por isso Fernanda pedia para aumentarmos, pois era início de prova e ainda tínhamos muito chão pela frente. Seguimos lado a lado, trocando algumas palavras. Lembro-me bem de ter dito: ‘Fernanda, quando imaginaríamos que mais de 20 anos depois estaríamos juntas, correndo uma maratona?’Continuamos o percurso, passamos por um cover de Michel Jackson que se apresentava para animar os maratonistas. Por volta do 6º km Fernanda resolveu fazer um pit stop para ir ao banheiro, segui sozinha, 2km depois Fernanda me alcançou e comentou ‘você está muito forte, tive que correr a ritmo 5:20 para te alcançar!’. Agradeci muito por ela ter conseguido chegar até mim, afinal, era ela quem estava controlando o pace e eu estava muito disposta, e isso é algo que em uma maratona pode te prejudicar mais tarde. Seguimos. Com quase 1h de prova tomei meu 1º carboidrato gel. Encontrei Diogo e Jr no 10º km, quando passamos pelo Obelisco. Falei para Diogo que estava muito bem e ele, preocupado, mandou que eu me segurasse. Durante o percurso Fernanda me chamou várias vezes a atenção, precisávamos segurar o ritmo para tentar manter, pelo menos, o pace 6. No 12º km passamos por uma banda que tocava ‘I Will Survive’! Gritamos ‘Brasil!!!’ Seguimos alegres. O caminho era muito prazeroso, passamos por varias bandas. Mantemos um pace em torno de 6 e alcançamos a metade da prova em um tempo de 2h11min, um pouco antes disso, tomei o meu segundo carboidrato. Estava muito disposta, pensei no combinado de Lica com o Divino e cheguei a conclusão que Lica tinha um contato forte lá em cima! Mais uma vez encontramos Diogo que nos perguntou o tempo da meia maratona e, quando informamos, ele mandou diminuir. Seguimos, atingimos o 22º km, virei para Fernanda e perguntei: ‘É cedo para afirmarmos que vamos fazer uma boa prova?’, e ela respondeu que com certeza faríamos uma boa prova, bastava que eu tivesse juízo e não aumentasse muito meu ritmo, pois ainda tínhamos muito chão pela frente. Entrei no 25º km, este, que foi dedicado a Marquinhos (Marcos André), eu concluí no ritmo 6:04. A prova continuava boa, me sentia admirada por estar conseguindo manter o pace 6 com tranquilidade. O 29º km era o de Paula, concluí em 5:59! Cheguei ao 30º km após 3h e 05min. Nesse momento encontrei com Diogo novamente, que disse, mais uma vez, que eu deveria segurar meu ritmo. Comecei, então, a ver muita gente andando, algumas outras pessoas no chão com câimbras, então diminui minha velocidade, alcançando o pace 6:30~6:50, Fernanda manteve o ritmo em 6 e adiantou. Foi neste momento que passei a correr sozinha. Sentia-me muito bem fisicamente, mas diante do que eu via, preferi segurar o ritmo, afinal ainda tinha sobra para concluir a prova abaixo de 5h. Nessa minha corrida a sós, já com mais de 30km de prova, começaram a surgir os pensamentos... Minha família, meus pais, meus irmãos, meu marido, meus filhos... olhei para o céu e agradeci a felicidade de ter uma mãe que é o meu verdadeiro porto seguro, que é a pessoa a quem eu devo por tudo que sou, é o meu maior exemplo de vida. Os olhos encheram de lágrimas, pensei na minha infância, minha adolescência... lembrei de minhas amigas Carla, Cléa e Péu, que, sem dúvidas, são responsáveis por varias coisas boas em minha vida, inclusive, na própria mudança do meu comportamento (para melhor!). Agradeci, mais uma vez, ter mais essas amigas-irmãs. Lembrei de todos os outros amigos que chegaram mais tarde, mas também reservaram os seus lugares no meu coração. Agradeci a Deus (O Divino de Lica!!!) por ter todos em minha vida, eu sei o quanto torcem por mim... Eitaaa!! Já estava passando pelo 32º km, esse km foi prometido para Dani. Agora já foi, fiz abaixo do pace 7, pelo menos! O pensamento voltou para a família, como se fosse um curta-metragem. Pensei em Junior, e a música de Vanessa da Mata me veio à cabeça... Ainda bem que você vive comigo, por que senão como seria essa vida?? Sei lá...Sei lá. Apesar das queixas dele com relação à minha corrida, tinha certeza que ele tinha orgulho de mim e estava torcendo pelo meu sucesso. Sou muito feliz por dividir a vida com ele. Eu o amo! Pensei o quanto tinha para agradecer a Deus, pois eu pouco poderia pedir diante do tanto de coisa boa que já tinha recebido. Meus filhos... Quanta sorte, quanta alegria, a vida depois deles, só com eles. Lembrei dos nossos momentos, nossas risadas bobas... Bruna e Bia comigo na cama de noite conversando... Victinho e seu jeitinho lindo... Os três brincando e rindo na sala, com video-game, travesseiro, guitarra, carrinho... Me gritando ‘Mãããããããe’, para entrar na farra familiar! Questionava o porquê tinha decidido fazer uma maratona. É difícil optar por fazer uma maratona, mas por mais difícil que seja a nossa vida, por mais diferente que sejam os nossos sonhos, descobri que eles sempre cabem em algum lugar. E mesmo na minha vida atribulada com tantas coisas para fazer, às vezes até incompatíveis com a corrida (minha sacudida vida social!), o meu sonho de realizar uma maratona cabia e coube! Percebi que eu estava rodeada por pessoas do bem e que, durante minha vida, construí muitas pontes... Tantos pensamentos e agora eu estava ali, no meu 35º km, estava amando, chorando, lembrando, inventando, reiventando e, acima de tudo, me conhecendo. A frase mais certa é: naqueles 42,195km me conheci e reconheci várias vezes, certamente mais do que nos meus 41 anos de vida, sei que não acabou por aí, mas foram quilômetros e descobertas fundamentais. Naquele momento eu tive a real da noção da minha capacidade de superação. Chego ao 36º km e não dava mais para segurar as lágrimas, deixei-as rolar, era muita emoção. Olhei para o relógio e lembrei que tenho um compromisso no km37, prometi esse quilômetro à Flavinho (Flavio Maia), retornei ao estado de concentração necessária para a corrida e procurei fazer um tempo melhor, já que com os meus devaneios e desvarios, o pace foi a 7. Concluí o dito quilômetro em 6min e 52 segundos. Fui adiante, olhei para o relógio e percebi que chegaria fácil antes das 5h ao final da prova. Olhei de novo, fiz umas contas rápidas e percebi que se eu mantivesse o pace 7. chegaria abaixo de 4h e 30min. Quando eu estava chegando nos 40 quilômetros, olhei para o relógio e, tomei um susto, estava tudo escuro no visor! A bateria havia acabado! Faltavam apenas 2kms e eu estava bem, tudo bem então! Curti a paisagem, tinhamos entrado em um Parque, via muita gente andando, eu continuava mantendo a minha corrida...Quando passei pelo 41º km, o coração deu um descompasso. Eta! Aguenta coração!!! Só falta 1km! Então avistei Junior, com certeza estou próxima da chegada, acelerei. Ainda não visualizo o pórtico de chegada, então diminuí a velocidade, logo adiante o vejo, voltei a acelerar, então cruzei a linha de chegada após 4h e 28min, gritando o nome de Bruna, Bianca e Victor, meus filhos, aos quais dedico a minha primeira maratona. Aos meus queridos filhos com quem a cada dia eu aprendo um pouco mais, essa dedicatória faz parte do legado que quero deixar de determinação, disciplina e, sobretudo, de coragem. Da minha pouca experiência, posso afirmar que Maratona é programa para amigos, o treino é a parte mais prazerosa, a prova em si, acaba sendo muito rápida. É como dizem por aí, a felicidade é o caminho e não o destino. Foi de grande valia ouvir a experiência de maratonistas veteranos como Ney, Paulo Costa, Marcos André, Almir, Lica, Kitty, Nilson Góes, Danilo, Albertina... Quero agradecer a toda família Triação em especial Diogo, Jorge (Xuxa) e Paulinho, pelos treinos, conselhos, paciência... Tenho certeza que estava muito bem treinada: ‘Sorte é o que acontece quando a preparação encontra a oportunidade.’ Assim foi o meu ingresso no seleto mundo dos maratonistas!Marcia Câncio.

TORONTO É UMA FESTA

Um dolce far niente!!! É esta a sensação que me domina na semana que antecede à maratona. A semana do dever cumprido, do polimento final. A semana na qual aumento consideravelmente a quantidade de ingestão de carboidratos, sem culpa. É a volta do prazer em comer. É a semana, por consequência, do aumento do estoque de glicogênio muscular. Também a semana da redução vertiginosa da quilometragem diária de corrida. A semana do relaxamento...muscular. Mas também da concentração na prova, quando se tem em mente um personal record. Enfim, a semana da alegria extasiante mesclada com grande ansiedade. É neste clima de festa de Babette e certa preocupação com a prova (esta é a sétima maratona do ano e única a tentar um ritmo mais veloz), que venho visitar Montreal nos últimos dias pré-maratona de Toronto. E, logo no primeiro dia aqui, saio para fazer um treino leve de 8 km. Inicio do hotel num trote despretensioso. Desta maneira posso me lembrar das ruas, das praças, lugares por onde andei, quando passei por aqui há quase vinte anos. Vou em direção ao Parc Mont Royal. O parque mais visitado e conhecido de Montreal. Este parque atrai todo o mundo. Quem quer correr, passear, andar de bicicleta e patinar no gelo (no lago dos Castors). Também há um belvedere (Kondiaronk) de onde se tem uma das mais belas vistas do centro de Montreal. Correndo em direção ao parque, vou subindo a Rue de La Montaigne. Desvio um pouco, passando por uma rua lateral, a fim de passar em frente ao Museu de Belas Artes, na Rue Sherbrooke O. Quero rever o edifício do museu mais importante de Montreal e todo o Québec. Vou me situando nesta cidade. Sei que há muito o que se ver tanto na superfície quanto no sub-solo. Sei que em Montreal há uma rede de ruas interligadas no subsolo da cidade que possui mais de 30 km, com bares, restaurantes, shopping, faculdades e todo tipo de diversão. É outra cidade no underground. Uma cidade preparada para o rigoroso inverno. Me lembro quando aqui estive em um fevereiro, pleno inverno. Na superfície, as ruas congeladas quase sempre desertas, enquanto que na Souterraine (Réso) toda a efervescência da cidade. Depois de entrar no parque e correr em volta do Cemitério Notre Dame des Neiges, passo pelo belo monumento sir George Étienne Cartier, um dos pais da Confederação Canadense. Admiro por alguns segundos e continuo o meu treino leve. E, então, decido sair do parque em direção ao hotel, antes, porém, passar pelo bairro chinês não muito longe de onde estou. É uma maneira prazerosa de desbravar as ruas de uma cidade. Uns fazem isso de bicicleta, como o cantor David Byrne. Outros fazem a pé. Alguns turistas num enfadonho city-tour. Todas as maneiras são válidas, entretanto, quando uma cidade é desvendada com prazer. O bairro chinês, um quadrilátero de ruas lotadas de turistas, com vários restaurantes especializados em comida chinesa e vietnamita, várias lojas, tem a Rue de la Gauchetière e seu calçadão aprazível como atração principal. E assim passo por estas ruas com desejo de voltar em algum momento mais tarde. Já com minha cota de quilometragem vencida, volto ao hotel. Depois de um breve descanso, saio para agora rever Montreal, a mais francófona cidade fora da França. Mas aqui também se fala muito o inglês. A vasta maioria das pessoas é bilíngüe. É de verdade uma cidade charmosa. E início a minha caminhada pela vieux Montreal (a antiga Montreal). Aqui há uma grande quantidade de bares, restaurantes, casas noturnas. E o porto sempre com o vaivém intenso de turistas. Deixo Montreal na sexta-feira à tarde em direção a Toronto. Pontualmente às 15h30min o trem parte da Estação Central. Durante o percurso de quase cinco horas, aproveito para responder alguns e-mails e continuar a leitura do livro de Murakami, o mais popular escritor contemporâneo japonês, Do Que Eu Falo Quando Eu Falo de Corrida. Haruki Murakami é um escritor maravilhoso. E maratonista dos bons. Aos 60 anos de idade ainda corre maratona e ultramaratona. Eu conheci a obra de Murakami há alguns anos por indicação de um amigo. Com ceticismo iniciei a leitura de Norwegian Wood, um livro que me levou a ler outros livros dele, como Minha Querida Sputniks, After Dark etc. E, agora, este livro que fala do amor à corrida, assim como à literatura. É uma literatura simples, onde ele narra a sua relação com a corrida diária. E como o fato de ser maratonista influenciou profundamente na sua disciplina, persistência e paciência para escrever romances. Intermitentemente, observo a paisagem lá fora enquanto o trem quase silenciosamente segue sua marcha em direção a Toronto. Algumas vezes, me detenho em passagens interessantes do livro, e me sinto feliz: ‘Ser maratonista não é um esporte para qualquer um, assim como escrever romances não é trabalho para qualquer um. Ninguém nunca recomendou nem desejou que eu virasse um romancista – pelo contrário, houve quem tentasse me dissuadir disso. Ocorreu-me que eu fosse um, e foi o que eu fiz’. Após quase cinco horas de viagem confortável e calma, chego a Toronto. A cidade me surpreende. Logo depois de deixar a estação, vejo uma multidão na Bay Front, a principal avenida da área do píer. Algum tempo depois descubro que a multidão vai em direção ao Skydome, o estádio bem próximo ali da CN Tower. E, pouco tempo depois, já flanando pelas as largas avenidas, venho confirmar o que todo o mundo diz: ‘a versão canadense de Nova York’. Ou seja, uma Nova York bem mais tranquila, mais organizada e hospitaleira. Parece que tudo funciona aqui (embora seja sempre temerário afirmar isso, por uma ótica de viajante). Sábado pela manhã acordo ainda cedo para participar da International Friendship Run. Um trote bem leve de 5 km de confraternização. Antes, porém, assistimos uma palestra de John Stanton, com informações úteis sobre a maratona do dia seguinte. Stanton, fundador da Running Room do Canadá e autor do livro Running: Start to Finish, com mais de sessenta anos de idade ainda corre maratonas numa velocidade surpreendente para a sua idade. Assim, com sua liderança faço esta corrida matinal através dos pontos principais da maratona no centro de Toronto. Ainda pela manhã visito a Expo da maratona, a fim de retirar o kit de corrida. A feira é pequena, mas compatível com o número de inscritos. O que chama a atenção, no entanto, é a organização impecável. Desde a retirada do Kit até o transporte gratuito até o centro de Toronto. Pontualmente às sete horas e trinta minutos, logo após o Hino do Canadá, é dada a largada. Mesmo com o domingo nublado e 8 graus de temperatura, o público é grande na área de largada. Nos primeiros quinhentos metros há providencialmente um ligeiro declive. Isto alivia um pouco o sempre incômodo inicial da expansão dos pulmões. Procuro o pacer de 3:15 e me junto ao bloco de velozes corredores. Estou tenso, pois sei que correr nesta velocidade (4min30s), em uma maratona, estou bem próximo de ultrapassar o meu limite. Corro, então, os primeiros cinco quilômetros em silêncio, mas concentrado. Até o décimo quilômetro troco algumas palavras com o grupo de corredores, sem perder a concentração. Um mexicano de Puebla, de aparentemente 35 anos, corre sem sofrimento. Em um ritmo cadenciado invejável. Tento trocar algumas palavras, mas ele resiste. O pacer, um canadense, apenas braveja vez por outra. Ele tenta controlar o tempo a todo instante. Alguém grita que estamos aproximando do pacer 3:10 e ele reduz a velocidade. Eu vou assim correndo no meio desses homens jovens, fortes e resistentes. Subitamente, me dou conta de que, provavelmente, sou o único da minha faixa etária neste bloco de por volta de trinta maratonistas. Isto me envaidece, mas ao mesmo tempo me preocupa. Agora aproximando do km 21, e correndo por uma região afastada do centro de Toronto, sinto perder a passada. Ou seja, não sinto firmeza total em me manter aglutinado ao grupo. A minha grande experiência em maratonas sugere-me que devo diminuir o ritmo, evitando com isso o grande risco de não chegar ao final (nunca abandonei uma maratona). Eu ainda tento mudar o tipo de passadas, mais curtas, mais repetidas. Mudar de estratégia: cadenciar mais a respiração, diminuir o intervalo de consumo de géis, sal etc; entretanto, nada funciona. Eu aceito resignado que não é mesmo meu dia de bater meu próprio recorde de muitos anos (3h18). Na verdade, penso que o maratonista amador pode até ser competitivo consigo mesmo. É uma maneira saudável. O fato é que meu corpo está dizendo não e eu tenho que respeitá-lo. E tenho certeza que o meu corpo reclama de, em apenas nove meses, eu ter corrido o desafio da Disney (meia-maratona sábado e maratona no domingo), a ultramaratona Comrades 89 km, mais cinco maratonas ao longo do ano. Então, seria uma irresponsabilidade eu tentar ultrapassar o meu limite agora. Além do mais, tenho como regra básica sempre chegar ao final de uma maratona porventura cansado, com um excelente tempo ou até razoável, mas sempre em boas condições físicas. É um princípio primordial que todo maratonista amador deveria ter. Lentamente vou perdendo o pacer de 3h15. Já chegando bem perto do km 30, ouço o burburinho do grupo de corredores do pacer 3h20 aproximando. Agora já corro bem mais lento e sei que em poucos minutos também perderei este alegre grupo. Mas estou feliz. Posso admirar agora as ruas do centro de Toronto. Respondo sistematicamente ao público. Vou administrando a minha velocidade com eficiência. Prefiro agora pensar na palestra do scholar no jantar de massas. Ele discorreu brilhantemente sobre a morte do mensageiro grego Feidipedes. Ele explica que, provavelmente, o soldado grego tenha morrido ao final de ter corrido 40 km, não simplesmente por causa da distância mas em virtude da falência do corpo pela batalha contra os persas. Aproximando da chegada, em frente à antiga Prefeitura, a participação do público é emocionante. Com a linha de chegada bem próximo de mim, eu fico pensando como bem organizada e bonita foi esta maratona. Se não houvesse tantas maratonas no mundo, esta seria uma maratona para repetir. Atravesso a linha de chegada com um bom tempo (3h34), embora distante do meu melhor. Estou feliz? Extremamente !!! E mais feliz ainda quando penso no que declarou, no século passado, o maior corredor de todos os tempos, o tcheco Emil Zatopek, a locomotiva humana: ‘Gosto de correr, quero continuar correndo, correndo muito, mas também não é nada mau me transformar num corredor normal, respeitando meu corpo, que pode perder’. Ney Caires.

Morte para do sedentarismo e nascimento da vida ativa

Depois de 1 ano e 4 Meses sem a prática de esporte, tinha uma vida totalmente sedentária e uma alimentação precária que me levou a ficar internado no Hospital Jorge Valente durante 3 (três) dias, foi uma das piores experiências da minha vida, onde Deus, minha esposa, família e a GDK foram importantes na minha recuperação. Mais como diz o ditado popular ‘sempre tem uma luz no final do túnel’ e nesse momento a TRIAÇÃO essencial nessa mudança de vida. Várias vezes recebi o convite dos alunos do Triação e meus companheiros de trabalho Felipe Tourinho e Gustavo Ribeiro, mais sempre prorrogando minha matricula que só foi efetivada quando regressei do hospital, após vários exames e apto para a prática de esporte fui recebido por essa equipe maravilhosa e comecei a vida ativa. A corrida entrou na minha vida e no meu coração de forma avassaladora, nunca pensei de sentir tanto prazer em correr, parece uma simples atividade mais definitivamente isso não é verdade. O que eu sinto quando saio de um dia estressante de trabalho e coloco minha roupa e meu Tênis para correr, e encontro os amigos no corredor da empresa ou no local da corrida é difícil descrever parece um choque de sentimentos e sintomas, esse vício comprovado cientificamente me deixa a cada dia altamente dependente e a cada passo na pista todo o estresse vai embora, já houve dias que sair da empresa com dores de cabeça e com muito cansaço e tudo isso foi deixado em cada metro percorrido, sem falar no prazer que sentir quando fiz minha primeira corrida de 5km e ver na linha de chegada minha esposa me esperando para registrar aquele momento impar em minha vida e olhando para essa foto eu posso ver um homem diferente e feliz. A prática esportiva me ajudou a cuidar melhor de minha saúde, selecionando uma melhor alimentação, melhorar minha aparência, autoestima condição física, respiratória e ganhar alguns pontos com a esposa, correr para mim é uma terapia, só existe um ganhador e um oponente ‘Eu’, porque a cada dia supero meus limites e vejo que sem suor e sacrifício não podemos ser vencedores. Nessa ultimas linhas gostaria de agradecer a oportunidade, e falar para as pessoas que praticam esse esporte que continuem, apesar das dificuldades e obstáculos, para os que já praticaram e hoje não praticam, sempre vai ter um lugar esperando por você no meio da multidão dos corredores, e para as pessoas que não praticam este esporte, experimente, e sua vida nunca mais será a mesma. O que vocês estão esperando? Anderson Pena.

Realizar um sonho...

Realizar um sonho, nem sempre acontece através de coisas complicadas, começa por um ponto, um ponto dentro de cada um... e assim em 2006, em um almoço de família, minhas primas (Mila, Cinthia e Monica), que na época estavam em fase de encantamento com a corrida, conseguiram me convencer a fazer parte do grupo delas. E eu fui! Primeiro pra assistir uma corrida e conhecer o grupo, depois marquei com Diogo uma avaliação e passei três meses indo para os treinos para andar... entretanto ver todas aquelas pessoas correndo me levava a acreditar que um dia eu estaria como elas. E fui, aos poucos trotando, no início na esteira, depois nas ruas, até que a corrida me fez ver a vida de uma outra forma. Tudo aquilo que deveria ser obrigação para tentar emagrecer passava a ser parte de um contexto e cada dia, cada planilha de treino, me mostrava que algum efeito positivo estava ocorrendo. Meus treinos na orla me emocionavam, cheguei a chorar algumas vezes, agradecia muito, olhando o mar; admirava observar pessoas na rua e nunca imaginava que um dia pudesse ser uma delas... assim minha vida mudou, para muito melhor. Em Dezembro de 2006 ousei participar da Grandelli, correndo apenas os 2km iniciais, acompanhando o grupo no carro de apoio. Naquele momento começava a me sentir parte daquele grupo cujo estilo de vida me encantava, liderado por Diogo e Paulinho, uma mistura perfeita da razão e emoção. A partir de 2007 comecei a participar das corridas de 5km, contando sempre com o incentivo de toda a equipe Triação e das minhas primas, que me apoiavam e me acompanhavam. Até que no início de 2009 realizei a minha primeira prova de 10km (Aniversário da Cidade de Salvador, 460 anos). Durante esse preparo, convivendo com a ‘Família Triação’, senti fortalecida a vontade de viver saudavelmente. Passei a prestar mais atenção na alimentação, procurei auxílio de uma nutricionista... e isso só me motivava. Os avanços dos meus treinos ultrapassavam as pistas, despertavam em mim o espírito de superação, em todos os sentidos. E assim, resolvi partir para uma nova meta: comecei a treinar para a minha primeira Meia Maratona!! Para esse desafio, pela primeira vez, precisei mudar, abrir mão muitas vezes da minha vida social para conquistar algo que cada vez mais aflorava a satisfação de ter conseguido. Uma auto superação! E chegou, 12 de setembro, Meia Maratona do Iguatemi, de Farol a Farol, 21km. Impressionante como uma atividade tão particular pode ser tão solidária ao mesmo tempo. Meu grupo de corrida acompanhava minha evolução, sentia os colegas vibrando por mim naquele momento e isso reforçava a minha força e minha vontade de fazer bem feito. Uma semana de muitas palavras de incentivo (recebi um e-mail do meu treinador, diretamente de Buenos Aires!!!) e demonstrações de carinho e apoio, principalmente no translado para o local da largada, onde as minhas queridas colegas veteranas me davam todas as dicas, demonstrando toda atenção com o momento que eu vivia. Apesar de ter treinado somente até os 17km, estava segura e certa de que chegaria até o final desta etapa importantíssima na minha vida. Por conta da adrenalina da corrida, contrariando tudo o que aprendi, acabei largando e correndo os primeiros km com uma velocidade muito superior à treinada, mas me sentia confiante, acreditava que nada naquele momento iria interferir no resultado. Que percurso lindo! As nuvens escondiam o sol garantindo o conforto para os atletas, que passavam por mim sempre com palavras, que naquele momento pareciam ter força (principalmente as camisetas laranja, que nessas horas só em passar pela gente nos transmite uma energia muito peculiar a Triação). Pelo km 14 me deparei com a primeira dificuldade, a Ladeira da Amaralina, onde senti pela primeira vez o cansaço e encontrei meu amigo Marcio Reis, que me acompanhou por alguns metros e seguiu seu caminho me dando energia extra para um momento que tanto esperava, o encontro da minha mãe no posto de hidratação da Mc Donalds, minha primeira grande emoção. Essa passagem me deu uma força que ao me deparar com a Roda de Capoeira no Largo da Mariquita, passei batendo palmas num clima de inicio de corrida! A partir daí, estava no meu caminho, me sentindo em casa. O percurso que treino normalmente, onde sabia que minha amiga e companheira de corridas, Bia, me aguardava e me acompanharia os 5km finais. E ela me trouxe, sua companhia, Gatorade e mais emoção. “Meus amigos, agora eu chego de qualquer jeito!” – disse ao mesmo tempo para ela e para Vini (Nino) que nesse momento também nos acompanhava na bicicleta. Que energia que recebi desses dois!!! Um pouco mais adiante encontro meu amigo Marcinho Valadares, exausto como eu, que também seguiu nos acompanhando, trocando comigo a energia para seguir até o final. Mas já passava do km 17, já sentia minhas pernas cansadas; continuava encontrando “meus colegas laranjinhas” que continuavam incentivando até que me aparece na contramão uma grande surpresa: Mila, minha prima-irmã, muito querida, que viera também me acompanhar nesses últimos kms. Que emoção!!! Passar pelo Cristo ao lado delas, Mila e Bia, e de Marcinho naquele momento foi muito especial e emocionante. Era o momento da minha maior superação; um sonho que eles estavam vivendo comigo. A palavra CHEGADA na minha frente significava VITORIA!!! Foi cruzada de mãos dadas com essas duas grandes amigas tão queridas, que acompanham de perto toda essa minha trajetória. Que momento!! Pura emoção!! ‘E ela chega, acompanhada das duas amigas que foram buscá-la. Dá-lhe Triação!’ (Escutei no auto falante), e que orgulho de ser Triação, de ter escutado cada esporro e recebido cada abraço de carinho por cada etapa alcançada. Foi maravilhoso, uma sensação que as palavras não conseguem traduzir, muito emoção, muita felicidade! São 21km em que a vida passa como um filme na nossa cabeça, que pessoas que fazem a diferença na nossa vida são lembradas, num desejo de passar para elas um pouco daquela felicidade que vivi naquele momento... a gente arrepia, emociona, agradece, são muitos sentimentos ao mesmo tempo, sentimentos bons, que acolhem a nossa alma. O pós corrida, o carinho da minha família, da ‘Família Triação’ (não temos como chamar de outra forma), dos meus amigos que acompanharam toda essa preparação muitas vezes através da minha ausência definitivamente, é muito gratificante. E eu só tenho como dedicar a minha vitória a essas pessoas, que tornam a minha vida muito especial!!! E QUE VENHAM AS PRÓXIMAS!!! Nicole.

São Paulo/SP, 30 de Agosto de 2010

Caros amigos, Para uma pessoa que estudou em colégio militar, praticou quase todos os tipos de esportes que vocês podem imaginar e sempre foi muito preocupado com a saúde por histórico de família, chegar aos 95kg foi o fundo do poço. De fevereiro a julho de 2008, fiquei completamente sedentário, desregrado com a alimentação e engordei 10kg. Minhas preocupações se limitavam somente à saúde da minha filha que passava por um tratamento de câncer previsto para durar 80 semanas. Neste período, procurei imaginar de qual forma poderia suportar a carga física e emocional impostas pela situação e dar tranquilidade a minha filha e a minha esposa. Lembrei que um grande amigo (Gustavo Mattos) já praticava corrida fazia alguns anos e que eu havia encontrado anos antes (2005) um ex-colega de trabalho e hoje amigo (Fábio Andrade) que me disse ter obtido qualidade de vida na prática da corrida. Não por acaso, ambos eram clientes da Triação. Por falar em coincidência, descobri que este último era irmão de uma das médicas que cuidaria de Duda durante boa parte do tratamento e que se tornaria minha grande amiga também (Jozina). Por indicação ‘dupla’, fiz contato com Diogo, fui informado dos pré-requisitos de saúde (exames médicos e atestado) e marquei a apresentação da documentação e teste de nivelamento. Numa manhã chuvosa de quarta-feira, lá estava eu no Campo Grande para a ‘aula’ inicial. Fiz uma bateria de alongamento, trote de aquecimento de alguns minutos e em fim as três voltas que me tirariam do estado que me encontrava até então. Lembro que neste primeiro dia conheci o ‘gordinho’ (Breno). Depois deste dia, com exceção dos meses de outubro e novembro de 2008 quando estive afastado por motivo de fratura por estresse na tíbia, nunca deixei de correr ao menos dois dias por semana; nem mesmo nas viagens que fazia por toda Bahia e Sergipe, e eventualmente para São Paulo. Nestes 25 meses de Triação, encontrei muito mais do que procurava em julho de 2008. Além de saúde, disciplina e comprometimento, conheci um esporte simplesmente apaixonante e, principalmente, fiz muitos amigos: Lucinha e Edmilson, Márcio Reis, Andréa, Diogo, Paulinho, Jorge Xuxa, Clayton, Breno, Márcio Soussa, Marta, Jussamara, Bia, Tereza, Ana, Tita, Camila, Lica e Firmo, Fábio e Rossana, Jozina e Sydney, Danilo, Jorge Mascarenhas, Morgan, Albertina, Ney, Paulo Maracajá, Márcia Câncio, Liu, Cesar Torres, Cesare, Neto e Augusto(não é casal gay, apenas irmãos), Duda, Adelina e Américo, Alex Pimenta,.. Ufa! Espero não ter esquecido de ninguém! Foram 20 provas disputadas, incontáveis treinos, natação, musculação. Como aguentar tudo isso? Encontrando durante e fora dos treinos os amigos, recebendo ligações e mensagens de Diogo quando afastado ou faltando aos treinos, recebendo o bom dia sempre bem humorado de Paulinho nas manhãs das segundas-feiras no Farol da Barra, participando das resenhas pós-provas e durante as viagens (por enquanto não foram muitas no meu caso), falando ao telefone com os amigos de vez em quando. Eu já havia pensado em escrever alguma coisa para os amigos por ocasião da minha mudança de clube de corrida (agora treino com Marcos Paulo Reis), mas foi melhor após a última corrida pela Triação (1/2 do Rio 2010), última conversa e mensagem de Diogo, pois citaria todos vocês como ex-colegas de clube de corrida e amigos. Após a mensagem de Diogo, percebi que ele e Paulinho não formaram apenas uma empresa de assessoria esportiva, mas uma família. Cada dia que passa no meu novo clube tenho mais certeza disto. Tenho sentido falta de tudo o que citei acima e de todos vocês, mas como disse Diogo: ‘independente da bandeira, ou seja, de equipe é nosso amigo e sempre será da Triação!’.Um grande abraço para todos, Felipe Jansen.

O Sonho Tornou-se Realidade

Desde muito jovem que gostava de praticar esportes, como: natação, remo, ciclismo, judô e karatê, onde pratiquei por 25 anos, atingindo a graduação de faixa-preta, então acreditava que nada mais iria me motivar para conseguir desafiar os meus limites, físico e mental. Foi quando no início de setembro de 2008 recebo um convite para participar de uma prova de revezamento, onde teria que correr 5Km e a equipe era composta por jovens na faixa de 20 anos, logo de pronto recusei o convite, alegando que não tinha mais condições físicas para correr tal distância, pois encontrava-me afastado dos esportes e desmotivado, porém devido a insistência deles, resolvi treinar durante 15 dias e participei da minha primeira corrida oficial, e o mais importante, não decepcionei a equipe. Mal sabia eu que aquela corrida iria transformar a minha vida, pois resolvi dar sequência aos treinamentos e comecei no final desse mesmo ano (2008) a participar de outras corridas de 5Km e no ano seguinte, já mais condicionado, passo a correr provas de 10 e 15 Km, quando sou informado que no meio do ano teria uma meia maratona (21 Km) para participar na cidade do Rio de Janeiro. Começo a treinar forte, e faltando 45 dias para o dia da corrida tenho uma facite plantar no meu pé esquerdo, procuro um médico e sou informado que teria que repousar e que desistisse da corrida. Porém resolvo realizar um trabalho forte de fisioterapia e viajo para o Rio onde no dia 28 de junho de 2009, completando a meia maratona, duplamente satisfeito, pois venci a distância e a dor no pé não apareceu. Ao retornar à Salvador, tomo a decisão que para alguns amigos parecia impossível, voltar ao Rio de Janeiro no ano seguinte (2010) e correr uma maratona. Eles alegavam que eu não suportaria os treinamentos e o processo de condicionamento era penoso, pois encontrava-me um pouco acima do peso ideal para enfrentar uma prova tão difícil e desgastante como a maratona. A minha decisão estava tomada e lembrei-me dos dizeres de um mestre japonês que tive: ‘Você poderá até morrer num combate, mas lute até o fim’. Faltavam dozes meses para o meu desafio, porém desta vez eu teria que enfrentar o meu maior adversário, eu mesmo. Resolvo realizar todos os exames médicos para conhecer as minhas reais condições físicas, e o resultado não poderia ter sido melhor. Fui em busca de uma nutricionista para conhecer quais alimentos eu deveria consumir, pois precisava de energia e não poderia engordar. Começo a treinar corrida de 3 a 4 dias na semana e aos domingos, natação na praia do Porto da Barra, porém faltava-me um treinamento técnico mais adequado e isto eu percebi quando eu já fazia treinos de 27 Km, daí faço uma mudança radical nos meus treinos e descubro a Triação Assessoria Esportiva. Resolvo marcar um encontro com o professor Diogo Andrade, pois precisava de um suporte técnico para realizar meu sonho e pretendia acabar o meu desafio com a saúde em perfeitas condições. Ao chegar no escritório da Triação, sou recebido carinhosamente pelos professores Diogo e Paulo Bahia. A partir daí os avanços foram constantes e dia após dia, eu percebia que estava mais forte e resistente e tinha reduzido o meu peso em 10 Kg. Trenei muito e enfrentei sol forte, chuva, ventania e aos sábado acordava as 3:20h (madrugada) para realizar os meus treinos mais longos, que foram até 33 Km. No dia 18 de julho de 2010, na cidade do Rio de Janeiro, ao chegar na largada da prova já sabia do resultado, pois na minha cabeça a prova já tinha ocorrido, e apenas meu corpo precisava passar aqueles 42.195 metros. Neste instante encontro o meu técnico Diogo Andrade que me pergunta como eu me encontrava, e eu respondi: ‘estou bem e tranquilo.’ Antes de ser dada a largada, olho para o céu e agradeço a Deus por permitir que eu estivesse ali naquele momento de tanta emoção. Faço uma corrida bastante concentrada, pois eu não estava brigando por tempo e sim vencer aquela distância que assusta tanta gente, e resolvo correr cada quilometro como se fosse um obstáculo que estivesse sendo ultrapassado. Ao chegar no quilometro 33, percebi que estava muito forte e começo a acelerar as passadas, até quando eu atinjo o quilometro 39, e sinto que a endorfina corria forte nas minhas veias, pois eu só sentia a força da minha mente e meu corpo estava totalmente anestesiado, porém como os meus treinamentos foram realizados para suportar o desgaste da prova e eu não sentia dores no corpo, apesar de já ter corrido por tanto tempo, não diminuo o ritmo e cruzo a linha de chegada cansado e feliz por ter realizado este sonho. Descobri que quando você corre uma maratona, ao contrário do que parece, você nunca está sozinho, pois a força que você recebe dos amigos e das pessoas que acreditam em sua capacidade são fundamentais para o seu sucesso, por isso eu dedico essa conquista que não é só minha, mas do meu técnico Diogo Andrade, dos Professores Paulo Bahia e Vinicius Barbosa , demais professores da Triação, ao fisioterapeuta e meu descobridor para o mundo das corridas Vinícius Carvalho, ao Dr.Luiz Hitt( Procárdiaco) e a todos da família Triação. Ficarei muito contente ao saber que você que está pensando em enfrentar um desafio de correr uma prova, qualquer que seja a distância, tenha conseguido , pois como nós, hoje maratonistas, dizemos: ‘o impossível não existe’. Um abraço, Almir Benevides Filho.

Por onde começar?

Tudo começou com um aperto de mãos e um compromisso selado – entre o ‘Destemido Chiquinho’ e eu, em outubro de 2009. Colocamos dois grandes objetivos para 2010: Correr duas Maratonas em um curto espaço de tempo, primeiro Porto Alegre em 23/05/2010 e depois o Rio de Janeiro em 18/07/2010. A Maratona é você se descobrir perseverante, estar sozinho com seus pensamentos durante horas, estar sentindo dor e buscar consolo, por que você não sabe, é você vencer a si mesmo durante o tempo todo até chegar o grande momento. O ‘Grande Ultramaratonista Bahiano Ney Caires’, sempre diz: ‘A melhor maneira de se conhecer uma cidade é percorrê-la a pé, passando por onde não se pode andar no dia a dia, ou seja, com a vantagem de usufruirmos do silêncio e podendo aproveitar a beleza natural do local’. Porto Alegre sempre será um clássico em minha vida enquanto existir, pois foi lá onde tudo começou. Sempre que for chegando o mês de março de cada ano, é provável que me inscreva e tente correr lá novamente. Fiz POA sem desgaste, mostrando ao meu bom senso que maratona é um desafio, mas uma hora acaba. Então, foi uma experiência e tanto como descrito em outrora. Meu objetivo sempre foi correr com alegria e com a certeza que chegaria bem! E foi assim que comecei o primeiro dos 42 km 195 metros que havíamos planejado para aquela linda manhã de domingo, no Rio de Janeiro. Logo na largada senti uma emoção gostosa e decidi agradecer a Deus a oportunidade de ali estar, de ter um corpo perfeito, sadio, e também de ter tido coragem de enfrentar mais este desafio. Durante a prova, lembrava-me das palavras de Oscarzinho: ... a maratona começa nos últimos 10 Kms, pois nessa altura aparecem múltiplos pensamentos: ‘Ninguém é totalmente ateu no km 32 de uma maratona’, ainda mais eu que acredito tanto em Deus! Um outro pensamento recorrente durante a prova é ‘como é que nos fomos meter nisto e que tão cedo não faremos outra prova’. Claro que isso é temporário (no dia seguinte a esta prova, já estavámos programando a seguinte) e a prova disso é a impressionante quantidade de pessoas que repetem uma maratona após literalmente ficarem parados durante a prova ou caminharem por longos períodos e além daqueles que se contorcem com dores devido a cãibras. Eu tinha uma leve dor no quadril à direita, que não seria mais que cansaço. Tinha medo que dali viessem cãibras. Poderia até ter acelerado um pouco, mas tinha algum receio. A partir do km 36, como não sabia o que ocorreria depois, decidi dedicar cada km restante a pessoas importantes da minha vida – Meu Filhinho(‘Marquinho’), Minha Ciça (esposa amada), Minha mãe, Meu pai (‘Velho Galo’), Meu Biba e Minha Tschalem, e os últimos 196 metros para aquele que é um grande exemplo para todos nós, de humildade e força, o ‘Destemido Chiquinho!’ Após a linha de chegada, dediquei mais essa maratona a todos os meus queridos amigos, que sempre estão ao meu lado de forma onipresente!!! Até a próxima!! Marco André.

COMRADES E AS MONTANHAS DE DURBAN

Do alto da Cowie`s Hill eu vejo o oceano Índico e a cidade de Durban pela primeira vez quase oito horas depois de corrida. Meu corpo já fraquejado é levado à frente apenas pela minha força mental. Eu tenho consciencia disso. Mesmo assim, faltando apenas 23 km, tenho sérias dúvidas se terei condições físicas e psiquícas para chegar ao final no Saahara Stadium. Tento amenizar as dores musculares desviando o meu pensamento para a paisagem deslumbrante à minha volta. O sol já fraco que ensaia se esconder atrás das montanhas. A multidão de corredores que vejo deslizar montanha abaixo. Penso na noite mal dormida no Hotel Tropicana, no despertador à uma hora da manhã. No café-da-manhã às duas horas no saguão do hotel já cheio de corredores. Penso no trajeto de ônibus de Durban a Pietermaritzburg (onde incia a Comrades) e a longa conversa com meu amigo Shibata, comradeiro experiente. E com prazer, o que me dar mais forças ainda, penso na largada lá em cima em Maritzburg. Em frente à prefeitura, não obstante o frio de seis graus, a poucos minutos da largada, ouço com apreensão de novato o alarido da multidão de corredores. Vinte e três mil, dizem. A Shosholoza e o cacarejo do galo, toda esta história muitas vezes repetidas e bem conhecida, mas que verdadeiramente emociona. Penso na felicidade ao ver o sol nascer detrás das montanhas, pouco tempo depois da largada, creio que ainda na Polly Shortts. Havia várias subidas alí, é verdade. Mas em apenas dez km de corrida, ainda não há nada a reclamar. Ainda carregamos a emoção da largada. E o pace, na realidade, foi estabelecido há pouco tempo. E as colinas todas que passei, Umlaas, de uma altitude imensa. Inchanga, com público acolhedor. A verdade é que em todo o percurso a população incentiva com satisfação ininterruptamente. Os incontáveis postos de hidratação e alimentação, o apoio constante dos voluntários. Volto o meu pensamento agora ao meus amigos da Triaçao, clube de corrida de Salvador. Eu sei que muitos acompanharam o meu longo e exaustivo treinamento. Eu que, já com quase com quase 40 maratonas nas costas, obriguei-me a treinar seriamente. 'Eu não posso falhar' -martelo comigo mesmo. E assim, imbuído de vários pensamentos, que tentam na realidade desvencilhar-se das dores musculares, vou em frente silenciosamente. Agora, às portas da cidade de Durban, orgulhoso e inacreditavelmente com passadas firmes, como um soldado romano ciente da vitória , acompanho o 'bonde' dos sub-11. Entro no Saahara Stadium lotado e barulhento. Venço os 89 km com o pórtico marcando 10h55:32. Por um momento fico sem rumo, carregado de emoção. Paro um pouco e penso com a cabeça baixa. Vem-me, inexplicavelmente, a lembrança do início do conto Um caso com características de vaudeville de Anton Tchékhov: 'Estou com uma terrível vontade de chorar! Se eu abrisse um berreiro, acho que ficaria mais aliviado.'

Nossos atletas são verdadeiros IRONMANS e IRONWOMAN.

Acabou, nossos atletas são verdadeiros Ironmans e Ironwoman. Foi na manhã de domingo às 7:00am que foi dada a largada na praia de jurerê, debaixo de muito frio nossos guerreiros largaram junto a mais de 1400 atletas dentre eles profissionais, amadores e deficientes, verdadeiros homens de ferro. Naquele momento não imaginava como serio o dia pela frente só tinha certeza que seria duro e muito desgastante e com muita vontade nossos guerreiros saíram da agua depois de 3800m de natação e partiram para 180km de ciclismo tendo pela frente 5 a 6 horas de pedaladas, via a expressão de cada um durante a prova e não conseguia indentificar sinal de fraqueza, de desistência via sim uma alegria imensa em estar ali, quando passavam por mim era motivo de festa e alegria e eu pensava caramba já tem 5 horas de prova e eles dando risada. Pedro Paulo ‘PP’ nosso primeiro atleta a descer pra correr indo em busca de baixar seu tempo do ano passado que era 11h17, passou por tão concentrado pra correr os 42km que nem falou comigo, logo após começaram a chegar e a sair pra correr, rodrigo veio logo depois, juntos maracajá, doca, Marcelo e Ângelo saem juntos, e outros e outros até descer Nelinho que a 3 semanas atrás fraturou o pé esquerdo, na minha cabeça a dúvida, nos olhares dos familiares e amigos a dúvida e ele sai da transição correndo, encontro em alguns momentos chorando mas correndo e acredite correu 42km com o pé fraturado, loucura? acho que não! Finalizando a prova, pp chega com 10h52´ chorando como criança na companhia da sua esposa que o acompanhou até a linha de chegada, seguido dos demais que iam chegando chorando de alegria, veio rodrigo 11h 11´, seguido de maracajá 11h18´, seguido por doca 11h37´, seguido pela Ironwoman Claudia com 11´47´, seguido por Ângelo com 12h 18´, seguido por Beth que teve uma surpresa da sua mãe e sua irmã q apareceu durante a corrida com 12h38´ e finalizando Nelinho com 12h52´.sem mais, gostaria de parabenizar em nome de toda a triação a todos que se dedicaram, que participaram da preparação dos nossos atletas, agradecer o apoio das famílias e amigos e claro parabenizar a todos os ironamanssssssss.

Meia Maratona da Disney ou a Meia Maratona do Frio

Para a maioria dos corredores da Triação correr uma Meia Maratona não é tão desafiador, talvez por isso esse depoimento não chame tanto atenção dos leitores, mas vou tentar descrever o que de especial aconteceu. Estive parado por conta de uma contusão (outro dia conto esta estória) por cerca de 4 meses, voltei a treinar a cinco semanas da prova com capacidade para um ‘longão’ de 10Km e sem poder fazer tiros! Não foi fácil, especialmente quando a gente se habitua a forçar nos treinos para buscar mais velocidade. Tive de me conter ao máximo, primeiro para que a contusão não voltasse, segundo para que me sentisse confortável e não ‘quebrasse’ nos treinos. Longões a 32 graus! No sábado que precisei correr 15Km, quebrei e só fiz 9km!!!! Faltavam 3 semanas para a prova! Repeti o treino na noite da segunda-feira e para minha surpresa e alegria não apenas corri o percurso determinado, como ainda fiz duas subidas, sendo uma de 400m após 12Km de treino. Chegou o último longão e 18km realizados tranquilamente, sem dores musculares, cansaço ou fadiga, inclusive nos dias seguintes ao treino. Grande trabalho de Paulinho (Triação) e Rodrigo (personal trainer). Senti-me preparado para correr pelos lindos parques da Disney em 2:30h (bem ruinzinho, mas para quem treinou tão pouco tempo estava bom demais), mas...O frio! Todos os corredores (inclusive eu) correm bem no frio. Mas você já correu numa temperatura em que respirar dói? A previsão do tempo para Orlando era de absurdos - 6 graus centígrados para o dia da prova.Na semana anterior à prova tinha assistido, no Discovery, a um cara correr 21km a -20 na Letônia, descalço e de short, ao final ele perdeu os dedos dos pés. E eu pensei: correrei vestido e a expectativa é de apenas -6! Tá beleza! Pois é, depois da corrida soube que a sensação térmica era de -12 graus centígrados! Corri com uma calça colada, uma camiseta idem, duas camisas de tac tel, uma faixa para proteger as orelhas e um par de luvas próprias para esporte. Acho que se estivesse sem camisa não mudaria muito, a calça protegeu bem. E só! Mas vamos à prova: Hospedei-me no complexo da Disney, o que facilita em muito a logística. São muitos ônibus saindo desde as 3h da manhã e uma dica para quem pretende fazer a prova: saia cedo. Fui às 4:30h e por pouco não perdi a largada. Tem congestionamento e quem vai de carro ou táxi tem de parar bem distante. E do ponto em que se desce do ônibus até a largada se anda muito, inclusive em relação ao guarda volumes tem de caminhar cerca de 1Km. Siga o conselho de seu treinador: separe tudo na véspera, durma cedo e desperte de um salto! Ao chegar no Epcot o frio era terrível. Vi muitos corredores envolvidos em sacos plásticos, excelente dica para quem vai correr no frio. E eu com minhas roupinhas que àquela altura eram de verão...! Mas entrei rapidamente no clima. O lugar é sensacional! E muito organizado! Parei no guarda volumes e começou a chover. Pesadelo total: muito frio e chuva. O local da largada é mal iluminado, mas são 18 mil pessoas e pontualmente os currais são liberados a partir das 5:50h com saídas intercaladas. Atenção: a maioria não respeita o pace na inscrição, se você informar um pace alto sua largada pode ser bem mais tarde e no frio o quanto antes terminar a prova, melhor. Durante o percurso muitas atrações: bandas, estudantes, personagens da Disney e adentrar os parques correndo é uma sensação fantástica, com muitos espectadores gritando e vibrando, sempre lançando a mão para batermos (give me a five!). Com o kit da prova recebemos uma câmera descartável e uma caneta para autógrafos!!! E centenas de corredores param para fotos. Não fiz isso, pois minha vontade era a de concluir a prova e sair daquele congelador. Corri os primeiros 8Km me poupando muito, pois sabia como meu corpo reagiria naquele refrigerador, além disso vi algumas pessoas tropeçando nos casacos abandonados por corredores ao longo do caminho e tive o receio de cair. Somente senti meu corpo aquecido depois de uns 7km, antes disso corri totalmente travado, a ponto de achar que não conseguiria correr os 21km, mas depois do km 8, senti-me muito bem e comecei a soltar a perna. E o frio? Bom a essa altura já estava acostumado, com as mãos e o nariz congelados, de vez em quando levava as mãos à boca e soltava lufadas de ar quente. Sentia meu nariz molhado o tempo todo. Respirar incomodova. A certa altura, lá pelo meio da prova, fui pegar um gel na cintura e não senti meu abdomem!!!! Minha barriga estava dormente!!!!! Ao longo de toda a prova sempre encontrava brasileiros e a troca de palavras de incentivo eram recíprocas. Muitos pontos de hidratação, mas powerade e água geladíssima em copos é quase um veneno, principalmente se você se molhar! Mesmo assim bebi em quase todos os postos, mesmo por que fiz uso de géis de carboidrato e precisava de líquido. Alguns momentos especialíssimos: ao entrar no castelo da Cinderela coincidiu de dois ‘guardas imperiais’ tocarem suas trombetas, sensação massa! E num trecho do Epcot, já no final da prova, tocava a música de Ben Hur (exatamente a do famoso duelo de quádrigas), isso dá uma enorme revigorada. Fim de prova, medalha no pescoço, 2:20h, 10 minutos abaixo do que previ, sensação ótima, sem dores musculares ou cansaço. Ao parar para a foto um brasileiro passou e disse: seu nariz está sangrando. A partir daí começou o drama! O frio tomou conta do corpo! A fila para retirada de meus pertences no guarda volumes era enorme e tudo aberto, meu pensamento era um só: preciso de abrigo! Não raciocinava bem, sentia-me a todo instante como um desabrigado, de verdade! Achava que a qualquer momento alguém me ofereceria ajuda. Encontrei uma colega da Triação, Emília, que ainda estava sofrendo mais que eu. Juntei alguma energia e fomos à enfermaria, nos deram um ‘lençol’ de saco plástico e nos colocaram numa van com aquecedor. Senti-me num palácio, troquei duas das camisas molhadas por duas secas, melhoramos e fomos embora sem ânimo algum para sessões de fotos com os personagens da Disney. Saí revigorado, mas preocupado com a colega e em entrar logo no ônibus. As filas eram enormes e ninguém respeitava. A música tema de Titanic era a mais adequada para o momento, por sorte conseguimos entrar rapidamente no ‘bolo’ de gente (deixei meus princípios de lado, pensei é estado de necessidade e posso furar a fila).Tenho plena convicção de que faltou pouco para uma hipotermia. Algumas pessoas referiram que a lembrança da corrida foi ruim, mas para mim tornou-se uma grande conquista. É, sem dúvida, a medalha mais bonita (lindona!) e sofrida que conquistei. E o mais incrível: sem derramar uma gota de suor!!! Guga Cruz, 09/01/10.

Maratona de Montevidéu

‘Frio e sol. Sol de inverno, que é o mais afetuoso, o mais benévolo. Fui até Plaza Matriz e me sentei em um banco, depois de abrir um jornal sobre o cocô dos pombos. À minha frente, um empregado municipal limpava o gramado. Fazia-o com parcimônia, como se estivesse acima de todos os impulsos...’_escreve em A Trégua, Mario Benedetti, o maior escritor uruguaio, morto há alguns dias. E eu vim aqui nesta bela praça da cidade velha de Montevidéu repetir a mesma cena e, de certa maneira, prestar a minha humilde homenagem a este escritor que tanto exprimiu a alma do povo uruguaio. Uma chuva fina começou a cair. O sol se escondeu atrás de nuvens cinzentas. A feira de antiguidades se desfez. E eu resolvi abandonar o abrigo de uma árvore e flanar pelas ruas antigas e quase desertas num sábado com temperatura beirando um dígito. Depois de uma longa caminhada através de ruas antigas e estreitas, cheguei ao Mercado del Puerto. Agora, o momento de reparar os danos musculares. E nada melhor do que um asado e uma boa garrafa de vinho. Aqui no Mercado não faltam restaurantes a escolher. O assédio dos garçons é intenso. Mas com prudência escolho o ideal aos meus olhos enfim. E não me dou mal. Em torno de duas horas depois, eu me dou conta de que não posso nem comer tampouco beber muito. Afinal, eu vim aqui primordialmente para correr uma maratona? Claro, amanhã cedo deverei estar sóbrio e com o sistema digestivo em ondas. De outra maneira, estarei correndo sérios riscos de ‘quebrar’ na praia. A MARATONA E LA RAMBLA - O frio? Ah, o frio! Por volta de 4 graus, me dizem. Eu decido iniciar com moletom e luvas. Normalmente não faço assim. A poucos minutos do sinal de largada, retiro todos os agasalhos. Mas aqui em Montevidéu eu prefiro perder alguns segundos lá na frente e não sofrer tanto com o frio. Meus dois primeiros quilômetros são muitos lentos. Mas, inexplicavelmente, depois de me desvencilhar dos agasalhos, no terceiro quilômetro, início lentamente um aumento de velocidade que perdura até atingir os últimos momentos da maratona. A maratona é pequena. Se não fosse a meia maratona e a rústica de 10 km ao mesmo tempo, acredito que seria inviável para a sua realização. Assim, penso que não é uma maratona para iniciantes. Embora seja plana e relativamente bem organizada, não há público bastante para incentivar um iniciante. E nem grande quantidade de corredores na maratona. A maratona é bonita, é bem verdade. Corre-se ao longo da Rambla(orla) de Montevidéu, em duas voltas, iniciando e acabando no Parque Rodó. Eu corro sem muita pretensão e com muita calma. Às vezes, entretanto, obtêm-se resultados até inesperados quando se corre displicentemente. Claro, há sempre que ter determinação, disciplina e objetividade quando se quer excelência. Mas aqui, dentro das minhas expectativas, eu consegui um tempo até surpreendente (3h33min), bem próximo do meu recorde pessoal. Apesar de que eu desejasse que esta maratona fosse apenas mais uma na minha coleção. Entretanto, eu sei que ela estará na minha lembrança, no momento em que iniciar a leitura dos livros de Mario Benedetti, os quais comprei aqui e estou levando para casa. Enfim, a maratona de Montevidéu reflete bem o que me disse Giulio, o maratonista uruguaio que me acompanhou durante uns vinte quilômetros: ‘Nós somos minimalistas e pequenos. Nós já fizemos até parte de teu imenso Brasil. Mas somos felizes e satisfeitos em nossas próprias dimensões...’. Ney Caires.

Maratona de Porto Alegre 2009

Depois de completar 03 (três) maratonas internacionais (Paris 2006, Filadélfia 2007 e Berlim 2008), resolvi participar dos 42,195 km Porto Alegrenses, considerados por muitos os mais organizados do Brasil. Os treinos começaram no mês de janeiro, já sabendo que seriam mais desgastantes do que os anteriores pelo fato de ocorrerem em pleno verão da capital baiana. Porém este ano tivemos um dos verões mais quentes e longos dos últimos tempos, com temperaturas sempre acima dos 30 graus já às 06 horas da manhã, inclusive nos meses de abril e maio. O desgaste com o calor era tão grande que, ao final de um dos treinos no Parque de Pituaçu, uma senhora comentou que parecia que estávamos voltando de uma guerra, tal era a expressão de cansaço. Viajamos, eu e os demais colegas da equipe Triação, na esperança de nos depararmos com temperaturas frias na capital gaúcha, mas ao desembarcarmos na sexta-feira à tarde a temperatura era de 28 graus, frustrando nossas expectativas. A entrega do Kit ocorreu no sábado de forma organizada e rápida. A prova. Após as experiências internacionais anteriormente citadas, fui com um olhar crítico para a organização da prova, ainda mais com o acontecido na Maratona de Florianópolis 2009, onde ocorreram falhas imperdoáveis como falta de água. Entretanto, para a minha satisfação e de todos os maratonistas, a organização da prova foi impecável, com largada cedo e pontual, diversos postos de abastecimento de água e gatorade, marcação correta da Kilometragem, ou seja, fatores que realmente importam para quem se predispõe a correr uma prova longa e desgastante como uma maratona. O único fato negativo é a falta de participação popular, eis que corremos praticamente o tempo todo sem um público que nos ‘empurre’. Buscava melhorar meu tempo, mas com a temperatura acima do ideal já ficaria feliz em completar a prova. Larguei com um pace médio de 5:03 min/km, conseguindo manter esta velocidade até o km 24, quando o sol apareceu com força e reduzi o ritmo. No km 32 senti fisgadas de câimbras, mas procurei relaxar olhando o belo Rio Guaíba e lembrando de todos os treinos realizados em Salvador. Assim consegui estabilizar o meu ritmo em 5:08 min/km até o final, conseguindo completar a minha quarta maratona em 3:38:42, atingindo o meu objetivo e entrando para o Ranking Brasileiro de Maratonistas. Salvador, 26 de maio de 2009. Marcelo Brandão de Morais Cunha.

A Maratona de Boston

A mais antiga maratona do mundo. Uma das cinco maiores do mundo. A mais desejada entre os maratonistas. A que exige qualificação. E também considerada bem difícil. Há alguns anos, com estas informações, planejei correr a minha trigésima maratona em Boston. E também completar a World Marathon Majors (as cinco maiores do mundo – Boston, Chicago, Berlim, Nova York e Londres). A fim de reforçar minha ideia convidei alguns amigos maratonistas aqui de Salvador. Yuri foi o primeiro a conseguir a qualificação na maratona da Filadélfia junto comigo. Em seguida, Paulo e Guga em Porto Alegre e Punta Del Este respectivamente. Assim, num domingo (a maratona é realizada na segunda-feira, no feriado do Dia do Patriota) ensolarado e frio chegamos a Boston e fomos quase direto para a exposição. A exposição é enorme. Talvez a maior de todas as outras que participei. Apesar da multidão, a retirada do kit é rápida e fácil. Às seis horas do dia seguinte deixamos o hotel em direção ao Boston Common, onde uma fila de ônibus escolar nos levaria à largada em Hopkington. Aqui, como em Nova York, temos que esperar mais de duas horas num frio de 6 graus para a largada da primeira onda. A largada é congestionada. Mas logo nos primeiros cem metros há uma ligeira dispersão e posso, assim, estabelecer o meu ritmo. Já no primeiro km ainda em Hopkington surge a primeira subida, seguida de uma acentuada descida. Em Ashland, depois de uma sequência de subidas e descidas, passo por Dick Hoyt, 68 anos, empurrando numa cadeira de rodas o filho quadriplégico Rick de 46 anos. O público simplesmente vai ao delírio quando eles passam. É muito emocionante ver o tremendo esforço desse pai que já finalizou centenas de maratonas com o filho. Em Framingham inicia-se uma longa descida. Acredito ser o melhor trecho da prova. O público incentiva muito. Aliás, a prova inteira há a presença constante de um público animado e incentivador. Eu, que corri com o nome BRASIL na camiseta, ouvi os gritos de Brasil! Brasil! Inúmeras vezes e por todos os lugares. Logo depois do km 21, passo em frente ao Wellesley College e vejo centenas de garotas num barulho ensurdecedor portando cartazes assim: KISS ME I`M A MIDWESTERN GIRL. E vários maratonistas – eu, inclusive - pararam alguns preciosos segundos para realizar o desejo destas estudantes. Agora vem o distrito de Newton por volta do km 27. Considero a parte mais difícil da prova. Uma sequência de subidas que vai em direção à famosa Heartbreak Hill, quase em frente ao Boston College. Depois de vencer a Heartbreak Hill, já no km 36 e aproximando do centro de Boston, sinto as panturrilhas reclamarem. Diminuo um pouco o ritmo a fim de manter o meu batimento cardíaco numa zona de segurança, embora a partir do km 37 haja apenas descida em direção à chegada. Ao atingir a Hereford Street eu sei que a maratona está no fim. De repente, viro à esquerda e descortina-se a Boylston Street com o pórtico de chegada bem lá na frente na Copley Square, a uns 400 metros. É de arrepiar o barulho do público ao longo da rua. Com um tempo de 3h44 estou contente, considerando meus 52 anos de idade. Claro, a prova não é plana. Havia rajadas de vento gelado por quase todo o percurso. A temperatura por volta de 7 graus. Mas o público foi fantástico durante todo o tempo. E isto conta muito a favor. Sobre a organização, hidratação e beleza do percurso, eu prefiro nem comentar. É por essas e outras que a maratona de Boston é considerada o crème-de-la-crème das maratonas. Por Ney Caires.

A Maratona de Havana

Lembro-me bem. Era uma manhã de domingo chuvoso de abril, há uns três anos, quando resolvi pôr em ordem a minha pequena biblioteca. De repente, um livro que li em meus tempos de secundarista, caiu-me às mãos como num passe de mágica: A Ilha – de Fernando Morais. Primeiro, admirei-o, depois o afaguei. Finalmente, retirei suavemente um marcador de livros já desbotado pelo tempo e cheio de anotações. Li com avidez as quase ingênuas anotações de meu tempo de adolescência. E assim, tomado de nostalgia, iniciei a releitura deste livro que foi tão importante para mim nos anos plúmbeos, época que caracterizou a minha juventude. Desta forma, ocupei todo aquele domingo cinzento, sem muito ter o quê fazer, relendo este livro. Logo depois, naquele mesmo dia, quis rever o vídeo ‘Buena Vista Social Club’, do diretor alemão Wim Wenders. Em seguida, vi também o ‘Habana Blues’ de Benito Zambrano. Completei o dia vendo o ‘Suíte Havana’ de Fernando Pérez, o documentário que narra um dia na vida de vários cubanos. E foi assim que nasceu o embrião do plano de correr a maratona de Havana – a Marabana. Claro, nos meses seguintes, a fim de incentivar-me a decidir ir a Cuba, aprofundei os meus conhecimentos sobre a ilha caribenha. Principalmente sobre a revolução cubana. Também do modus vivendi do povo cubano atual. E da mesma forma busquei informações mais precisas sobre a maratona. A Cuba relatada por Fernando Morais nos anos 70, não é mais a Cuba de hoje. Naquela época, havia o auge das transformações sociais proporcionadas por Fidel Castro. A invasão da Baía dos Porcos (o tour de force de Fidel) ainda estava viva na memória dos cubanos. O bloqueio norte-americano difundia um sentimento de nacionalismo muito grande em todo o povo. O socialismo era apoiado pela União Soviética, tanto no aspecto financeiro como diplomático. Na realidade, os soviéticos substituíram os americanos, enviando petróleo e comprando quase toda a produção de açúcar. Além do apoio militar, a União Soviética ajudava tecnicamente na construção de escolas, hospitais, na infra-estrutura em geral. Desde a libertação de Cuba do domínio espanhol por José Marti, na virada do século XIX, os Estados Unidos assumiram a posição de novos dominadores através de sucessivos ditadores. Com Fulgêncio Batista, a Ilha era dominada pelos gângsteres (por inclusive Al Capone), pela prostituição, pela jogatina. Além disso, grande parte das terras produtivas de Cuba estava nas mãos de grandes empresas norte-americanas. O objetivo precípuo da revolução cubana foi, sem dúvida, a tentativa de mudança neste status quo. O triunfo da revolução, evidentemente, deveu-se ao apoio dos campesinos em primeira instância. E depois do povo em geral. Com a queda do Muro de Berlim, a débâcle do comunismo na União Soviética e a ineficiência do modelo socialista no mundo inteiro, Cuba consequentemente entrou em crise profunda com a retirada crescente do apoio da Rússia (houve o desmantelamento da União Soviética, com as separações das Repúblicas). A Cuba de hoje possui problemas econômicos profundos. Ainda há o racionamento de alimentos. A produção agrícola estagnada. E muitos problemas de infraestrutura. A falta de energia crônica, embora o petróleo seja subsidiado ultimamente por Hugo Chávez. Entretanto, lentamente, Cuba retoma o intercâmbio comercial com o mundo. Com exceção, claro, os Estados Unidos. Com a retirada do cenário político de Fidel Castro (ao menos formalmente), há uma abertura política lenta incentivada pelo seu irmão Raúl. Claro, ainda há vários presos políticos. E isso é inadmissível em qualquer regime que tenha pretensões democráticas. Também não há o direito pleno de ir e vir do cidadão cubano, principalmente em viagens ao exterior. É necessária uma autorização especial do governo. Para isso, já há mudanças previstas por Raúl Castro. E agora com a eleição recente de Barack Obama, há uma grande esperança de que as relações com os Estados Unidos tome um novo rumo, embora o lobby anticastrista na Flórida tenha um poder muito grande no congresso americano.É evidente que o socialismo idealizado pelos revolucionários da sierra Maestra não atingiu o seu objetivo pleno. A universalização do ensino, o sistema de saúde eficiente e gratuito a todos os cubanos, a melhoria no acesso à moradia, a segurança, o apoio nos esportes são feitos reconhecidamente de sucessos. Assim, foram admiráveis e inacreditáveis todos esses sucessos, porque nenhum outro país teria suportado por muito tempo o embargo econômico e diplomático imposto pela OEA, capitaneado pelos Estados Unidos. Os ideais de Che Guevara, Fidel, Camilo Cienfuego et coetera por décadas foram seguidos fielmente pela maioria da população cubana. Ao mesmo tempo, também houve uma resistência do povo cubano às tentativas dos contra-revolucionários em restabelecer a ditadura aos moldes de Batista. A sustentabilidade da revolução cubana foi movida por ideais. O Che Guevara foi o maior dos idealistas. Ainda hoje é reconhecidamente um herói em Cuba. Na realidade, é considerado a figura mais importante na Revolução Cubana. Com sua morte, tornou-se um mito. Ernesto Guevara parece flertar com a morte desde cedo. Antes mesmo de ser o Che, antes de se formar em medicina, aventurou-se com o amigo Granado pela América Latina de motocicleta. Nessa viagem, parece definitivamente transformar-se, ao sentir de perto a miséria do continente latino americano.Alguns anos depois, já trabalhando como médico no México, o Che conhece Fidel Castro e o irmão Raúl, que viviam exilados, após serem libertados da prisão em Cuba. O destino foi traçado então.O Che torna-se um grande amigo de Fidel. E partem no pequeno barco Granma (com 82 guerrilheiros) de volta a Cuba para fazer a revolução. Asmático, brilhantemente inteligente e culto, disciplinado e convicto de seus ideais, logo o Che tornou-se comandante de um pelotão de guerrilheiros na sierra Maestra. E assim iniciou-se a construção de um mito que até hoje perdura espalhado mundo afora. Por que o Che abandonou o comando do Ministério da Indústria de Cuba, o cargo mais importante depois de Fidel, e aventurou-se na selva do Congo para transportar a revolução? Por que, então, com o fracasso no Congo, foi fazer a revolução na Bolívia? Quando o Che foi capturado e morto em La Higuera, na selva boliviana, pelo exército boliviano e pela CIA, de certa maneira ele sabia que, com a sua morte, nasceria o mártir da revolução cubana. * * * Escrevo esta introdução aqui sentado no La Bodeguita Del Médio, entre goles de mojito (uma mescla de rum, limão, açúcar e hortelã) e daiquiri, os drinques preferidos de Ernest Hemingway. Aqui, dizem, Hemingway escreveu quase todo ‘Por Quem os Sinos Dobram’ (o melhor livro dele, eu acho, se excluirmos ‘O Velho e o Mar’), durante os 20 anos em que viveu em Cuba. Este bar-restaurante, sempre cheio de turistas, atraídos pela fama de Hemingway ter sido um habitué e ter criado alguns drinks aqui, serve também a cozinha cubana, tipicamente a comida criolla. Eu peço com certa nonchalance um picadillo habanero. Enquanto o garçom me serve, anoto os nomes de famosos que autografaram na parede à minha frente: Hemingway, Nakting Cole, Fidel, Pablo Neruda e outros. Antes de partir deste restaurante, acendo um charuto. Não fumo há anos. Há muitos anos mesmo. Mas, vez por outra, por diletantismo, arrisco-me a fumar um ‘puro’ (um Cohiba – o melhor de todos) cubano. E aqui em Cuba, neste propício bar-restaurante, reservo-me a este prazer proibido aos maratonistas de verdade. E assim extremamente cansado, um pouco embriagado pelo excesso de rum puro e vários mojitos, as pernas trôpegas e trêmulas pelo esforço da maratona da manhã de hoje, vou caminhando pelas ruelas quase desertas e escuras da Habana Vieja de volta ao hotel. Depois de caminhar por algumas ruas e ruelas estreitas e sem nomes visíveis, carregando o medo renitente da insegurança brasileira de andar nas ruas desertas à noite, repentinamente chego a uma pequena praça e vejo um bar ainda aberto _‘El Huracán Cubaño’. Com surpresa, o bar está totalmente cheio. E surpresa maior ainda quando chego ao fundo do bar, à procura de uma mesa. Vejo alguns maratonistas cubanos que conheci durante a concentração e na chegada. Inicialmente, a minha intenção era permanecer ali por pouco tempo. No entanto, depois de longas conversas sobre a maratona e, principalmente, sobre a ditadura do proletariado, sobre a crise atual do capitalismo, resolvemos avançar na noite – no Havana Club -para os lados do Vedado... Acordo bem cedo no dia seguinte. Dia de voltar para casa, depois de mais uma maratona. E que certamente terá um enorme destaque entre as tantas outras que já participei. Já no café-da-manhã, início o relato desta maratona, que corri com tanto prazer e com admiração por esta cidade que um dia sonhei conhecer. LA MARABANA _ A Rua Brasil fica bem ao lado do Capitólio, onde se concentra a largada. Eu resolvo fazer um pouco o aquecimento aqui. Enquanto alongo-me, um grupo de corredores cubanos passa por mim. Eu vejo um entre eles descalço. Eu vejo também uma velha de mãos dadas a uma jovem menina. Ambas parecem felizes, como se mutuamente protegessem-se. E todos cumprimentam um grupo de basureros (lixeiros), como se fossem amigos do mesmo bairro. Um grupo de estudantes vindo da província de Pinar Del Río se junta àqueles corredores felizes e seguem em direção à largada. Depois de mais alguns minutos de aquecimento, deixo a Rua Brasil. Vou também em direção à largada. Junto-me a um pequeno grupo de maratonistas. Vladimir, de meia-idade, lembra bem um intelectual. Com muita satisfação, ele me informa mais alguns detalhes sobre a maratona. Depois, antes de voltar à largada, ainda converso com um alegre grupo de corredores da meia maratona. E eu, que sempre fui cético com relação ao trabalho empírico de Richard Easterlin (O Paradoxo de Easterlin), vejo ali na prática o grau de felicidade do povo cubano.Eu sei que naturalmente os maratonistas são, em sua maioria, felizes. Por uma aglutinação de vários fatores. Em virtude de estar neste ambiente, entretanto, não me impede também de confirmar o Paradoxo de Easterlin (Richard Easterlin, professor de economia da Universidade da Califórnia), o qual proclama que, ‘depois de preencher as suas necessidades básicas, o aumento constante na renda não influencia em nada no grau de felicidade dos seres humanos’. Isto, claro, em nível abrangente, coletivo. Chego de volta à praça dando um leve trote. A cada vez que chego aqui, eu admiro mais ainda esta praça. O Capitólio é o prédio principal e central. É uma réplica do Capitólio de Washington. E, afirmam os cubanos, ainda mais alto. Internamente e externamente é um prédio muito bonito. Hoje abriga o Departamento de Ciência e Tecnologia.Há pouco tempo que o sol nasceu. A temperatura gira em torno de 17 graus. Há uma brisa fria que sopra do Caribe, e que é perfeitamente suportável. Enquanto o sol se levanta, a praça vagarosamente enche-se. Eu percebo que há muitos corredores estrangeiros, principalmente da Europa. Também muitos canadenses. Alguns americanos, apesar de haver a proibição de americanos viajarem a Cuba. Também muitos maratonistas do interior e outras cidades de Cuba. Todos financiados pelo governo cubano. Ou seja, para os cubanos a Marabana é totalmente grátis, desde a estadia até a inscrição, segundo eles. Faltam poucos minutos para sete horas da manhã. Antes de posicionar-me na largada, apalpo os bolsos do meu short. Certifico-me dos oitos sachês de géis diferenciados, da cafeína, do tylenol que levo comigo por contingência e agora, principalmente, do tablete de sal... O sal é a bola da vez. Muito tem se falado da perda de sódio durante a maratona. A hiponatremia é atualmente o fenômeno que mais atormenta os corredores de longa distância. Notadamente depois do Km 30. A hiponatremia, na realidade, ocorre depois de uma perda exagerada de eletrólitos. Com a perda de sódio, magnésio e potássio surgem as dores musculares, câimbras e aumento no batimento cardíaco. A ingestão excessiva de água durante a maratona agrava a situação. O rendimento cai drasticamente. O ideal, diz Dr. Lewis G. Maharam, diretor-médico da New York Road Runners, é que se ‘tome um copinho de água a cada vinte minutos de corrida’. É evidente que isto depende um pouco da variação da temperatura. Mas, mesmo assim, é um contra-senso beber água exageradamente. O ideal nestes casos (de muito calor) é resfriar o corpo com muita água, se possível gelada, derramando-a na cabeça, nos pulsos e nas costas. Antes de ouvir o som da corneta de largada, mecanicamente procuro no pulso o GPS. Pela primeira vez, em 29 maratonas, vou correr sem cronômetro. Propositadamente nem o trouxe comigo do Brasil. Quero correr esta maratona o mais confortável possível, mesmo porque é a sexta deste ano. E quero sentir o prazer de correr uma maratona sem marcar tempo a todo instante. No primeiro quilômetro, vou passando por edifícios coloniais da Velha Havana. Uns bem preservados, outros decadentes. No geral, eu os aprecio muito. Enquanto os observo, vou tentando estabelecer o ritmo sem muito esforço. Os batimentos cardíacos também, os quais já consigo controlar sem o monitor. Entrando no segundo km, vejo o Hotel Sevilla e me lembro de Graham Greene em ‘Nosso Homem em Havana’. Há no livro uma passagem, ali embaixo da balaustrada, o assassinato do turista holandês na Havana à beira da revolução castrista. E eu imagino se realmente houve o crime ou apenas uma invenção bem elaborada de escritor. Depois do segundo quilômetro, passo em frente ao Museu da Revolução. Um belo edifício dos anos 20 de estilo neoclássico, residência de vários presidentes antes da revolução. Aqui possuem a completa documentação, fotos, filmes da libertação cubana. Assim como o barco Granma. E também várias homenagens à vitoriosa batalha da Baía dos Porcos. Vou correndo no início displicentemente. Apenas vendo os quilômetros passarem lentamente, como em slow-motion. Logo depois do Museu da Revolução, em torno do terceiro km, aproximo-me lentamente de uma maratonista morena, alta, cabelos lisos e pretos. Alargo o passo. O meu pace é confortável. Ela sente que me aproximo. Mas não olha para trás. Quando fico lado a lado, falo com firmeza: ‘Qué tal, guapa?’ ela me olha machadianamente. O rosto belo e suave brilha de suor. De novo, ela me olha, agora com um aspecto incisivo e interrogativo. Incrivelmente, ela tem olhos dourados, beirando o tom amarelado dos lobos. E, entretanto, como uma gazela, ela parece correr sem esforço algum. Confesso que gostaria de ter tido uma longa conversa. Mas ela foi demasiadamente sucinta, monossilábica. Talvez ela não estivesse bem treinada para falar correndo. Perceptivelmente a respiração tornou-se ofegante. Quando se aventurava a falar um pouco mais, falava muito rapidamente, como todo cubano (perdão, feministas), um espanhol quase incompreensível. Ela voltou à sua concentração, misteriosamente, depois de trocarmos informações banais sobre Cuba e Brasil. E eu, lentamente, acelero e vou deixando-a para trás. Poucos minutos depois, estou correndo no Malecón. Vejo à minha esquerda o sempre visível Castillo de la Punta, com o seu indefectível farol. Viro à direita e vejo toda a orla por onde vou correr os próximos 11 quilômetros. O Malecón é a longa avenida da orla marítima mais famosa de Havana. Aqui, o vento sopra com força – ainda vestígios do furacão Paloma, que passou por aqui semana passada? Agora prefiro correr só. Há um grupo à minha frente, mas prefiro apenas escutar o barulho das ondas se chocando no quebra-mar de tempos em tempos. E nesse ínterim, ouvir também o som da cinética humana. Os passos ritmados. É fascinante! Após pouco mais de uma hora de corrida (calculo superficialmente pela quantidade de quilômetros), entro no Vedado, o bairro moderno de Havana. A arquitetura bem diferente da Velha Havana e Centro Havana. Há alguns cinemas. Algumas pizzarias e bons restaurantes. Aqui, à noite, o bairro se transforma. E divide-se em territórios. Há o pedaço dos maricones no final do Malecón. Há os dos mais ou menos punks, dos travestis, das lésbicas e prostitutas de luxo. Todas estas tribos convivendo aqui pacificamente, numa sociedade socialista!!! No bairro Colón, vejo meu compañero de maratonas Paulo Costa, acompanhando um grupo de peruanos. Aproximo lentamente e me envolvo também no alegre bate-papo. Alterno sistematicamente entre os participantes deste simpático grupo, enquanto vou reconhecendo as ruas deste bairro, cenário constante do livro ‘A Trilogia Suja de Havana’, de Pedro Juan Gutierrez. E assim vamos, em grupo, de volta para Centro Habana, onde passaremos pela meia-maratona. Quando entro na Plaza de la Revolución, vejo com estupefação o enorme rosto de Che Guevara. Mesmo o imponente monumento a José Martí, no centro da praça, torna-se pequeno, diante da forte presença da silhueta do Che. É uma praça enorme, bem conservada e de uma suave beleza harmônica. Finalmente, chego à meia maratona. Agora tenho que repetir o mesmo percurso. A Marabana é assim. Como muitas outras maratonas pelo mundo afora. Os corredores da maratona passam pela chegada da meia maratona. A diferença aqui é que repetiremos o mesmo percurso anterior. Neste momento, a quantidade de corredores diminui extraordinariamente. Restam apenas os bravos guerreiros da maratona. E então eu me lembro de Albert Camus em O Mito de Sísifo. Ainda melhor que os deuses não me condenaram ao absurdo do esforço repetitivo eterno. Volto a passar em frente ao Museu da Revolução. Agora por volta do km 23. Então, percebo que o mar enfureceu de vez lá no Malecón. E o vento sopra muito mais forte ainda. Agora, a ressaca molha toda a avenida, jogando uma enormidade de água sobre os corredores. E com esta extrema dificuldade enfrento todo o trajeto de volta, com um sem-número de subidas e descidas. Bem perto do final, por volta do km 41, passo por um americano. Ouço claramente as suas exclamações exasperadas: ‘Godamm, It hurts all over, fucking legs!’. Tento animá-lo. Mas sei que, nesta situação, não há nada a fazer, senão arrastar-se com resignação até ao pórtico de chegada. Atravesso finalmente o pórtico de chegada. Depois de ter corrido tantas maratonas, já não sinto mais emoções fortes. Quando cruzo a linha de chegada, não choro. Não que considere um clichê mencionar isso. Na realidade, o que sinto é um estado de êxtase. Uma sensação física de liberdade. Provavelmente desencadeada por reações químicas alimentadas por grandes quantidades de endorfina. No entanto, esta maratona em particular me emocionou profundamente. Principalmente por estar aqui no meio deste povo tão sofrido e tão alegre ao mesmo tempo. Por isso que, em maratonas como esta, eu não busco coroa de louros. E nem procuro bater o meu próprio recorde constantemente. Eu busco sempre conhecer a história de vida dos corredores, dos fatos históricos, da origem das cidades por onde corro. E assim exaurido e entorpecido, sento no meio-fio. Com o corpo molhado, cabelos desgrenhados e a medalha no peito, observo os basureros removendo alegremente a sujeira da sarjeta e da área de chegada. Vejo alguns policiais em dupla admirando os corredores que vão e vêm displicentemente. Os pedintes que me estendem as mãos. E o mulato Lorenzo que se aproxima querendo apenas a amizade de um brasileiro. Vejo os felizes retardatários da maratona, incansavelmente, chegarem com total satisfação. A felicidade estampada no rosto por mais uma maratona. E com toda esta atmosfera suave, inundada por um sol flébil e morno de outono, eu me lembro da minha frase preferida do Che: ‘As tantas rosas que os poderosos matem nunca conseguirão deter a primavera.’

Minha 3ª Maratona, A de Berlim

Gostaria de compartilhar com amigos, familiares e com os colegas da TRIAÇÃO a emoção de ter participado de minha terceira maratona, a de Berlim. Após realizar com facilidade a inscrição em abril via internet, iniciei os treinos específicos com meus companheiros de corridas Luís Antônio e Marcos Lima, buscando nestes quase seis meses de treinamentos emagrecer, eis que estava pesando 78 kg com 1,74 m de altura, e ganhar velocidade para melhorar meu tempo em maratonas, baixando de 3 horas e 40 minutos. Foram muitos treinos intervalados para aumentar a velocidade e longões acima de 30 km, chegando ao pico de 35 km, enfrentando todas as dificuldades de uma cidade mal estruturada para o esporte, especialmente a corrida, como é Salvador, além de fatos inacreditáveis como um ataque de um cão Rottweiler que eu e meus amigos sofremos durante um treino no Parque Metropolitano de Pituaçu. Faltando 03 semanas para a maratona o desrespeito a uma regra básica, o descanso, fez com que minha imunidade baixasse e fosse acometido de uma forte virose, a qual acarretou a suspensão dos meus treinos durante uma semana, trazendo prejuízos físicos e psicológicos, ante o desafio que é completar uma corrida de endurace. Recuperado e de volta aos treinos, na semana que antecede à prova passei a acordar 02 horas antes do normal para começar a me acostumar com a diferença de 05 horas de fuso horário de Salvador para Berlim. Após uma viagem longa e cansativa, chegamos na sexta-feira e fomos direto à Feira pegar o Kit da corrida. A Expo é grande e organizada, apesar de estar completamente lotada e os preços nada atrativos, principalmente com a cotação do euro em alta. Todas as grandes marcas esportivas presentes, principalmente a patrocinadora da corrida, tendo o etíope Haile Gebrselassie como sua principal estrela. A entrega do kit com o chip foi rápida e eficiente, bem no estilo alemão. Após um rápido passeio no sábado para conhecer um pouco a cidade de Berlim e principalmente a estrutura da prova montada no bonito parque Tiergarten, retornamos ao hotel para descansar e deixar tudo organizado para não esquecer nada no dia seguinte. Fomos para o local da largada eu, Luís e Marcos, este último estreando em maratonas, com uma temperatura de 12º C com o céu limpo e azul, fazendo com que a capital alemã ficasse ainda mais bonita. Impressionava a quantidade de corredores de todas as idades e nacionalidades, incluindo muitos brasileiros, além da organização nos guarda-volumes para 40.000 corredores e na distribuição de capas para nos protegermos dos ventos frios. Tudo pronto, nos dirigimos para a largada com antecedência de 40 minutos, tempo suficiente para conversarmos com outros corredores e nos concentrarmos, revisando toda a estratégia de corrida. Às 09 horas, pontualmente, é dada a largada, sendo esta feita em ondas de acordo com o tempo de cada corredor, estando todos divididos em baias, fato este que evitou ‘atropelos’ e ‘engarrafamentos’ muito comuns em corridas no Brasil, especialmente na Volta da Pampulha e na Meia do Rio. Seguindo o programado saio com o ritmo variando entre 05:08 e 05:10 min/km. Apesar da temperatura estar agradável, a umidade estava alta, fazendo com que eu já estivesse completando suado já no km 10. Aí a primeira crítica, e talvez única, à organização!! A maioria dos postos de hidratação não oferecia bebida esportiva e quando tinha ficava em uma pequena mesa após os copos de água, o que dificultava e às vezes impossibilitava se hidratar corretamente. Em 2007 na minha segunda maratona, na Filadélfia/EUA, era oferecido isotônico a cada milha e de forma abundante e organizada. Mantendo o mesmo ritmo do início da prova, passei pela meia maratona com 01h50min e me sentindo muito bem! De repente, no Km 22, em plena Martin-Luther-Strabe, passa um ‘raio’ do meu lado, era Luís, meu amigo que tinha saído com um ritmo mais lento e que, após o km 10, começou a correr a 04:45 min/km na tentativa de alcançar o pacemaker de 03h30min. Resolvi acompanhá-lo, mas o ritmo estava muito forte e, após dois km, tanto ele como eu voltamos ao pace de 05:08 min/km, até porque ainda faltavam quase 20 km para o pórtico de chegada. No km 30, Luís sentiu um princípio de câimbra e foi obrigado a diminuir o ritmo, muito provavelmente pelo esforço que fez nos 20 km anteriores para melhorar seu tempo. Naquele momento me despedi do meu amigo, pois continuava me sentindo bem no ritmo de 05:08 min/km estimulado pela população que enche as ruas da cidade para aplaudir os corredores. Corria normalmente quando resolvi parar em um posto de hidratação para pegar um copo de bebida esportiva (pois tinha que parar para conseguir pegar!!!). Que arrependimento!! Talvez por ter parado bruscamente, talvez por não ter bebido isotônico anteriormente, talvez pelo cansaço, senti um princípio de câimbra! Pensei, vou alongar! Pensei melhor, vou correr num ritmo mais lento e tranquilo! A partir daquele momento corri a 05:11 min/km sempre acompanhado de pequenas fisgadas de câimbra, principalmente na parte posterior da coxa! Foram nos últimos 7 km desta maratona que tive a certeza absoluta de que para se completar maratonas você tem que estar bem preparado fisicamente e psicologicamente, eis que no momento em que a parte física está completamente desgastada é a força mental que lhe ‘empurra’ para atingir o seu objetivo. Naqueles instantes lembrava de todos os treinos, da torcida de minha namorada e de meus familiares e amigos. Tudo que eu queria naquele momento era entrar na Av. Unter den Linden e visualizar o Portão de Brandemburgo, o que me daria a certeza de já estar chegando. Quando avistei a Catedral Berliner Dom comecei a sentir a emoção de estar completando a minha terceira maratona. As minhas energias estavam esgotadas, mas as milhares de pessoas vibrando, as crianças estendendo os braços para batermos em suas mãos e os gritos de Brasil fizeram com que voltasse ao Tiergarten e cruzasse feliz a linha de chegada em 3:41:56, melhorando em 06 minutos o meu tempo em maratonas, apesar de não ter conseguido baixar de 3h40min. Marcos e Luís completaram em 03:51:50 e 04:02:10, respectivamente. Registre-se que no meu GPS marcava a distância de 42,90 km e ritmo médio de 5:09 min/km, fazendo com que meu pace oficialmente fosse de 05:15 min/km, o que provavelmente decorreu do fato de ser impossível correr na diagonal em maratonas grandes e concorridas como a de Berlim, sob pena de chocar-se com outros corredores principalmente nas curvas. Após completada a maratona, só queria reencontrar meus amigos para comemorar bebendo uma boa cerveja alemã, passear e conhecer a linda cidade de Berlim como turista, além de, porque não, já pensar no próximo desafio de 42 km! Como fala meu amigo Marcão: SELVA!!!

Meia Maratona da AVAB

Eu precisava participar de uma meia maratona. Os colegas que fazem parte do grupo Triação - São Rafael estão todos indo para o Rio, agora em Outubro e eu por falta de planejamento, infelizmente não poderei estar participando da bela Meia Maratona do Rio de Janeiro (que já tive o prazer de participar - 2006). Eu precisava participar de uma meia maratona e o que me restou, a única meia que acontece em Salvador até o final do ano. Pois é ... a Meia Maratona da AVAB. Eu sou bem disciplinada, mas devo confessar que nas últimas semanas os meus treinos ficaram bem irregulares! Então Diogo me disse: - Pat quer participar da Meia da AVAB, olha só, não tem estrutura nenhuma. E eu imediatamente disse: - Quero. Pode me inscrever. A inscrição foi feita e eu na dúvida participo ou não?!? Tentei influenciar algumas colegas, mas nada, ninguém queria realizar essa prova. É chegado o dia da prova e como Diogo falou, muito diferente das provas que até então eu tinha participado, mas eu já estava lá. Do nosso grupo somente dois participaram, comigo três. E Anísio, me disse: - Pat fique tranquila estou só treinando... vou realizar essa prova toda com você. Fiquei feliz, ele seria o meu apoio. É dada a largada na Lagoa do Abaeté e vamos nós tranquilos, ritmados e conversando muito. Por volta do quilômetro 2,5 encontramos a minha irmã e ela disse: - Tem muita gente atrás de vocês. O clima estava fresco e o Sol ainda não estava forte. Eu a todo momento falava para Anísio ficar extremamente à vontade se quisesse largar, mas ele foi muito cavalheiro e companheiro, dizendo que me acompanharia até o final. Chegamos ao Parque de Pituaçu ainda inteiros é claro, afinal de contas só tínhamos percorrido 6 Km, encontramos Diogo e ele disse para irmos devagar. Falei para Anísio que eu iria manter o ritmo e que não me sentia à vontade para aumentá-lo contei com o seu apoio mais uma vez e continuamos ainda conversando, estava muito fresco no Parque e assim conseguíamos passar por alguns que imagino terem se empolgado logo na largada. Anísio me perguntava se eu estava bem e eu respondia que sim. Estava tudo controlado a contar com hidratação a todo tempo ao nosso lado. Eu não prestava muita atenção nas placas sinalizadoras eu queria era vencê-las uma a uma, mas o meu amigo estava ligado a cada uma delas. Por volta do quilômetro 15 as conversas ficaram espaçadas a medida que o Sol ficava mais forte e a temperatura corporal aumentava podia notar que a nossa disposição não era mais a mesma. E o que nos dava ânimo? O apoio do ciclista do Triação, Dênis. Passei a achar que eu estava melhor que Anísio e agora era a hora de retribuir o seu apoio: - Vamos Anísio falta pouco. E ele a sonhar com um chuveiro frio e com uma maratona em Porto Alegre. As subidas no final tentavam nos desanimar, mas eu não desanimava e tentava passar isso para ele. A prova passava a ser de resistência e nós tínhamos que chegar. Afinal de contas estávamos nos últimos quilômetros. Finalizamos a prova e estavam lá nos esperando: Diogo, Flávio e minha irmã Andréa. Fica a sensação de dever cumprido e como meta participar da minha primeira maratona o ano que vem, possivelmente a Maratona de Porto alegre. Ana Patricia.

Maratona de Punta Del Este

Com uma chuvinha fina e persistente até quase o final, esta primeira edição da maratona (www.maratondelpuntadeleste.com.uy) inicia bem organizada. A temperatura de 8 graus e um pouco de vento, o qual altera levemente a sensação térmica. Nada que atrapalhe. Logo depois da largada visualizamos a beleza do percurso. Saímos do centro de Maldonado em direção a Punta Del Este, passando por parques e ruas belíssimas. Ao chegarmos a Punta, sentimo-nos verdadeiramente emocionados diante do deslumbrante percurso. Nem sentimos a presença de um pouco de vento frio mais forte da orla. Então, corremos toda à volta da península inteira passando por lugares lindos. O Casino Conrad. Os parques. Os edifícios luxuosos da orla. As ruas fechadas ao trânsito que nos levam de volta a Maldonado, ao centro da cidade. É uma prova para – aqueles que querem – bater o próprio recorde. As subidas são poucas e desprezíveis. A temperatura um pouco fria no início, mas que, no final, chegou a 13 graus. A ideal para uma maratona. Excelente maratona para ir com alguns amigos. E festejar um bocado. Fomos em quatro desta vez. Eu, Gustavo - Guga - com um tempo extraordinário para a sua primeira maratona: 3:06:42 -, Paulo Costa e Yuri. É uma maratona pequena sem dúvida. Mas com uma logística ideal para os estrangeiros. A largada e chegada são no mesmo local. Há uma certa facilidade para retirar o kit dos corredores. A pasta party é simples, no entanto condizente com o propósito e a dimensão da maratona. E, last but not least, a excelente receptividade do povo uruguaio aos brasileiros. Ney Caires.

A Maratona da Filadélfia

Quando primeiro decidi correr uma maratona por volta de 25 anos atrás, achava que não possuía o ? physique du rôle? de um maratonista. Mas fui em frente. Hoje, 21 maratonas depois, finalmente considero-me um maratonista? de corpo e alma. Lembro-me perfeitamente desta primeira. Era a Maratona Atlântica-Boavista, do Rio de Janeiro, de longe, à época, a melhor da América do Sul. Ela iniciava no final da tarde, no Leme. Desta maneira, já noite fechada, ainda corríamos por Ipanema, Leblon e Copacabana. A temperatura ajudava muito. Era sempre no Inverno. E por causa disso, aliada à minha tenra idade, consegui as minhas melhores performances. Pouco tempo depois, esta maratona acabou, para decepção de muitos maratonistas. Por que me lembro destas maratonas tão distantes, após já ter corrido tantas maratonas? Certamente porque, nos últimos tempos, sinto falta de maratonas low profile, mas cheias de emoções. Certamente porque também sinto saudades daquelas em que você corria sem se preocupar com o cronômetro, com o chip, com a competição com os colegas. E, sim, preocupar-se com o prazer de cruzar a linha de chegada. De levar a medalha para casa. De exibi-la aos melhores amigos. De guardá-la com carinho. As maratonas devem nos deixar boas recordações. E não sofrimento. Mesmo nas mais duras intempéries da natureza, devemos guardar as boas lembranças. Os pontos positivos. E esquecer as dificuldades. Lembro-me com detalhes, por exemplo, de um velho alemão de chapéu bávaro verde aplaudindo-me numa esquina do centro velho de Munique. Assim como me lembro de um garoto loiro cabelo porco-espinho ávido a tocar a minha mão, já bem perto da chegada, no Englischergarten, também na Maratona de Munique. Mais de dez anos já se passaram. E ainda são boas lembranças que permanecem indeléveis em minha memória. Estas maratonas menores, na realidade, são as que sempre nos remetem a lembranças profundas e inesquecíveis. Por isso, escolhi a quase imperceptível Maratona da Filadélfia neste mês de novembro. Portanto, queria compartilhar e, de certa maneira, relatá-la para o leitor que porventura chegou até aqui. São quase cinco horas. O sol ainda não apareceu. Levanto-me e círculo um pouco pelo meu quarto de hotel. Faço algumas flexões de braços. Dou uma olhadela nos meus apetrechos de corrida minuciosamente arrumados sobre a mesa. São chip, cronômetros, géis, número, band-aids etc.? Eu preciso tranquilizar-me com estes detalhes? - penso. Daqui a poucas horas, já estarei na concentração de largada. E ainda tenho o longo ritual preparatório. Ir ao banheiro várias vezes, o lento café da manhã, feito por nós mesmos? eu e meus colegas de quarto Yuri e Paulo. O preparo psicológico. A definição da escolha do pacemaker. É evidente que cada maratonista tem a sua mania. Tem o seu ritual. E o meu, acho, é um pouco díspare da normalidade. Vou à janela e vejo a luz néon de um sexshop bem distante refletindo um caleidoscópio incessante sobre o orvalho que molhou levemente a rua larga e já movimentada de corredores. E fico ali pensando na letra de? Streets of Philadelphia? de Bruce Springsteen, este hino maravilhoso em favor dos doentes, dos excluídos, dos pobres, dos negros americanos. Fico ali pensando como seria esta cidade há duzentos anos, quando ainda era a capital dos Estados Unidos e o presidente Adams transferiu-a para Washington. Certamente uma província nos padrões de hoje de cidade. E que, embora não tenha crescido enormemente, é uma cidade moderna. E que tem também o seu charme. Mesmo que esteja um pouco fora do roteiro turístico americano. O frio é intenso. A temperatura não passa dos 3 graus C. Eu sei que a temperatura ideal é em torno de 13 graus para correr uma maratona. Ou seja, com uma temperatura assim tão baixa, acaba sendo desfavorável. Mas o fato é que nem sempre tudo é ideal. Às vezes, enfrentamos calor, vento, alta umidade, frio intenso etc. E o que devemos fazer é simplesmente correr e levar a medalha para casa. Este, acho, é o objetivo primordial do maratonista amador. Bem, chegou o momento de ir em direção à largada que fica na Ben Franklin Parkway, bem em frente ao Museu de Arte da Filadélfia. Nas escadarias deste prédio, Rock Balboa costumava treinar antes das lutas de boxe? acredito que quase todo mundo assistiu aos filmes da série. Uma estátua enorme de Rock foi colocada bem ao lado destas mesmas escadarias, propositadamente em agradecimento à grande divulgação que Rock deu e vem dando à cidade. Daqui a poucos minutos será dada a largada. Os quinze mil participantes enchem a bela avenida do parque. Prudentemente, colocamo-nos bem junto do pelotão de elite? eu, Paulo, Yuri, Luis e Marcelo-, a fim de evitar o trânsito inicial. Eu sempre digo que, desta maneira, não precisamos ligar o transponder. Evita-se desgaste e perda de energia. O que é crucial numa maratona. A largada é feita sem problemas. Apesar do frio cortante e o windchill- sensação térmica- acentuarem após a retirada dos agasalhos. Aproximo-me do pacemaker de 3h20min. É uma nova estratégia que pretendo implementar. Ou seja, sair mais forte no início. E administrar bem o segundo tempo da maratona. Eu vim correr a maratona da Filadélfia a fim de conseguir o índice para Boston. Na minha faixa etária -50 a 55 anos- é de 3h35min. Não é difícil, mas fico apreensivo. Falta-me Boston para completar as Five Major Marathons (Boston, NY, Chicago, Berlim, Londres). Então, corro com esse objetivo, embora tenha evitado isso ultimamente: correr no limite, intensamente. Os primeiros dez quilômetros foram feitos na normalidade. Algumas subidas, mas desprezíveis. Depois disso, surgem outras subidas, agora íngremes. E não era esperado isso. Assim surgem várias outras subidas, até a meia-maratona, quando passamos pelo mesmo ponto de partida (como é em Porto Alegre). A partir do km 32 abandono o pacemaker de 03h20min. Já com muita folga para o índice de Boston, corro agora num ritmo confortável. O que é muito bom. Consigo apreciar bastante a beleza desta cidade. Contemplar o Schuylkill River. E toda beleza circundante. Assim, chego ao final um pouco deteriorado pelo frio, mas contente com a realização do índice de Boston. No tapete, olho e paro o meu garmin: 3h29m52.? É tempo de 22 anos atrás?? penso comigo mesmo. Eu tenho muito mais para contar, mas deixo todo o resto para o relato completo que guardo nos meus arquivos. Mesmo porque eu sigo o conselho de Voltaire:? Se vocês desejam entediar seus leitores, contam-lhes tudo?... Ney Caíres - neycayres1@hotmail.com

Maratona de Chicago

Depois de uma semana corrida, retornando à vida normal depois de 10 dias de férias inesquecíveis, somente hoje tive condições de parar e dedicar um tempinho para escrever algumas palavras de agradecimento para pessoas que tiveram uma participação muito especial na conquista desse sonho de completar ?The Chicago Marathon 2007?. Como não poderia deixar de ser, começo por João, meu porto seguro, a quem dedico minha vitória. Não tenho dúvidas de que o seu apoio quase incondicional (com a pequena ressalva das unhas dos pés), desde o momento em que decidi voltar a Chicago para correr a Maratona, foi decisivo para que eu conseguisse êxito no meu intento. Foi pensando nele e em nossas filhas que percorri cada um dos 42 Km, determinada a voltar para casa carregando minha medalha, a qualquer custo. Momentos como o que vivemos juntos nesses últimos meses, principalmente naquele domingo de 07/10/07, serviram para reafirmar ainda mais o amor que sinto por aquele que escolhi para dividir minha vida e ter ainda mais certeza de que continuaremos juntos para percorrer uma longa jornada. Agradeço também a Diogo e Paulinho, profissionais extremamente competentes e dedicados, que devem se orgulhar do excelente trabalho que vêm realizando com toda a equipe da Triação, da qual nós, os ?Maratonistas de Chicago?, somos apenas um dos mais recentes frutos. Vocês merecem tudo o que estão conquistando e certamente ainda vem muito mais pela frente. Outro saldo positivo dessa empreitada foi ter conquistado a amizade do casal Firmeza! Lica, não apenas uma grande parceira de algumas centenas de quilômetros de corrida, mas uma verdadeira amiga que tive a felicidade de ganhar neste ano de 2007. A empatia entre nós duas já existia, por certo, mas confesso que não imaginava que teríamos tanta afinidade, o que fomos descobrindo ao longo das nossas intermináveis conversas, que começavam nas ruas, logo cedinho, e se estendiam aos telefonemas noturnos, para trocarmos as novidades colhidas durante o dia. E olhe que nunca faltou assunto, muito pelo contrário, até hj tem sempre uma coisinha que escapa para o dia seguinte! Não tenho dúvidas de que nossa amizade veio para ficar. Olhe! Preciso também fazer uma menção honrosa para meu querido coach Firmeza, principalmente pelas madrugadas de sábado, dedicadas a nos brindar com a sua companhia sempre animada e motivadora. Casal Agareno, responsável por meu ingresso na Triação. Nossos laços de amizade foram se estreitando ao longo desses seis anos de convivência e temos a felicidade de poder ver nossos filhos crescendo juntos. Tive também o prazer de dividir com Sydney grandes momentos dessa árdua jornada em busca do sonho de completar uma maratona e gostaria de deixar aqui registrado que ele se mostrou um verdadeiro guerreiro e deve verdadeiramente se orgulhar disso! Estaremos juntos, firmes e fortes, na próxima empreitada, em que espero contar com a presença adorável da minha querida Jojó, uma amiga de verdade, que faço questão de cultivar. Jorjão, uma grata surpresa. Não fizemos tantos treinos juntos, mas certamente o objetivo comum contribuiu para a nossa aproximação. Ao final, pude descobrir que já tínhamos formado não apenas uma equipe, mais um grupo de amigos, juntos em busca de um sonho que tivemos o prazer de conquistar. Parabéns pela sua garra e determinação! Há! Como esquecer do nosso querido Dênis?! Com sua magrela inseparável, ele teve também um papel decisivo nessa conquista, não apenas com a sua hidratação, mas, principalmente, com a sua presença espirituosa. Não foram poucas as vezes, durante os intermináveis treinos longos, que nos entreolhávamos e fazíamos internamente a mesma pergunta:? Dênis falou isso mesmo ou será que estou tão cansada que já estou delirando?? Brincadeirinha, Dênis, vc é um amor e suas dicas durante os treinos foram todas devidamente assimiladas e aplicadas. Bom amigos, o que posso dizer é que já estou sentindo um verdadeiro vazio, principalmente hoje, uma manhã de sábado, que costumávamos estar todos juntos a essa hora, com aquela sensação gratificante de ter concluído mais um longão, tomando nossa ?mamadinha?. Vou sentir falta de cada um desses momentos que vivemos juntos, os quilômetros de corrida, as histórias de Dênis, as planilhas, os suplementos, o caixa das despesas, enfim, tudo que envolveu esse nosso projeto. Até a próxima, se DEUS QUISER, com todos juntos outra vez! Beijo no coração de cada um de vocês!Mila.

Maratona de Porto Alegre

Quatro anos depois estou eu aqui novamente na indubitavelmente melhor maratona do Brasil. E por causa disso, estou repetindo-a. Na maioria das vezes, não repito a mesma maratona. A maratona de Porto Alegre é, na minha visão, a melhor do Brasil e, talvez, da América do Sul por vários fatores: ela é totalmente plana; bem organizada e com uma temperatura ideal (entre 8C e 15C); os postos de hidratação e alimentação estão localizados nos lugares perfeitos e condizentes para uma corrida tão longa; e, a partir da meia maratona, quando o corpo dá os primeiros sinais de decadência, o público incentiva muito. É também a melhor maratona do Brasil para iniciantes. Sabe-se que a primeira maratona é sempre difícil em qualquer lugar, mas, aqui em Porto Alegre, vários fatores contrários aos iniciantes são mitigados pelo fato de correrem uma maratona extremamente fácil? a largada e a chegada estão localizadas no mesmo local; a meia maratona é justamente no ponto de largada. E isto é muito bom. Há um incentivo maior. Além de existir a maratona de revezamento e a rústica de 10 km paralelamente. Já participei de várias maratonas no mundo (Nova York, Paris, Londres, Munique, Chicago, Berlim e várias outras...), porém, com sinceridade, afirmo que Porto Alegre, com sua simplicidade e dimensão, não deixa nada a dever a nenhuma dessas citadas, em termos de emoção e prazer de correr uma bela maratona. Este ano a maratona foi ainda mais emocionante para mim, pelo fato de vários colegas da Triação terem participado. Além de outros colegas de várias equipes de corrida de Salvador. O que sinto é que a maratona de Porto Alegre, além de ser tradicional e por estar na 24ª. Edição, já se tornou referência para os maratonistas. E espero que continue assim, cada ano melhor. Sem dúvida nenhuma, vou repeti-la mais uma vez um dia!!! NeyCayres - neycayres@ig.com.br

A primeira, realmente, é inesquecível !!!

Salvador, 28 de setembro de 2006. A primeira, realmente, é inesquecível!!!!! Bem amigos, vocês lembram da cena da cena da suíça Gabriele Andersen chegando quase caindo no final da maratona de Los Angeles em 1984? Sempre tive essa cena na minha cabeça como sendo a mais marcante quando se falava em esporte, mesmo sem nunca ter imaginado correr uma maratona. Ficava imaginando o que levava uma pessoa a se submeter a uma situação daquela, pelo simples fato de ter que passar uma? simples? linha de chegada. Pois bem, nesse último domingo na Maratona de Berlim, passei a valorizar mais ainda aquela cena e entender que aquela linha no chão, não era apenas uma? simples? linha de chegada. Sempre que planejamos algo na vida devemos também ter maturidade suficiente para saber o que fazer quando esse planejamento começa a se distanciar um pouco do roteiro inicialmente tramado. Incentivado por meu grande amigo Dermeval, tomei a decisão de treinar para uma maratona internacional, considerada uma das melhores do mundo. Juntamente com meu treinador Diogo, fizemos um planejamento de três meses e mais duas semanas, que durante 10 (dez) dias teve que ser interrompido por conta de uma virose. Todo programado fiz a viagem com 03 dias de antecedência para? tentar? me adaptar ao fuso de 05 cinco horas!!!! Confesso que cheguei e sai e não consegui me adaptar bem. Na véspera da corrida, como todo bom corredor quase não consegui? pregar os olhos? é por isso que se diz que na véspera de prova, o atleta não dorme , ele ?aguarda a largada?. Chegando com uma hora de antecedência ao local que estava a cinco minutos do meu hotel, comecei a perceber a dimensão daquela festa. Muita gente, muita animação, uma loucura. Larguei no setor H, ou seja, aqueles que informaram na ocasião da inscrição, que iam correr com tempo superior a 4:15 h, literalmente era o? xaréu?. Muita gente fantasiada, muita gente com físicos assim, não tão parecidos com o biótipo de atletas, mas todos muitos dispostos e muito alegres. As largadas aconteciam aos poucos, acho que por setor, e a nossa aconteceu 20 minutos após a elite, 09:20 h. Temperatura em torno de uns 20 graus talvez, que no decorrer da prova deve ter chegado a uns 24 ou 26, acredito. Portanto não tive a experiência de saber como é correr no frio. Corri como corro em Salvador: short e camisa normal. Na largada colei em um dos únicos brasileiros que encontrei no decorrer da corrida , ele estava querendo fazer cerca de 05 horas, era um paulista , Otávio o nome dele .Estava também com a esposa, que ficou fazendo companhia a Manuela (minha esposa) na largada. Lá vamos nós, pista grande, tudo lindo, todos aplaudindo, criancinhas colocando a mão para gente bater ( por sinal, quase derrubo uma no começo !!!!! ). Lá pelo Km 10, passei com pouco mais de 01 hora, tudo dentro do planejado. Nessa hora me perdi do brasileiro com quem vinha conversando no caminho. Tudo bem, vamos para frente. Muita hidratação, muita festa e eu não parava de pensar no Portão de Brandemburgo ( local da chegada ). Começava a me lembrar das dicas que os mais experientes me passaram . Nas hidratações inclusive, segui o que meu amigo Duda Vasconcellos havia me falado: pare , beba e depois retorne a correr. Amasse o copo para fazer um bico , pois os copos são abertos ( e enchidos diretamente na torneira , uma porcaria, mas a água estava deliciosa ). Eu levei duas garrafinhas , as enchia ( direto na bacia ) e ia tomando pelo caminho aos poucos, fazia o mesmo com o isotônico. No km 20 estava pouco acima das 2 horas. Tudo ótimo. Meus problemas de joelho, lombar e virilha , não me incomodavam, havia feito muita musculação me prevenindo para isso. A alimentação estava perfeita, tinha perdido 06 quilos e seguido a risca tudo que minha amiga Andréa Burgos me passou. Nos dias anteriores, muita água e muita massa. Estava me preparando então para a tal barreira dos 30 Kms, mas do jeito que estava , ?nada poderia me deter?!!! Perto do Km 29 começou a doer a coxa e a panturrilha ao mesmo tempo, pensei : vai passar . Lá pelo Km 30 , travou tudo , parei e tentava alongar a panturrilha , travava a coxa e vice-versa . E agora ? O que fazer ? Por sorte logo adiante tinha um local para massagem . Parei, esperei liberar uma maca e comecei a fazer com uma alemã ( massagem !!!! ). A comunicação era horrível, êita língua difícil !!!. Estava portanto diante da tal? barreira? mas não era psicológica, era física. O que fazer? Voltar a correr? Claro!!! Corri mais um pouco e a dor só piorava. Pensei então: mudança de planos , vamos esquecer o planejamento das 04:30 h e partir para tentar completar a prova. Daí para o 35 estava ? rastejando? a mais de 7:30 por km. Mas a imagem do Portão de Brandemburgo não saía da minha cabeça. Eu vou chegar. Nessa etapa acionei o meu i-Pod que por ser de minha filha, tem uma trilha sonora meio diferente da minha e a primeira música a tocar foi ?Glamourosa?, nunca gostei tanto de ouvir um funk , ou sei lá o que, em minha vida . A propósito, a segunda música foi Festa do Estica e Puxa , de Xuxa , pode ? As bandas que tocavam ao longo do percurso eram bem esforçadas e animadas, mas algumas pareciam que os músicos estavam se encontrando pela primeira vez. Havia até uma banda de percussão onde todos estavam com a camisa do Brasil, mas pelo jeito só tinha?gringo?. A essa altura comecei a ser passado por todos aqueles fantasiados que vi no começo e não dei muita importância e até por um senhor com o braço na tipóia!!!!! As criancinhas, que antes eu quase derrubava, agora eram elas que quando eu batia nas suas mãos, quase me jogavam ao chão!! Parei novamente para mais uma massagem, meu medo era que travasse tudo e eu não conseguisse mais andar. No km 38 encontrei com Manuela minha esposa que sorridente tirou umas fotos minhas e perguntou se eu estava bem, apenas respondi que ainda estava vivo e que ia chegar. A essa altura queria saber apenas quando chegasse se estaria igual ou pior a corredora que falei no começo. Mentalizei então : só falta correr o equivalente a ir do ISBA ( Ondina ) até o Yate ( Barra) e espero que sem aquela ladeira. Percebi então um tipo de corredores, que não sabia que existia nessas corridas, eram aquelas pessoas que correm sem relógio, param a todo tempo para confraternizar com os conterrâneos (param mesmo ), tiram fotos, filmam ( sim ,levam máquinas ), estão ali só para celebrar, não tem a mínima idéia do seu tempo. O seu objetivo é participar da festa até o final. No km 40 estava com 04:28 , foi quando o brasileiro que largou junto comigo me passou p e falou , ?vamos cara , a gente consegue, no´s somos fortes?. Pronto !!! Para que o cara foi falar isso? Comecei a chorar sem parar. Dobrando mais a frente já era possível ver o Portão de Brandemburgo, e tome-lhe choro. No i-Pod tocava o? Chicletão? , tentei me imaginar na Piedade no carnaval, com o ?pau comendo? , para ver se eu conseguia correr....pelo jeito se fosse verdade, eu iria ser massacrado, as pernas não mais obedeciam. Tudo que ouvimos antes da maratona, conseguimos lembrar como disse, afinal é muito tempo!!! Uma das mensagens que não esquecia era a que recebi de Marcos Leão no dia da viagem : ?o que é fantástico mesmo não é a prova, mas ter tido a coragem de começá-la?. Essa não saia da minha cabeça !!! Bem, a essa altura eu chegava nem que fosse me arrastando ( arrastando feito cobra, porque arrastando em pé eu já estava a muito tempo). Como bom brasileiro, saquei a minha bandeirinha do Brasil que tinha levado e coloquei na cintura ( esse item não pode faltar !!!! ), foi quando ouvi um grito de um brasileiro: ?levanta essa bandeira com orgulho meu velho, a gente é brasileiro, mostre para todo mundo? . Esse cara provavelmente não verei mais nunca e consequentemente não poderei dizer a ele a injeção de ânimo que ele me deu naquele momento , chorava sem parar , pensava muito no orgulho que seria para minhas filhas Bruna e Nina e procurava Manuela na arquibancada, foi quando ouvi em alemão algo parecido com Brasil no som e veio a minha imagem no telão com bandeira do Brasil, todos aplaudiam . Depois eu vi que eles aplaudem todos, mas naquele momento eu tinha certeza que todos os aplausos eram para mim......era a glória final : 4h 49m 21s !!!! Do km 40 até o final foram intermináveis 21 minutos !!!!! Passei pela ?simples? linha de chegada, trôpego e recebi a minha tão sonhada medalha ( Duda Bastos, lembrei de você falando da emoção da sua chega em NY , realmente é indescritível ). Como bom brasileiro , dei um jeitinho de voltar para fila e pegar mais uma medalha para meu treinador Diogo, afinal a vitória era dele também!!!! ( Por falar em brasileiro, lá a turma também faz xixi na rua, viu ? E homem e mulher, diga-se de passagem). Essa medalha inclusive, vi algumas pessoas utilizando no trabalho no dia seguinte, era motivo de orgulho entre os colegas. A turma que saiu comigo daqui do Brasil : Ney, Guga ( meu ídolo), Tandy, Duda Vasconcellos, Piaba, Ney e Oscar, foi muito importante nas dicas que me deram , por mais simples que podiam parecer . Eram todos veteranos de maratonas, mas todos calouros em Berlim. Espero poder enfrentar novos desafios com essa galera. Esse relato inclusive, faço para tentar ajudar alguns colegas para provas futuras, pois os que Ney fez e que eu li, me ajudaram bastante. O que aprendi para melhorar para uma próxima preparação? Acredito que o tempo ideal para a minha decisão, deveria ser de pelo menos 05 ou 06 meses, para ter tempo suficiente de pelo menos fazer mais uns longões. Mas a falha mais grave foi não seguir o conselho do meu amigo Oscar : no sábado eu além de fazer um regenerativo de 45 minutos, porque me perdi no parque, ?bati perna? pela cidade das 10 h da manhã as 20 h. Um crime !!! Fui dormir ( pernoitar ) com dor na perna e acordei ainda com dor na perna, nos mesmos lugares que sofri na corrida. Portanto, deixem o turismo para depois ( desde que não seja necessário descer escada , pois dói tudo depois da corrida!!! ). Acho que as programações turísticas tiverem que ocorrer, devem ser focadas na programação do evento : corrida com café da manhã no sábado, jantar de massas também na véspera, apreciar a corrida de patinadores no sábado a tarde ( muito bonita por sinal !!! ), etc. Outra coisa, alimentação é muito importante e esse eu sei que não foi meu problema, fui bem disciplinado como disse, só aproveitei a culinária alemã, depois da corrida ( e aproveitei mesmo, viu Andréa!!! ). Quando a genética não nos é muito favorável temos que ser bem criteriosos nos aspectos onde se requer disciplina. A ingestão do gel durante a corrida ( usei o GU ) é muito importante, foram 8 ao todo, começando no Km 10. Os batimentos cardíacos estiveram sempre sobre controle, não excedendo os 168 bpm´s. Alongamentos : acho também que não dei a importância necessária, me preocupei muito com meu problema de joelho e acho que nesse aspecto fui negligente, mas não sei se isso chegou a me prejudicar. A organização da maratona é espetacular , achei porém muita gente e em alguns locais a pista fica estreita e para aumentar um pouco o ritmo vc precisa passar pelo passeio o que lhe desgasta mais. Um exemplo interessante da organização : o chip custa 31 Euros ( não achei o sinal do Euro aqui no teclado !!! ) na feira e se no final da corrida vc devolver, recebe de volta 25 Euros em ?cash?. Pensei que seria uma bagunça, que nada !!! Muito organizado, se fosse aqui no Brasil , no máximo vc receberia um vale!!! Nunca deixem de perseguir o sonho de uma maratona, saiba que você é capaz. É uma coisa linda , muito gratificante e inesquecível. A primeira principalmente ,preocupe-se em chegar ( e inteiro de preferência ). Precisamos sempre estar focados em objetivos e metas. Sem desafios e sem colocar em xeque a nossa capacidade de superação, a nossa vida fica monótona e sem sentido. Esse exemplo eu vi quando já estava voltando para o hotel, mais de duas horas depois de acabar a corrida e ainda tinha um senhor no km 38 de muleta indo em direção a chegada. Não sei onde ele começou , nem se ele chegou, mas essa cena foi marcante!! Espero que a minha próxima seja no próximo ano e se possível também com um grupo de amigos, sobretudo para dividir as experiências e aflições durante os treinamentos. Abraços e beijos em todos.Liu

Correndo com stent, meu amigo do peito!!!

Três semanas após correr a maratona de Berlim 2006, num teste de esteira que realizo anualmente ouvi do médico a seguinte pergunta: Você já teve infarto? A pergunta me soou do outro mundo, quase um desrespeito ao meu espírito de corredor. A resposta {na tampa} foi a seguinte: Amigo, eu acabei de correr uma maratona há 3 semanas e nesta manhã dei 10 tiros de 800 m no limite. Sinto lhe dizer mas a sua máquina está errada. Uma tal de onda 'T' estava invertida. Eu pensei, coração de corredor não é pra dar nada errado. Tudo isto é muito estranho. Saí do médico desconfiado, 7 intermináveis dias depois, após uma sequência de exames culminando com uma cintilografia miocárdica, enfim o diagnóstico que eu nunca poderia imaginar: várias artérias coronárias com obstruções. Um coração isquêmico e parcialmente enrijecido. Demorei a acreditar. 23 anos de corridas e um coração cambalido. Era o fim! De repente o meu mundo desabou... Um? katrina? no mar de tranquilidade que era a minha vida até então. Nesta hora você para e pensa no pior. Mais alguns dias de aflição e eu me encontro na sala de hemodinâmica do Hospital Aliança fazendo um cateterismo e finalmente o diagnóstico final. A minha artéria coronária DA encontrava-se 90% obstruída em grande extensão. Nesta situação correr é risco de vida. A lembrança do grande James F. Fixx que morreu de infarto correndo me veio à cabeça neste momento. A esta altura uma notícia menos ruim passa a ser uma boa notícia e foi o que aconteceu. Eu já me dava como candidato a safena quando o meu médico me disse que uma angioplastia resolveria. Isto me deu um alento e me encheu de esperança. A imagem de uma cirurgia de safena, com o peito aberto simplesmente me aterrorizava. Não me deixaram sair do hospital tal a gravidade do quadro e 3 dias depois fui submetido a uma angioplastia e me colocaram um stent que irá agora me acompanhar para o resto da vida. Esta maravilha tecnológica que mais parece uma molinha? dilatou a artéria obstruída e restaurou o fluxo sanguíneo. Com isso o meu coração passou a receber mais oxigênio saindo do quadro grave de isquemia em que se encontrava. Passei um dia na UTI cardiológica preso à uma parafernália de fios e aparelhos. De olho no monitor via os meus batimentos. A cada batida um sopro de esperança. Pensava comigo: o velho e bom? coração não vai me deixar na mão. Todos esses anos de corrida e 4 maratonas teriam que fazer a diferença e fizeram. Dois dias depois, o grande dia. Tive alta e saí do hospital. Era um sábado de céu azul, daqueles bons para um longão. Chorei de alegria e emoção ao ver o sol e constatar que estava bem. Tinha sido a mais difícil das maratonas. O ambiente de hospital lhe fragiliza. Me senti voltando à vida, embora a insegurança e o medo de dar algo errado na fase de recuperação me inquietavam. No caminho de casa, a ida à farmácia que eu nem tive coragem de entrar. Eram tantos remédios! Fiquei do lado de fora e minha esposa entrou para comprá-los. Para minha surpresa passa um amigo correndo que também correu a maratona de Berlim e acena pra mim. Mais uma vez chorei, pois não me imaginava mais um corredor. Agora eu era um angioplastado, um cardíaco. Naquele momento voltar a correr era um sonho distante, quase impossível. Cheguei em casa e tudo começou a melhorar. Ver a minha filha de 5 anos que eu já não via há uma semana correr pra mim e me abraçar me deu novas energias e esperanças. O início desta nova fase é difícil. A insegurança toma conta de você. Você vive sobressaltado, achando que algo vai dar errado a qualquer momento. Sentia o coração o tempo inteiro. Uma semana depois voltei ao trabalho. Não consegui trabalhar, pois passei uma semana dando explicações. Ninguém acreditava como isto tinha acontecido justo comigo. Começaram as caminhadas na orla. Era andando e olhando o Polar o tempo inteiro. A impressão que eu tinha é que a qualquer hora o coração ia parar de bater. Foi uma fase difícil, pois cada corredor que por mim passava dava a exata medida de tudo que eu tinha perdido: a capacidade de correr. Nada como um dia após o outro. Aos poucos fui recuperando a confiança no velho coração e já conseguia caminhar 8 km por dia, 7 dias na semana. Aos sábados era o dia do longão, 11 km de caminhada. A cada dia me sentia melhor e passei a olhar mais o céu e o mar da orla que o Polar. Ainda assim era difícil. Eu caminhava, mas só pensava em correr. Era um sacrifício, mas necessário naquele momento. O meu médico, grande amigo e corredor, desde o hospital me dizia que eu ia poder voltar a correr. Eu acreditava, mas desconfiado, pois sou do tipo ver pra crer. Por fim este dia chegou. Há exatos 48 dias após a angioplastia, uma nova cintilografia revelou que a grande área isquêmica no meu coração havia desaparecido e o fluxo sanguíneo na artéria, antes obstruída, agora era normal. Foi a grande notícia que faltava. Correr já não era um sonho. Saí da clínica e fui correr acompanhado do meu médico, que sempre esteve presente nas horas mais difíceis e havia me prometido ainda no hospital, que a primeira corrida seria com ele. Ele sempre acreditou mais na minha recuperação do que eu próprio. A doença abalou a minha autoconfiança. Impossível descrever a minha alegria neste dia. De volta as corridas. Pouco importava se o pace tinha que ser mais comedido e as pulsações limitadas. O que importava era que eu estava com o pé na estrada de novo. Senti que era o recomeço. A minha autoconfiança deu sinais de vida e começou a fazer a diferença. Era o que eu mais precisava. Os dias seguintes quando corri sozinho foram só emoção. Era correndo e chorando. Choro de alegria e vitória após tantas privações. 3 meses se passaram e a vida voltou ao normal. Tive que emagrecer 9 kg. Correr agora tem um significado mais especial. Valorizo cada km percorrido e agradeço por poder fazer isto. Agora corro por prazer sem me preocupar com tempo, pace, etc. Voltei a fazer os longões aos sábados que considero o melhor dia da corrida. Doce sofrimento! O retorno às maratonas, antes um sonho impossível, sinto agora que é apenas uma questão de tempo. Tenho ainda que convencer a família e os amigos de que isto é possível, sem maiores riscos. Confio no meu amigo? Stent, o amigo do peito. Finalizando este relato, sinto-me no dever de alertar aos amigos corredores que, um acompanhamento cardiológico adequado é fundamental para garantir a nossa saúde cardiovascular. Infelizmente, ao contrário da crença estabelecida, correr não dá imunidade em relação às doenças do coração. Vamos tomar o exemplo do grande James F. Fixx que, por ironia do destino, morreu correndo porque não sabia que tinha as coronárias obstruídas. O grande aprendizado de tudo isto é que, nos momentos difíceis, a família e os amigos são fundamentais. O amor ameniza qualquer dor! Um grande abraço a todos. Oscar Targino.

Historia com a Corrida

Poderia estar escrevendo agora especificamente sobre a Meia Maratona de Praga mas,a minha Historia com a corrida vai muito além deste feito devido a peculiaridade da minha evolução. Eu NUNCA havia corrido antes na minha vida,meu marido sempre, e eu realmente apenas me perguntava:PARA QUE ISSO??? Até que um dia, em 2005, fui as ruas de Salvador com meu baby no colo (03 meses),vê-lo correr a Brasken e... não sei explicar por que, naquele momento nasceu. Paula, corredora! Pensei: vou correr, ano que vem faço esta prova, quero brincar, me divertir, viajar. Disse o ano que vem porque achei que levaria muito tempo pra fazer aquilo, além do mais, havia um bebê e toda aquela falta de tempo. O ano passou e já em cima da hora ouvi falar de uma prova: a dos 40 KM. ‘Pode correr 4KM?’Comecei, sozinha, já correndo, costumava dizer: fingindo que estou correndo, de tão lentinha que era mas,não deu tempo de inscrever-me...tudo bem...eu tinha a Brasken! Trenei ainda sozinha, mas, com a ‘camisa’ da Triação pois, já tinha sinalizado pra Diogo, e ele como amigo e incentivador,colocou-me em uma equipe. Nem precisa dizer que eu fui o maior tempo das quatro mas, elas não estavam preocupadas com isto,me diziam, também queriam se divertir. Nunca vou esquecer que fui a terceira a largar, com meu coração a mil, saí ,e ao som de Generation, corri...até o fim. SHOW!!! Estava eufórica, feliz, realizada. Eu havia conseguido! Daí, entrou de verdade a Triação, especificamente Diogo, grande profissional, sempre cuidadoso, incentivando-me, fazendo-me acreditar que posso, e posso muito mais!! Vieram as planilhas, precedidas dos exames e testes, e os treinos, sozinha, com o grupo e ele ligando: como é que foi? Treinou? Grande Diogo.. Soube da Pampulha, 18 km! Que ousadia a minha, disse que iria. Brinquei comigo mesma... se não aguentar,pego carona de bicicleta, tomo um táxi, mas eu vou! Tivemos um treino no Dique, fui preparada psicologicamente para três voltas, mas, quando ia parando Diogo falou: vamos, outra volta, você pode! U-HU!! 10 km, me senti a própria! Fui pra Pampulha, com apenas 11.700 km (último treino) e Diogo falou: Paula se não conseguir, tudo bem, mas.... SURPRESA... eu não só fiz, como cheguei super bem, feliz, orgulhosa, não andei nem um minutinho.Vale lembrar que iniciava a minha terceira planilha. Decidi correr uma meia. Escolhemos a de Praga, pois estaríamos por perto na ocasião. Preparei-me direitinha, alimentação, disciplina, longa... longos...e longos. Praga chegou...cidade LINDA! MARAVILHOSA!! e eu estava lá...com apenas 06 meses de corrida. O frio era intenso, mas a emoção aquecia meu coração, meu corpo estava pronto,minha cabeça perfeita!! Mais uma vez senti o prazer de ter vencido os meus limites, fortalecido meu espírito, beneficiado meu corpo. Correr me faz muito feliz! Paula Sá.

A Maratona Mágica

Relato da Maratona de Berlim? O homem sábio está preparado para o êxito e o fracasso? Sêneca (4 a.C.- 65 d.C). Romper a linha de chegada da primeira maratona é uma emoção indescritível. É como ouvir o primeiro choro do nascimento de um filho. É como sentir a mão gelada da primeira namorada. É como viajar a Paris ou Nova York pela primeira vez. É também como ler O Encontro Marcado de Fernando Sabino pela primeira vez. E como muitas outras emoções que surgem durante a vida, algumas que continuam fortemente indeléveis, outras bem distantes conquanto memoráveis. Faço essas reflexões aqui sentado, sozinho, na Gare du Nord em Paris à espera do trem para Bruxelas, no caminho para Berlim, na certeza de que vou correr a minha décima nona maratona. Entretanto, Berlim revela-se assim como uma primeira maratona, em razão talvez de gerar uma grande expectativa de bater meu próprio recorde. Ou porque Berlim seja uma das melhores maratonas do planeta. Ou pelo fato de sentir-me ansioso, o que normalmente não acontece há muito tempo. Antes, porém, de chegar a Berlim descansei em Paris alguns dias. Exatamente aqueles poucos dias precedentes à maratona em que necessitamos apenas manter os músculos ativos. Ou seja, correndo poucos quilômetros diariamente e alguns trotes despretensiosos. Correr pelas ruas de Paris pela manhã é maravilhoso. As ruas ainda vazias e livres do vaivém dos turistas, dos parisienses, dos automóveis me proporcionaram a olhar os bulevares, o Sena, as pontes e os Jardins de Luxemburgo - onde gostei de muito de correr-, com uma visão muito mais romântica da cidade. Corri a maratona de Paris há alguns anos. É tão sensacional como correr a de Nova York ou Londres. Mas correr pelas ruas de Paris sem nenhum compromisso, num ritmo lento é simplesmente um encanto magistral. Não havia cansaço. Não havia controle de tempo. Recordo-me que ontem à tarde corria lentamente por Montparnasse e vi o ?Café de Flore? e me lembrei que Sartre e Simone de Beauvoir escreveram grande parte de seus livros ali. Como sentia um pouco de sede, resolvi entrar e pedir ? un verre de vin rouge, s?il vous plaît?. O garçom me olhou um pouco desconfiado ao perceber que fazia o footing, mas me atendeu com polidez. Alguns turistas alemães ao meu lado comentaram qualquer coisa. Provavelmente fazendo ilações sobre a minha estranha maneira de hidratar o corpo. Bebi o vinho rapidamente como água e voltei a correr para a rua em direção ao meu hotel ali bem próximo. O trem para Bruxelas chega lentamente e encosta na plataforma. Volto a pensar no grande desafio da maratona de Berlim. Durante as poucas horas de viagem aproveitarei para planejá-la. Isto é, com a temperatura prevista para 18 graus, definir em quais quilômetros deverei beber água, gel com carboidratos e, em último momento, até analgésico (uso sempre o tylenol ) em caso de dor extrema, assim como estabelecer a velocidade quilômetro a quilômetro. Isso tudo é previsível, exceto se exatamente na manhã da maratona o corpo lhe anunciar que não é o seu dia. Assim, nem os deuses do Olimpo, nem o espectro de Feidípedes lhes farão correr em sua plenitude. O meu plano é correr a oitenta e cinco por cento do meu VO2 máximo( consumo máximo de oxigênio durante a corrida ). Isto me dá, evidentemente, um pouco de conforto. Sei que é muito difícil controlar tudo isto durante uma corrida tão longa. Entretanto, prefiro correr pelos batimentos cardíaco do que pela velocidade. Fisiologicamente, é muito mais seguro. Alem disso, a hidratação e a alimentação necessitam de um cuidado maior: o calor determina a quantidade de água; e a alimentação depende primordialmente da quantidade de carboidratos ingerida nos quatros dias anteriores à maratona. E, assim, enquanto o trem desliza suavemente quase sem barulho, entre uma ligeira leitura de uns capítulos de um livro policial comprado na estação e a admiração da paisagem lá fora, vou estabelecendo a estratégia, quilometro a quilometro, de toda a corrida. Chego a Bruxelas no final de uma tarde chuvosa. Vou ficar por aqui apenas um dia. Ou precisamente apenas vinte e três horas. Bruxelas é pequena e aconchegante. Não chega a ser provinciana, salvo se compararmos com as grandes metrópoles do mundo. Claro, há muitos lugares para visitar. Mas prefiro circular pelo centro velho. Almoçar no Chez Jean, um restaurante simples e confortável, com uma comida excelente e barata, bem próximo da Catedral de St-Michel. Flanar pelas ruelas e avenidas e admirar as residências art nouveau que proliferam por toda a cidade. E, antes que o dia acabe, sem nem mesmo visitar Bruges, onde planejava ir ao menos por um dia, parto para Berlim com ansiedade e aspiração de realizar uma boa maratona. - Sexta-feira - O inesperado acontece na chegada a Berlim. A mala que não chega!!! Como nunca acontecera isto antes comigo, não fiz a prevenção básica: carregar comigo sempre o tênis e a roupa de corrida. Além do estresse causado por esse imenso transtorno, o vírus de uma gripe que me ameaçava desde os últimos dias, me ataca com tremenda força. Bem, se não piorar muito, ainda tenho boas expectativas? penso. Aproveitando o fato de estar sem bagagem alguma à mão, vou direto do aeroporto para a feira da maratona e consequentemente fazer a retirada do kit. Círculo por vários estandes, sem nenhum entusiasmo. Depois de algum tempo, resolvo ir ao hotel esperar a prometida entrega da bagagem para aquela mesma noite. – Sábado - Acordo cedo, depois de dormir quase dez horas seguidas, ainda sem bagagem. E o pior: agora extremamente gripado e com tosse. Tento me esforçar para manter o ânimo. Penso em situação muito mais adversa: fazer a maratona do Alaska; correr no deserto; mesmo fazer a maratona de Atenas? da cidade de Maratona ao estádio Panathinaiko. E assim preocupado, mas confiante, só me resta esperar as últimas horas. E esperar... esperar... por minha pequenina mala e tão valiosa, que só chegara no final da manhã para um certo alívio, pois assim não terei o compromisso de comprar tênis novo ( pode ser um desastre total aos pés) e todo o resto que um maratonista experiente usa. E o resto do dia? Tento pelo menos minorar o efeito da gripe -com medicamento- e dormir cedo. -Domingo - dia D- Levanto-me cedo às 5:30 h para fazer uma análise da situação do meu corpo e tomar uma decisão. Irei correr a maratona? Mesmo com febre, decido que sim. E estoicamente saio para o local da corrida. Agora é certo que devo refazer os meus planos de corrida. É certo que não chegarei nem perto do meu recorde de 3:28 h. Mas o fato é que em qualquer maratona, devemos sempre ter um objetivo. No trajeto até o local da largada no Tiergarten - um grande parque, mais ou menos na região central de Berlim, aportando o Reischtag, o Portão de Brandemburgo etc.- estabeleço que não devo passar de 4:00 horas de corrida. Alcançando isso estarei contente. Já vencida as dúvidas iniciais, agora parto para a largada. Enfrentar toda essa multidão de quarenta mil corredores à frente, é um estorvo que a cada dia estou mais convencido de não submeter-me frequentemente: optar por maratonas menores, seria o ideal. Mesmo assim, com grande entusiasmo e otimismo, faço o primeiro quilômetro poucos segundos abaixo de cinco minutos por quilômetro. É a propalada adrenalina inicial. Mas que não é real. E nem sempre podemos manter esse ímpeto inicial. Controlo-me e corro num ritmo confortável. No terceiro quilômetro, já fora do parque, um pouco depois da Ernst-Reuter Platz, ainda me sinto bem. Agora é hora de curtir a maratona. Realmente, é uma maratona bem organizada. Eu fico pensando na eficiência da logística a fim de colocar quarenta mil corredores na rua. Ela é, sem dúvidas, uma das melhores do mundo. Há bastante público. É animada. E o público incentiva muito os corredores. Ás vezes, chega ao descontrole de invadir a pista para incentivar. Isso me dá mais energia.. No quilômetro cinco, um corredor espanhol aproxima-se e inicia uma conversa bem interessante sobre maratonas. Eu falo que esta é minha quarta maratona no ano. ?? Non, és loco?- me pergunta. Apenas dou um sorriso tímido, sem responder. Acelero um pouco meu ritmo, e o espanhol me acompanha. Ele agora fala de futebol. Fala do Barcelona com prazer. Fala de jogadores brasileiros na Espanha que nem mesmo conheço. Mas isso é bom. Porque faz-me esquecer os percalços que poderão vir. No décimo quilômetro, já no Mitte - o centro do lado oriental de Berlim-, dou-me conta de que é hora de tomar o primeiro gel de carboidrato. E o espanhol ainda me acompanha. Agora em silêncio. Eu desvio dos retardatários. E ele também. Eu subo a calçada a fim de evitar o trânsito, e ele também. Fico pensando até quando isso se manterá. Não reclamo. Acho, na realidade, muito bom. É uma referência. É um ânimo a mais. Algumas bandas surgem aqui e ali. Umas de música clássica. Outras de música brasileira. Também outras de ritmos caribenhos. Muita diversidade. O que é natural, devido a quantidade de corredores de várias nações. E estamos -eu e o espanhol- quase na meia maratona. Já em Schöneberg, sinto a necessidade de concentração. O corpo inicia a fase de sofrimento. Decido parar em um posto de água, a fim de tomar um Tylenol. Sinto a temperatura do corpo alta demais. E é nesse momento que vejo o espanhol pela última vez. ?Gracias, compañero!!?- gostaria de ter-lhe dito. Após alguns quilômetros de muita concentração, embora com muitos problemas com o engarrafamento - entendam, aqui também temos engarrafamento, especialmente se largar muito atrás -, penso na superação. Sei que o ser humano foi feito para suportar as piores adversidades, mas não é fácil. Depois de alguns quilômetros pensando nisso e curtindo os prédios de Berlim Ocidental, corro agora levemente. Sem velocidade, no ritmo que desejava. Entretanto, estou dentro do meu plano de finalizar abaixo de quatro horas. Em Ku?damm Strasse, há uma grande euforia do público. Na varanda de um apartamento de um prédio de quatro andares, uma mulher em cabelos esvoaçantes, coloca para tocar em um volume estratosférico As Quatro Estações de Vivaldi. E, como se estivesse regendo uma orquestra, faz os movimentos com os braços suspensos . Bem, isso fica estranho, mas ao mesmo tempo bonito. E os corredores respondem muito bem. Sem sentir, percebo que já estou no quilômetro trinta e cinco. Agora a distância aumenta exponencialmente. Lembro-me de Thomas Mann em A Montanha Mágica, quando escreve fantasticamente sobre a distancia e o tempo. E é tempo de imaginar a chegada. O Portão de Brandemburgo. É tempo de imaginar-me ultrapassando o Muro de Berlim, sem o perigo dos guardas orientais, e sim do aplauso frenético do público. Com a aproximação do final, já sem concatenar bem os pensamentos, ela passa por mim lentamente, bem próximo do quilômetro quarenta, como se corresse flutuando. A visão do seu rosto, às vezes clara , às vezes indecifrável, me confunde absolutamente. Tento acompanhá-la. Ainda há alguma força remanescente para alcançá-la?. O seu rosto magro, moreno, cabelos pretos molhados jogados delicadamente sobre os ombros e olhos cor de mel atraem o meu olhar incessantemente. É uma ilusão? Ou o efeito da febre que teima em voltar. Não sei exatamente. Poucos minutos depois correndo lado a lado, ela suavemente escapa do meu alcance, como se partisse em flutuação permanente. Antes, porém, de desaparecer na multidão, ainda olhou-me com um olhar furtivo embora penetrante, como se tivesse algo imponderável a me dizer. E, sem força para acompanhá-la, resigno-me a vê-la sumir no emaranhado de corredores à minha frente. Mais uma maratona que está chegando ao fim. O Tiergarten, o Portão de Brandemburgo aproximando-se de mim. O público imenso que não pára de incentivar. Os músculos que não sentem mais nada. A água que não quero mais. E essa força inesperada que surge no último momento e me faz aumentar a velocidade das passadas. A última olhadela para o cronômetro. E a felicidade de que ao menos não ultrapassei as quatro horas de corrida..E também com aquela ligeira sensação de felicidade de pertencer a uma parcela dos seres humanos que foram feitos para suportar a adversidade, piso o tapete vermelho do marcador de tempo com orgulho e alívio de ter cumprido a minha meta. - O retorno - Antes de voltar ao Brasil, porém, vou a Paris novamente. Irei me ocupar da literatura, a minha segunda paixão. Ocupar-me de passear pelos bouquinistes do Sena. Garimpar alguns livros interessantes e baratos. Alguns até raros, com muita sorte. Além de pesquisar sobre Proust, minha grande tarefa atual. Não é uma tese sobre Marcel Proust. É apenas um interesse antigo em conhecer profundamente a obra daquele que considero um dos melhores escritores franceses de todos os tempos. E assim termino este ano a temporada de maratonas. Em doze meses, foram quatro. Considero isso, na verdade, um exagero. Uma boa média para os maratonistas amadores são duas. Penso até em parar por um ano e correr apenas as corridas rústicas. Ou até mesmo meia-maratona, a fim de dar um descanso ao corpo. Entretanto, como na fábula do escorpião e o sapo, não renuncio à minha natureza de maratonista e já planejo uma nova maratona para o ano que vem: quem sabe, nas terras geladas do Canadá! A Maratona Mágica Relato da Maratona de Berlim. Ney Caires!!!

Para o Triação

Correr sempre foi a minha escolha... Mesmo quando não corria! Fiz ballet, capoeira, mas nada satisfazia uma necessidade muito profunda, muito interna em mim, de correr. É que algo dentro de mim corria. Por fora eu queria fazer alguma coisa que gastasse esta energia toda que morava dentro de mim e que circulava sem parar, me deixando agitada. Eu falava para minha terapeuta, ?eu tenho vontade de sair correndo às vezes...? Já corri sozinha e desisti! Um dia vi na Barra um grupo de pessoas com a mesma roupa correndo. Um, dois, três, mais, mais... Pensei: ?parece um grupo de corredores?. Comecei a procurar vê-los de novo e perguntar se poderia correr com eles, se eles me ensinariam a correr. Não sei quem eram! Sei, no entanto, que resolvi que ia descobrir uma forma de correr também. Aí Marta -uma amiga de longas datas- me disse para ligar para Paulo Bahia, um dos treinadores do clube de corrida em que ela corre. Pronto achei o TRIAÇÃO. Gorda com mais de 25 kg acima do peso ideal, ganhando pouco, trabalhando muito, vivendo um dos momentos mais estressantes da minha vida comecei a correr em outubro do ano passado. Nossa! Como cansava! Eu não corria, não trotava, não andava. Eu me arrastava. Não conseguia ânimo para cumprir as planilhas, sofria com a deterioração do meu lugar de trabalho, com a morte de um sonho dentro do serviço público. Sofria com a inveja e a incompetência de um chefe imaturo e inseguro. E aos trancos e barrancos seguia tentando correr. Chegava na pracinha dos eucaliptos com toda a preguiça do mundo, mas lá era legal, me animava e fazia meu treino. As caminhadas rápidas faziam as panturrilhas doerem e trotar aliviava a dor. Meu treinador do coração, Adevan, adaptava a planilha e eu seguia tentando não faltar. Tentando não parar. Passei a trotar! Em janeiro: férias! Que maravilha! Uma viagem de carro até Goiás. Não contava com a buraqueira das estradas federais. Minha coluna não agüentou. As férias e o resto do trimestre com dor me obrigaram a parar de trotar. Adevan, de lá do Rio e Diogo, meu treinador substituto do coração, daqui de Salvador, iam me ligando, me acompanhando por telefone sem nunca me deixarem sozinha com minha dor.E doía tudo! O que mais doía era a sensação de que não ia mais correr. Começava a treinar e parava com dor. Um dia sentei sem poder terminar o treino, e chorei até cansar. Depois fui para casa sem falar com ninguém. Que fase! A coluna doía da cervical à lombar, o stress comendo no centro, o peso aumentando. Os treinadores sempre do meu lado. Depois de passada a dor, mandaram fazer consulta com Neto. Fui lá e como prêmio, Adevan me mandou uma planilha novinha! Ganhei ânimo novo também. Na coluna nada demais: tensão, peso, vício de postura... Na cabeça o desejo de voltar aos treinos e não parar mais. O tratamento: musculação! Matriculei-me e a experiência com a academia ? coisa que eu odeio! ? foi o contrário do que eu vivi com o TRIAÇÃO: não fui lá nenhum dia e ninguém notou. Abandonei! Vou tentar de novo em uma outra. Agora, fazer musculação é uma necessidade. Não por causa da coluna, mas porque vai me ajudar a correr melhor. Meu Deus, parece uma história sem fim! Eu acho que é mesmo assim. É sem fim! Estou escrevendo a minha história de superação. E esta história não acaba nunca: todo dia tem um pedaço novo, a vitória daquele dia! Comecei a fazer minhas planilhas com mais vontade. Cada dia com mais vontade, quando me dei conta de uma coisa que sempre tive em mente: corrida é o maior exercício do mundo, porque é um exercício de superação dos próprios limites! Correr para mim é um exercício de superação de mim mesma! Para chegar no treino, eu venço a minha preguiça, a minha falta de vontade, o meu peso, o meu stress, a minha falta de tempo, a minha vontade de deixar tudo como está, a minha baixa auto-estima. E cada dia que chego no treino e faço a minha planilha, eu tenho mais uma vitória sobre mim mesma! Lembro de Mikhail Barishnikov que diz: ? Eu não quero dançar melhor do que ninguém, eu só quero dançar melhor que mim mesmo!? Cumprindo as planilhas aos poucos, primeiro treinando umas duas vezes na semana, depois umas três vezes e na semana passada todos os dias, comecei a correr e entendi que eu tenho meu tempo e meu jeito, assim fui me tornando minha treinadora com Adevan e Diogo. Fui começando, eu mesma, a cuidar de mim junto com os meninos. Com a corrida aprendi a sair mais cedo do trabalho, a mandar o chefe para os ?quintos? mentalmente, enquanto o olhava com cara de paisagem, aprendi a partir para outra, aprendi que nada é mais importante que eu mesma, que minha saúde e que eu ia morrer se ficasse naquele emprego. Assim mudei de emprego, passei a ganhar mais dinheiro, a trabalhar menos, a ter outros planos além do trabalho e a curtir mais a vida. Vento e sol na cara correndo na orla, emagrecer devagar, sentir o corpo ir ficando mais forte, subir dois andares de escada e chegar viva lá em cima, abrir alvéolos nunca mais usados, respirar melhor, respirar a plenos pulmões, isso é curtir a vida! Engatei, há mais ou menos um mês, uma dieta sem açúcar e treinos mais puxados prescritos por Adevan. Perdi uns quilos, corri a Braskem e venci! Aquela medalha é a coisa mais preciosa que alguém já me deu. Ela é o símbolo do conjunto de todas as pequenas vitórias que acumulei desde que comecei a treinar com o TRIAÇÃO! Segurei ela na mão depois de correr e dei para Clara, minha filha, botar no meu pescoço e me senti a maior vencedora do mundo! Valeu TRIAÇÃO! E está valendo!Obrigada! Com todo meu carinho, Valéria.

Minha 1ª Maratona!!

Queridos Amigos, Entre 2003 e 2005 havia participado de provas de 10 e 21 Km, mas sempre tive a vontade de correr uma maratona, porém, não sabia como me preparar para esse desafio, e nem se meu corpo suportaria o treinamento para a prova, e ainda se resistiria com bravura a mesma. Sendo assim acabava deixando este sonho para um plano distante.... Alguém disse, certa vez, que não se pode passar por esta vida sem ter tido um filho, plantado uma árvore, escrito um livro e eu acrescentaria: correr uma Maratona. Em 09 de outubro de 2005, participei da terrível 3ª meia maratona internacional da Bahia. Preparei-me {achava?} adequadamente, mas não podia contar que na prova faltaria água, imaginem água, digo meia maratona no sol escaldante da Bahia sem água. Terminei a prova em péssimas condições, senti cãimbras, e, sobretudo revolta pela situação vivida. Naquele dia, ao contrario da lógica, pensei: ? vou correr uma Maratona, e ainda por cima terminar a prova em excelentes condições?. Fiz então algumas provas para recuperar a confiança: Seletiva da São Silvestre em Salvador (15Km) em 04/11/05 de forma bem tranquila em 1h e 32 minutos, Volta da Pampulha em BH (18 Km) em 04/12/05 com o tempo de 1h e 40minutos, Seletiva Paulista da São Silvestre em 11/12/2005 (15Km) em 1h 22 minutos, Meia Maratona da USP em 09-04-06 (? Já em treinamento para a Maratona de POA?) em 1h e 59 min. Após estas provas minha confiança estava de volta, associada a minha eterna aliada a força de vontade para vencer obstáculos. Minha meta era completar o percurso de 42 km, mas ao mesmo tempo não queria arriscar minha saúde em uma aventura irresponsável. Por isso me preparei. Procurei a orientação de um profissional, Diogo Andrade, professor do grupo Triação de Corridas, e segui uma planilha de treinamento. Também fiz um trabalho muscular supervisionado pelo mesmo, com exercícios de fortalecimento para pernas e tórax. Modifiquei meus hábitos alimentares seguindo um cardápio balanceado indicado pelo nutricionista Carine. Sem eles a jornada seria muito mais dura, talvez nem terminasse. Maratona não é só querer tem que fazer acontecer. Reconheço que não foi tarefa fácil. É preciso muita dedicação e força de vontade. Treinos na chuva, no forte vento da orla, debaixo de um sol escaldante, enfrentando o clima instável da cidade... nada me fez desistir. Sempre admirei pessoas que são movidas por desafios, têm coragem para enfrentar ? o impossível, o improvável?,. Quantos feitos foram realizados, simplesmente, porque alguém acreditou numa ideia e lutou até atingir suas metas. A diferença está entre falar e fazer. Acreditar que é possível e dedicar-se, muito, assim eu fui ?criado?! Em qualquer esporte de resistência, para a maioria, o desafio é pessoal. O corredor não está lá pensando na vitória, mas em vencer ele mesmo. Alguns pontos são fundamentais para completar uma maratona: treinamento, persistência, preparação física e controle emocional, sim, são decisivos, além da hidratação e alimentação correta. Fiz uma pesquisa e descobri que a Maratona de Porto Alegre 21-05-06 seria realizada numa época do ano, onde a temperatura é amena (10 a 15o), e ainda com percurso plano e período adequado para meu árduo treinamento (4 meses e 21 dias). Há 8 dias da Maratona um fato inesperado, tive uma forte infecção de garganta que me obrigou a usar antibióticos para recuperação. Incrível, outro problema há 4 dias da Maratona, apresentei um quadro de Gastroenterocolite aguda que me trouxe muitos problemas até a véspera da prova. Tudo pronto. Dia 21 de Maio de 2006, chegou o grande dia, além da distância a ser superada, sentia-me sem forças, desgastado pelas infecções na última semana, mas seria apenas alguns obstáculos a mais a serem vencidos. A temperatura estava abaixo de 6o. Um vento cortante tornava ainda mais fria aquela manhã de domingo tão ansiosamente esperada. Tinha como meta completar a distância inteiro, descansado?. Cheguei ao local da largada, muito tranquilo, aquele clima de corrida, o pessoal se alongando, aquele ambiente parecia ter brilho próprio, enfim, tudo pronto para a largada, foi feita a contagem regressiva sob o som de ? Carruagens de Fogo? em ritmo de balada. Pontualmente as 8:00h foi dada a largada, foi muito emocionante. Larguei num ritmo confortável, bem tranquilo. Tinha modificado minha estratégia de corrida na véspera da prova, sabia que teria que realizar a Maratona com muita moderação. Passei nos 10 Km com 1h e 2min, na Meia Maratona com 02h11min, totalmente dentro do previsto. A partir daí as coisas mudaram, pois a 1ª metade da prova ocorreu dentro das ruas fechadas de Porto Alegre, onde a sensação térmica era real de 6o, já a 2ª metade era na orla do rio Guaíba, onde um forte vento sul entrava no contra fluxo dos corredores, levando a sensação térmica para próximo de zero grau. Dessa forma, o frio que eu achava que seria meu grande aliado, passou a ser meu maior inimigo. Por volta do 28º km, ainda estava me sentindo bem, apesar de algumas discretas dores musculares, mas nada fora do normal. Cheguei no Km 30 com aproximadamente 3h e 15 min, sabia que o ritmo iria cair, pois havia uma ladeira neste ponto, e começava a sentir falta de energia e dores abdominais, mas segui lutando e fui vencendo a prova. Para não perder o costume, e tentar esquecer as dores, fui cantando trechos de músicas: ?...a taça do mundo é nossa, com o brasileiro não há quem possa...? , ...balada triste que me faz lembrar de alguém, alguém que existe e que outrora foi meu bem...?Muitas vezes meus olhos se encheram de lágrimas e meus batimentos cardíacos se aceleraram. Neste turbilhão de emoções eu pensava na família: Ciça, minha querida esposa, que tantas vezes me acompanhou nestas corridas! Marquinho filho amado que adora esportes, mas que ainda não se atreve a correr tanto quanto o pai! Meu Biba, que tanto acredita em minha capacidade de superação! Minha Mãe, essa não sei nem o que dizer, pois se doa de tal forma que ainda em vida se comporta como um espírito de luz ao meu lado! Meus queridos amigos que tanta energia me deram durante os treinamentos, e que naquele momento estavam em uma corrente positiva me ajudando! Depois do km 35, a corrida passa por uma transformação, ninguém mais dá risada, ninguém conversa absolutamente nada. Alguns fazem alongamento, outros consideram a possibilidade de abandonar a prova. Nesse momento dei valor ao treinamento. Sem dores musculares significativas, procurei não me impressionar com o que via, mas lembrava do alpinista Vitor Negretti que havia falecido no dia anterior ao tentar dar um fazer o ataque de 500 metros na descida do Everest sem utilizar oxigênio suplementar, e acabou falecendo. Sendo assim, resolvi ceder um pouco a falta de energia - a essa altura já instalada- , meu estado de leve hipotermia e ao desgaste físico da distância, optei por administrar a prova, andar por 30 segundos e fazer um trote por 01 km. No Km 39 a prova estava terminando! Aquela cena de luta que relatei acima, tornara-se mais crítica. Senti uma certa ansiedade , queria terminar logo, mas mantive a estratégia. Pensava nos treinos, na dedicação e disciplina. No Km 41 vi de longe Ciça e Marquinho correndo em minha direção, meu corpo pedia ?pare? e minha cabeça dizia ?não pare?, então enganei meu cérebro: ?...parada acabou, não existe mais , quem viu, viu, quem não viu, não vai ver nunca mais...? e pensei:? agora só paro na chegada?....Marquinho filmando e dizendo que só faltava 200m (?que alegria?), Ciça retrucando:? faltam 800m (?..que tristeza..?), senti neste momento uma discreta fisgada na virilha, mas nada que fosse alterar meu ritmo e plano de chegada. A sensação de cruzar a linha de chegada é indescritível. Um misto de dever cumprido, euforia, agradecimento, cansaço, vontade de chorar, de rir, um quase não acreditar que fora possível, que conseguira, que todo o esforço valera a pena. É fantástico! Sinto um arrepio no corpo a cada vez que me lembro dessas cenas. Se o desafio foi grande, maior o motivo para comemoração. Assim devem ser nossas atitudes perante os acontecimentos da vida. Algumas situações fogem ao nosso controle, como exemplo, neste caso, a baixa temperatura e o meu estado físico debilitado pelas infecções sucessivas. Mas é preciso minimizar os riscos e aceitar a situação. É muito mais fácil criticar, a realizar um sonho. Acredite, vale a pena tentar. O resultado é consequência de meses de dedicação. Tenho certeza que todos deveriam correr uma Maratona, pelo menos uma vez na vida. É uma experiência sem igual, simplesmente inesquecível! Um forte abraço em todos!Marco André.

 

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